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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

O SIGNIFICADO DAS DOENÇAS E A CONSTELAÇÃO FAMILIAR




Não é recente o estudo do significado das doenças e sua relação com questões de ordem psicológica ou emocionais. A homeopatia tenta tirar o foco da simples eliminação dos sintomas para um entendimento mais amplo do processo sistêmico envolvido.

A psicossomática relaciona os processos inconscientes envolvidos na geração de sintomas físicos para alívio das dores emocionais não observadas.

Na psicoterapia sistêmica é possível perceber que algumas pessoas se emaranham em destinos alheios, limitando suas possibilidades de vida e contribuindo para manter os seus sintomas. E com esta visão surge a constelação familiar que entra como mais uma ferramenta para olhar os sintomas, agora sob a perspectiva transgeracional.

CONSTELAÇÃO FAMILIAR E AS ORDENS DO AMOR

Já as constelações familiares são amparadas em diversas áreas de estudos da psicologia, mas trabalha com algumas leis naturais chamadas de Ordens do Amor.

Estas leis se desconsideradas podem gerar efeitos nocivos a um ou mais membros de uma família, podendo inclusive gerar sintomas como uma forma de reparação e/ou expiação para o sistema familiar.

Assim, a proposta deste artigo é trazer, a partir da visão das constelações familiares, alguns sintomas que em sua grande maioria estão relacionados a emaranhamentos sistêmicos e desconformidade com as leis sistêmicas.

ALGUNS SIGNIFICADOS DE DOENÇAS

Para ser congruente com a visão sistêmica, é importante inferir que será apenas um recorte generalizado, e cada caso deve ser levado em conta particularmente dentro do seu contexto e estrutura.

Considere um ponto de partida para quem desejar fazer uma reflexão mais profunda a respeito de algum sintoma específico que o acompanha. Todos os processos descritos são movimentos inconscientes.

Cefaléia ou Enxaqueca: tem algum amor represado. A pessoa se recusa a tomar um dos pais (ou ambos) o que causa uma pressão interna que exterioriza-se em dores de cabeça intensas.

Esquizofrenia: Via de regra, a esquizofrenia tem relação com uma morte encoberta, geralmente um assassinato na família. A pessoa psicótica sofre, mas a família todo fica desnorteada, pois é preciso incluir no coração a vítima e o agressor.

Trata-se de um outro nível de olhar no qual não há julgamentos morais, mas aos olhos do Todo, todos têm o mesmo lugar, a mesma importância.

Bulimia ou Anorexia: na maioria das vezes o pano de fundo da bulimia tem relação com a mãe que rejeita o pai de seu filho. O filho por lealdade a ambos encontra a possibilidade de resolver o conflito “comendo” pela mãe e “vomitando” pelo pai.

Também pode haver um conflito entre ir e ficar (que se relaciona ao desejo de seguir alguém na morte). No caso da anorexia, pode haver a intenção de morrer no lugar de um dos pais como um processo inconsciente de salvação e autossacrifício.

Insônia: geralmente refere-se a uma vigilância excessiva normalmente relacionado à mãe. Há um medo ou preocupação que um membro da família vá embora ou morra enquanto a pessoa dorme. Como se a pessoa estivesse cuidando para que nada de mau aconteça.

Depressão: pode ocorrer quando fazemos algo para o pai ou para a mãe ou rejeitamos ambos. Então é preciso respeitar a lei da ordem e se dirigir a eles do nosso lugar, pequenos diante deles.

Vícios: pode ser uma busca pelo pai excluído do sistema. Também pode haver uma dinâmica de inclusão de algum homem importante da família que morreu ou ainda o desejo de seguir alguém na morte.

Fibromialgia: em alguns casos de constelações com mulheres portadoras de fibromialgia, a raiva era um sentimento presente.

Às vezes, pode ser a raiva de uma criança que perdeu um dos pais muito jovem e se sente abandonada; raiva por um parceiro que causou grande decepção ou, até mesmo, a raiva adotada de uma parceira anterior do pai que foi injustamente abandonada por ele.

Hipertensão: em muitos casos relaciona-se com um amor que foi ou precisou ser reprimido geralmente pela morte de um dos pais, ou alguma vivência traumática ocorrida com um deles.

Um filho que precisa assumir o lugar do pai após a sua morte, por exemplo, pode sentir muita raiva que se manifestará desta forma.

O QUE FAZER?

Olhe para a doença e para seus sintomas. Dê os cuidados necessários, lembrando que a medicina tradicional tem seu lugar e deve ser considerada sempre. Mas amplie, se possível, buscando ajuda profissional.

Um bom constelador ou psicoterapeuta sistêmico irá lhe mostrar a dinâmica que atua para manter o sintoma, mas sem o intuito de eliminá-lo. Pois desta forma estaríamos excluindo e negligenciando as leis.

Precisamos acolher tudo que entra em nosso contexto com amor, entendendo que aquilo se torna necessário naquele momento. Assim, quem sabe o sintoma, após cumprir sua função, pode se retirar em paz.


Publicado originalmente em https://www.personare.com.br/o-significado-das-doencas-m76832

Crianças na pandemia: como pais e filhos podem lidar com os desafios

Como podemos amenizar a ansiedade da incerteza do momento que vivemos e, a partir da Visão Sistêmica, tentar lidar melhor com os nossos filhos




Administrar os filhos na pandemia tem sido desafiador? Uma das grandes dificuldades pelas quais os pais estão passando é a relação dos filhos com o estudo. As aulas online apresentam inúmeros desafios, principalmente para os pais de crianças menores. 

A maioria dos adolescentes lida bem com a tecnologia e rapidamente se adaptou ao ensino à distância. Porém as crianças menores, muitas vezes, ainda precisam que um adulto as direcione. Com isso os pais, que também estão em alguns casos em home office, acabam por se sentirem sobrecarregados. 

A angústia pelo aprendizado das crianças e a falta de habilidade de recursos para ensinar acabam gerando ansiedades e preocupações que também são transmitidas às crianças. O melhor a se fazer é reconhecer a realidade atual e lidar com ela a cada dia. 

Todos estão passando pela mesma situação e, apesar dos recursos de cada um serem diferentes, é a forma de encarar o desafio que acaba fazendo a diferença. 

Crianças, pandemia e a escola à distância 

As crianças terão uma longa vida de estudos e aprendizado pela frente. Entender que o mais importante no momento é priorizar a saúde mental e emocional dos pequenos é fundamental. Assim, mais leveza e menos cobranças e autocobranças ajudam a amenizar as incertezas. 

O melhor é reconhecer que cada um faz o possível dentro da realidade que se apresenta. Assim, culpas e exigências devem dar lugar a autoaceitação e reconhecimento de que cada um dá o melhor de si, tanto os pais quanto os filhos. 

Distanciamento social para crianças na pandemia 

Outro desafio é o isolamento e distanciamento social. A forma como a criança irá vivenciar também depende do contexto, mas principalmente das relações familiares. As crianças têm uma capacidade inata de se adaptar à realidade. Mas isso se torna difícil quando os pais não o fazem. 

Por isso, o exercício de cada adulto é utilizar o momento desafiante como oportunidade de se autoconhecer e reconhecer a própria força que vêm de suas origens. O momento é ideal para reconectarmos com nossas origens e refletir sobre nossas próprias relações familiares e sociais. 

Quando tomamos a força dos nossos ancestrais é mais fácil olharmos para os nossos descendentes e também perceber a força que atua sobre eles. Com isso ficamos em paz, pois sabemos que todos conseguirão passar pelos desafios como sempre aconteceu durante toda a nossa história. 

Assim, mesmo que as crianças estejam longe de amigos e outros familiares, a presença dos pais ou mesmo de um deles, transmitindo esta força e confiança em todo o processo e na realidade como ela é, facilita a vivência dos pequenos. 

O tempo de qualidade de pais e filhos na pandemia é mais importante que a quantidade que estão juntos. Privilegiar conversas honestas, brincadeiras lúdicas e um tempo saudável juntos. 

Sintomas emocionais das crianças na pandemia 

As crianças têm feito menos sintomas físicos pela falta de convivência com outras crianças, contudo os sintomas emocionais têm aumentado em demasia. Se partimos do princípio que a criança deveria ter fácil adaptação à realidade, é preciso ampliar o olhar para a família. 

O externo causa impacto, mas se a estrutura interna estiver bem consolidada, tudo fica mais ameno. Torna-se necessário voltar às origens, em um diálogo interno, para entender como os adultos em volta estão lidando com suas próprias questões internas. 

As crianças são sensíveis a tudo que está oculto e, inconscientemente, acabam manifestando sintomas para o sistema familiar. Refletir sobre a postura diante da família de origem, o lugar de cada um, a dinâmica familiar e do casal, se há desordem do sistema familiar, como cada um têm encarado suas feridas emocionais; tudo isto pode liberá-las deste lugar. 

O fato é que, para lidar melhor com seus filhos na pandemia, é o adulto que precisa se estabilizar emocionalmente e parar de nutrir medos sobre o futuro. Uma ajuda profissional pode auxiliar a atravessar o momento desafiante e se reconectar com o que verdadeiramente importa: relações familiares saudáveis e vida leve mesmo, diante de problemas e desafios. 

Se pararmos de perceber 2020 como um ano perdido, mas sim como um ano que nos propiciou ampliar o olhar e ver o essencial, tudo pode ser mais leve.


Publicado originalmente em https://www.personare.com.br/criancas-na-pandemia-m76205

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ho'oponopono para seus filhos: Um método de Cura

Prática limpa bloqueios inconscientes dos pais, que são refletidos nas crianças

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Quando nos tornamos pais adentramos por um caminho totalmente novo e desafiante. Cada novo dia diante deste papel adquirido pode ser uma oportunidade para nosso próprio autoconhecimento. Sim, os filhos têm este poder. De serem espelhos de comportamentos, sentimentos e atitudes que estão fora de nossa consciência.

FILHOS DÃO OPORTUNIDADE DE ENCARARMOS MONSTROS ADORMECIDOS

É muito comum pais de primeira viagem cercarem-se de livros e opiniões de especialistas para tentarem educar as crianças da melhor maneira. Criamos expectativas para todos os filhos, mas é claro e natural que o primeiro vem um pouco mais carregado delas. Tudo que trazemos em nosso próprio papel de filho e a ideia que fazemos de nossos pais influenciarão nesta nova relação.

E geralmente percebemos apenas dois caminhos: o que eu já sei sobre filhos baseado em minhas próprias vivencias familiares, ou tudo o que os outros sabem sobre a melhor maneira de criar filhos.

Então, à medida que a relação com nosso filho vai se desenvolvendo, percebemos que o primeiro caminho se sobrepõe a todos os outros. Ou seja, será inevitável eu agir conforme minha própria experiência, independente de todos os manuais. E ao contrário do que nosso imaginário acredita, essa relação é construída dia a dia.

O fato de sermos influenciados por nossos padrões familiares não necessariamente será algo ruim ou negativo. A verdade é que os filhos são uma ótima oportunidade para encararmos aquele monstro há muito tempo escondido e adormecido. Eles são aqueles que denunciarão, na maioria das vezes de maneira implícita e não verbal, que algo não vai bem no âmbito familiar. Em terapia de família é muito comum a criança aparecer como o problema e, no decorrer do processo, as questões do inconsciente familiar irem se revelando.

ATÉ 7 ANOS, CRIANÇAS REFLETEM COMPORTAMENTOS INCONSCIENTES DOS PAIS

Os filhos, principalmente até os 7 anos, percebem aquilo que transmitimos em nível inconsciente, implicitamente, mais do que explicitamente. Ou seja, o que você faz é mais importante do que o que você diz.

E geralmente até esta idade isso se manifestará nas crianças, na grande maioria das vezes, através de sintomas. Mas, mesmo após a primeira infância, os filhos continuam sinalizando algumas questões desafiantes que seus pais vivenciam.

Assim, como um exemplo, poderíamos pensar em alguém que traz a queixa de ter um filho mesquinho, teimoso ou birrento. Ampliando o olhar para os pais, poderíamos refletir sobre o quanto são presos às suas ideias, seus bens e pertences, suas verdades e dogmas. Claro que é só uma hipótese, mas a ideia é fazer refletir sobre o comportamento fazendo parte de um contexto familiar, e não como o problema de uma única pessoa ou da personalidade dela.

Em relação aos sintomas físicos, principalmente nas crianças pequenas, seria praticamente a mesma leitura, como se aquele sintoma fosse nos próprios pais. Se você tem o hábito de se perguntar, pesquisar e procurar entender o que um sintoma específico traz de recado do inconsciente para você, então, a ideia é fazer o mesmo para o sintoma do filho. Assim, por exemplo, se os pais vivenciam uma grande instabilidade emocional com brigas constantes, a criança pode vomitar, já que não consegue entender (ou digerir) bem o que está acontecendo ao seu redor.

HO'OPONOPONO PARA SEUS FILHOS: UMA FERRAMENTA DE CURA

Uma ótima ferramenta que pode lhe ajudar neste trabalho é o Ho'oponopono. Este método utilizado para limpar crenças limitantes, padrões de autossabotagem, bloqueios e todo tipo de memória negativa que carregamos ao longo de nossa vida, lhe ajudará a se autoconhecer e conhecer melhor seu filho.

Quando usamos as 4 frases do Ho'oponopono - Eu te Amo. Sinto Muito. Me perdoe. Sou grato(a) - limpamos ou purificamos todo e qualquer sentimento, comportamento, crença e sintoma relacionado à situação que nos causa desconforto.

Por exemplo, um filho doente causa bastante desconforto. Então, se os pais começam a limpar suas próprias memórias, isso pode ser influenciado positivamente na criança. Como os próprios pais estão olhando para suas questões inconscientes, que surgem como estas memórias e limpam-nas, as crianças não precisarão mais manifestar os sintomas para que os progenitores percebam estas memórias.

COMO PRATICAR O HO'OPONOPONO COM OS FILHOS?

Lembrem-se: as memórias surgem para serem libertadas. E as crianças fazem isso por nós, pois as memórias atuam através delas. Assim, ao identificar isto, comece a limpá-las, falando as seguintes frases para si mesmo: "Eu sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grata(o)".

As frases podem ser ditas em silêncio ou voz alta. Não precisa falar diretamente para as crianças, mas, se sentir-se à vontade, pode fazê-lo também.

E mesmo se não houver nenhum sintoma em seus filhos, aplique o Ho'oponopono constantemente. Não há um número de vezes indicado, nem prazo. A ideia do método é que como temos muitas memórias acumuladas, a limpeza deve ser constante ou sempre que algo nos causar desconforto. Não precisamos esperar que elas se manifestem externamente para limpá-las. Elas já estão atuando a todo momento em nossas vidas. Manter a limpeza constante nos ajuda a trazer as memórias para a consciência e, com isso, é possível evitar que se manifestem como sintomas.

MINHA EXPERIÊNCIA COM O HO'OPONOPONO

 Sempre olhei para os sintomas de minhas duas filhas de forma simbólica, sabendo que elas expressavam algo do meu inconsciente. Quando incluí o Ho'oponopono na minha rotina diária, percebi que tinha nas mãos uma ótima ferramenta para lidar com a angústia da falta de controle de como meu inconsciente se manifestava nelas.

Como a ideia principal desta metodologia é assumir 100% da responsabilidade, a única coisa a ser feita, mesmo em relação aos sintomas das crianças é limpá-los!Nem sempre o sintoma some magicamente, mas em algumas ocasiões eles podem, sim, simplesmente desaparecer.

O que costumo fazer é compreender o que aquele sintoma pode estar sinalizando, como se fosse em mim mesma. As tosses, por exemplo, têm muita relação com algo externo que me incomoda e evito (ou não consigo) expressar verbalmente o desconforto que aquela situação ou pessoa me causou.

Assim, tossir é uma forma de expelir algo que traz desconforto. Então, neste caso, se este for o sintoma de minhas filhas, me pergunto de onde vem esta dificuldade em mim. E começo a purificar a situação.

Tenho notado que geralmente elas estão envolvidas na situação que causou o desconforto, mesmo que indiretamente. Também faço Ho'oponopono para a tosse e quaisquer sintomas relacionados, falando para minhas filhas as quatro frases. Sempre quando posso falo em voz alta para elas, pois assim também vão aprendendo.

Mas é bom esclarecer que de maneira alguma eu faço o Ho'oponopono visando a cura delas. Afinal, o único objetivo deste método é limpar memórias e nos trazer a paz e unificação com o Todo. Contudo, liberando as memórias em mim, também libero nelas.

PRÁTICA NÃO DEVE TRAZER CULPA AOS PAIS


A ideia de começar a prestar atenção nos sintomas e comportamentos dos filhos e como eles refletem suas próprias questões, não é para trazer mais culpa aos pais, que já é um sentimento tão comum. É simplesmente para ampliarmos o olhar sobre nós mesmos, termos a oportunidade de revisitar nossa história, emendar os fios partidos pelo caminho e fazermos uma reconstrução de quem somos verdadeiramente. Aliás, a culpa é uma baita memória, já limpou ela hoje? Culpa, sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata!

Artigo originalmente publicado em Personare

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Já conversou com seu Sintoma hoje?



Hoje me lembrei de um ótimo livro. A Jóia na Ferida de Rose Emily Rothemberg. Já faz um tempo que o li, mas ultimamente a necessidade de se compreender os sintomas estão mais presentes então me lembrei desse livro.

Na capa do livro há uma frase de impacto “O corpo expressa as necessidades da psique e oferece um caminho para a transformação”. Uau!! Isso revela o conteúdo do livro. A autora conta sua jornada (dolorosa) em busca de um sentido para suas quelóides que aparecem desde criança.

Imaginem carregar um sintoma por toda a vida? Parece ruim, mas essa autora junguiana mostra que isso pode ser uma grande vantagem se entendemos o significado dele. Mas é importante perceber a diferença entre ter um sintoma e permanecer na dor.

Os sintomas não aparecem por acaso. Alguns mais céticos podem dizer: “Saia em uma noite fria sem agasalho que você irá gripar e não tem nada de ‘psicológico’ nisso”. Mas se fosse assim, simples assim, nos países da Europa que as pessoas vivem em meio a um frio abaixo de zero, todos viveriam gripados, pois não há roupa que sustente um frio tão intenso. E no entanto por que somente alguns gripam?

Outra reflexão são sobre os novos sintomas, aqueles ditos da sociedade contemporânea. Como por exemplo, a anorexia e síndrome do pânico. Se a mídia impõe padrões de beleza que induzem garotas a desejarem um corpo ideal, então por que todas as modelos e jovens não possuem anorexia ou bulimia? Há algo de singular e isso é inegável. E esse particular precisa ser ouvido.

O problema é que sempre queremos a solução mais fácil e rápida. Tem uma dor de cabeça, toma logo uma neosaldina. Está com dor no corpo, engole um dorflex e está resolvido. Intestino preso, tome algo pra soltar, intestino solto, tome algo pra prender... e assim as indústrias farmacêuticas agradecem, pois elas lucram com nosso sofrimento... aliás, esse sofrimento continua, é a dor que acaba... e mesmo assim, provisoriamente.

Resolvemos a dor de cabeça hoje, e amanhã ela está de volta. Então nos tornamos escravos do remédio, pois queremos alívio. Se todos soubessem como economizariam (em todos os sentidos) se procurassem a CAUSA de seus sintomas. Uma análise ou psicoterapia para alguns custa caro, mas isso porque não colocam no papel o quanto gastam com medicamentos ao longo da vida, sendo que na maioria das vezes, eles são desnecessários. Claro que não digo com isso, “parem de tomar remédios e vão aos psicólogos”. Alivie sua dor, mas procure entendê-la para que ela não volte mais tarde ou desloque para outra coisa.

Não há porque ficar sofrendo horrores com uma dor de cabeça que não passa tentando entendê-la. Pode tomar um remédio sim, mas pergunte a essa dor de cabeça o que ela quer dizer pra você. Nosso corpo nos alerta todo o tempo. Sempre nos diz quando algo está errado. E quando vamos correndo tomar um remédio sem nem buscar ouvir o que o corpo tem a dizer, um dia ele pode se calar de vez. Precisamos aprender a nos escutar melhor. Para isso uma psicoterapia ajuda, mas isso não é porque o psicólogo irá saber mais de você do que você mesmo. Ela ajuda pois falando com outra pessoa (um profissional preparado é claro), você acaba se ouvindo melhor também. O psicólogo (ou analista) acaba sendo um espelho.

Há um porém nessa história. Às vezes gostamos de nossa dor. Apegamos-nos a ela e não queremos soltá-la mais. Aceitamos os rótulos que são impostos a nós (como já escrevi aqui anteriormente). Você NÃO É alguma doença, apenas está com ela. Achamos que se não tivermos essa dor (ou uma doença) não seremos mais vitimas, as pessoas não vão mais olhar para nós, ninguém irá nos valorizar.

Pois o valor maior quem nos dá, somos nós. Não podemos esperar isso de ninguém. E nosso maior aliado é nosso corpo. Ele fala por nós. O que não ouvimos do nosso inconsciente, ele expressa por meio de um sintoma. Para isso é preciso um desejo. Desejo real de mudança. E isso não é fácil, pois nem sempre estamos dispostos a largar velhos hábitos, posturas e atitudes. É preciso TRABALHAR nisso! O corpo pede trabalho!*

* Obs: Não entendam essa frase literalmente. Não quero dizer com isso que devemos dedicar exclusivamente ao trabalho (enquanto profissão). Digo trabalho em relação a produzir algo útil, no caso um melhor entendimento para o sintoma. Cuidado: ser Workaholic também é um sintoma!!