Mostrando postagens com marcador padrões familiares. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador padrões familiares. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de fevereiro de 2020

História de um casamento: O bom divórcio é possível?

Filme da Netflix candidato ao oscar de 2020 traz a reflexão: O Divórcio é um luto, mas pode ser vivido de forma mais leve de acordo com a postura de cada um.
Resultado de imagem para história de um casamento

O filme História de um casamento (Marriage Story, 2019) parece ser uma história de amor. E é! O divórcio é apenas uma consequência de atitudes inconscientes que vão sendo negligenciadas ao longo da relação. Nicole e Charlie são casados há um bom tempo e têm um filho desta relação. Parecem ser um casal perfeito e nisto também reside alguns perigos como os da projeção e idealização.

Ao longo do filme é nítido o carinho que ambos possuem um pelo outro, ao mesmo tempo, como o divórcio com os advogados em ação vai se construindo como uma luta de interesses e de quem está com a razão.

Este é o primeiro erro comum, achar quem está com a razão. Geralmente na visão de cada um, aliás como em qualquer casal, cada um acredita que o certo é o seu ponto de vista. Contudo, cada um traz formas de relacionar e atuar diante da vida de sua família de origem e pensar que existe um jeito certo é a receita para grandes discussões.

Quando nos unimos com o outro nos relacionamos com toda a história de origem dele, mesmo sem saber o que atua ali de forma oculta. Na grande maioria dos casais as brigas e conflitos tratam-se de emaranhados ou padrões trazidos da família de origem, onde um perde de vista quem realmente o outro é. A intenção não é justificar comportamentos um do outro como sendo certos ou errados. É preciso ampliar e reconhecer que cada um atua muitas vezes de forma inconsciente e que é preciso exercer uma escolha consciente diante disto.

Na visão sistêmica das constelações familiares, existe a lei do equilíbrio que rege os relacionamentos. A partir do entendimento dela percebemos que mais importante que amar demais é estar em equilíbrio de trocas em uma relação. Aliás, "dar demais", "amar demais", "dar tudo de si", geralmente é bem difícil de ser equilibrado e o outro que não consegue retribuir da mesma maneira se sente pressionado a sair da relação. Como ocorreu com o casal de protagonistas do filme. 

Muitas vezes quando ficamos conscientes dos conflitos que carregamos em nossa própria história ficamos um pouco mais livres para perceber a pessoa parceira. O objetivo de um relacionamento saudável não pode ser um tentando preencher as necessidades infantis do outro. Mesmo porque isso é tarefa impossível. A falta que fica, geralmente dos pais, nunca será preenchida por nada nem por ninguém mesmo que as tentativas sejam incansáveis.

Ao se tornar então consciente de suas própria faltas ou emaranhados em seu sistema familiar, é preciso reconhecer que o outro pode não acompanhar o mesmo processo. Então sempre há uma escolha. Concordar com o outro e o relacionamento da maneira que é e adequar a relação para o equilíbrio necessário, ou seguir em frente. E então, se a saída escolhida for o divórcio, é preciso  encará-lo como um luto, uma perda das idealizações feitas anteriormente em torno do casamento. Não há como passar por um divórcio sem dor. Reconhecer a sua dor e a dor do outro é um passo importante para um divórcio mais livre. E quando há filhos da relação, estar ciente que o casal se separa, mas os pais estarão sempre vinculados através da criança. Crianças não precisam sofrer com um divórcio. E se isso ocorre é porque, na maioria das vezes, os pais não conseguem separar as dores do casal da função parental que ocupam com os filhos. Brigas constantes e trocas de ofensas só geram mais sofrimento para a criança além de trazer uma vinculação negativa entre o casal que pode influenciar nas relações futuras.

Assim, para se ter um divórcio mais livre ou o bom divórcio, é necessário abrir mão da necessidade de estar com a razão e algumas vezes da posição de vítima da relação. Independente do que ocorreu, em algum momento houve amor e é isso que precisa ser honrado. Para seguir em frente com leveza torna-se necessário reconhecer que erros foram cometidos muitas vezes por questões sistêmicas ocultas que atuaram a nossa revelia, mas que o vínculo positivo pode se manter se o lugar do outro permanece como um registro de experiência e crescimento dentro da história de cada um.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

COMO SUPERAR UM CORAÇÃO PARTIDO?

Conheça ferramentas que ajudam a entender as questões inconscientes que prejudicam a relação

Resultado de imagem para coração partido

Proponho que você imagine a seguinte cena: você conhece aquela pessoa que acredita ser o amor da sua vida. Porém, de repente ele ou ela vai embora e você se depara com a solidão. Pode ficar um tempo sofrendo pela perda, com o coração partido. Então, você encontra de novo outro alguém que faz seu coração pulsar mais forte. Você, então, pensa: “Agora vai dar certo!”.

Mas como uma reprise de um filme antigo tudo se repete e novamente há a dor de uma separação e de estar novamente só. Se este filme voltará a se repetir outras vezes, depende apenas de você. É possível interromper a repetição ao tomar consciência de quem você realmente é, do que espera da pessoa parceira, e qual a sua forma de se relacionar.

Talvez precise olhar para a síndrome do coração partido para compreender os motivos que o levaram a sofrer tanto. Para isso, pode ser importante rever os padrões de relacionamento pelos quais você se guia, as relações em sua família de origem e quais aspectos inconscientes podem estar te impedindo de estar livre para um relacionamento e seguir em frente após uma separação. O trabalho é todo seu, mas há ferramentas que podem ajudar.

ANTES DO CORAÇÃO PARTIR

Todos querem saber como superar uma separação e seguir em frente. O que se esquece é a importância de compreender como tudo se desenrolou até o momento da ruptura. Se esta atitude não for tomada é provável que a situação se repita no próximo relacionamento e isto dificulta ainda mais seu processo de superação no futuro. Assim, apesar de toda a dor que gera um coração partido, é preciso sentar, avaliar e refletir sobre o que ocorreu.


Muitas vezes, a pessoa que se percebe como abandonada se sente como uma vítima, como se não tivesse nada que poderia ter sido feito para mudar. Contudo, é comum que este, na verdade, tenha sido quem provocou a ruptura do relacionamento, mesmo que não tenha tomado a atitude do término. É claro que esta é uma dinâmica inconsciente, um processo de autoconhecimento pode desvelar para a pessoa esta percepção.


É possível perceber quando um relacionamento está chegando ao fim. Normalmente, sente-se que algo não vai bem e, ainda assim, evita-se olhar para o problema e o assunto é evitado. Desta forma, não podemos dizer que seja surpresa quando tudo desmorona e o coração quebra junto. Há sinais a serem observados, inclusive em você mesmo. E se ainda assim você se sente a vítima, talvez seja a hora de se atentar para os detalhes, compreender melhor e tentar assimilar qual é o grande aprendizado que a situação traz.


SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO: COMO EVITAR?

Ninguém entra em um relacionamento sem trazer uma “bagagem”. Cada um carrega consigo as crenças e padrões relacionais adotados em sua família de origem. Exatamente por isso surgem os desafios. São pessoas distintas se relacionando, criadas de forma completamente diferente e que agora buscam compartilhar uma vida em comum.


As expectativas podem ser completamente irreais de um ou ambas as partes. Assim, é importante, após o primeiro momento no qual a paixão domina, ter a serenidade para olhar para o outro tal como ele é.


A tarefa é desafiante porque muitas vezes necessita-se da criação de um novo modelo de relacionamento, diferente da família de origem. Isso pode gerar uma culpa inconsciente de estar sendo desleal. Mas é assim que nasce um relacionamento real e duradouro.


COMO SUPERAR UMA SEPARAÇÃO?

Existem questões que interferem na intensidade da dor de um término. Se a cada fim de relação você sente que é o fim do mundo, talvez esteja chorando por algo do passado que ainda não foi superado. É importante avaliar o caminho percorrido nas relações afetivas.


Geralmente a ruptura com o primeiro grande amor é mais dolorosa. Pode acontecer de você, na ânsia de amenizar a dor, mergulhe em outra relação antes de superar a anterior. E assim, você passa a esperar do novo compromisso algo que na maioria das vezes é impossível de obter. Avalie, então, a intensidade do coração partido e veja se é proporcional ao ocorrido.


Aceite que o luto precisa existir. É importante viver a dor e não ignorá-la. Recolha-se por um tempo. Faça uma revisão de tudo o que ocorreu. Tente perceber quais padrões moveram você e a pessoa parceira, qual a responsabilidade de cada um em tudo o que ocorreu. Assumir a sua responsabilidade é parte essencial no processo de crescimento, afinal é a sua vida e são suas escolhas.


FERRAMENTAS QUE AJUDAM NA SUPERAÇÃO

Há algumas ferramentas que podem ajudar no processo, indico a união do Ho’oponopono com a EFT (Emotional Freedom Thecniques), que ajudam a entender a origem da dor. Os pontos da EFT – técnica que utiliza as pontas dos dedos para estimular partes específicas do corpo – podem ajudar você a se lembrar de alguma etapa anterior de sua vida na qual também se machucou. Ao identificar a raiz da dor, permita-se liberá-la do seu inconsciente.

Se é a primeira vez que se depara com o coração partido, utilize a EFT para expor todo o sentimento presente na situação. Associe com o Ho’oponopono utilizando as quatro frases – sinto muito, me perdoe, eu te amo e obrigado – para cada aspecto da situação que percebe como negativo. Assim, você pode liberar toda a dor sem deixar nada pra trás e seguir em frente.


SEGUINDO EM FRENTE

Apesar do sofrimento, é possível continuar na mesma relação mesmo que o outro tenha partido seu coração. Faça um balanço para compreender o processo e perceber se havia expectativas irreais quanto ao relacionamento. Tente perceber se é você que não quer continuar e está apenas buscando uma saída sem sentir-se culpado. O mais importante é buscar a conexão com nosso eu verdadeiro. Conecte-se com a real intenção de perceber a dinâmica inconsciente por trás do ocorrido.

Talvez você se decepcione algumas vezes mais ao longo de sua vida afetiva.

LEMBRE-SE QUE A FRUSTRAÇÃO É SEMPRE DO TAMANHO DA EXPECTATIVA DE CADA UM.

Algumas vezes o outro não terá como oferecer o que você espera. Mesmo porque algumas necessidades que são levadas ao relacionamento afetivo advém da relação com os pais, por exemplo. Pode ser que você esteja esperando que a pessoa parceira preencha necessidades advindas de suas relações familiares.

Entrar em um relacionamento com questões anteriores mal resolvidas, talvez até de forma inconsciente, pode prejudicar bastante a relação e levar ao término. Afinal, ninguém é capaz de preencher as necessidades do outro. Cabe a você o trabalho de olhar para dentro e compreender as forças inconscientes que estão guiando suas escolhas. Aproprie-se de quem você é, daquilo que falta e o que você busca nas relações. Somente assim é possível ter maturidade nas escolhas e expectativas realistas em relação ao outro.

Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/como-superar-um-coracao-partido-m42810 (23/02/2019)

Nasce uma Estrela: reflexões sobre o equilíbrio entre dar e receber


Resenha sobre filme indicado ao Oscar faz ligação entre a relação dos personagens e as leis da Constelação Familiar


Resultado de imagem para filme nasce uma estrela

Nasce uma Estrela” ganhou sua quarta versão em 2018. O filme, elogiado pelo público e crítica, é estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper. Com um enredo consistente e profundo, trata de assuntos delicados de forma sensível e. No decorrer da história, é possível perceber como o contexto familiar é responsável por criar movimentos que interferem na vida e nos relacionamentos dos personagens.

O filme poderia ser definido como a jovem talentosa que conhece um músico famoso e decadente. Eles se apaixonam instantaneamente e ele é responsável por lançá-la ao estrelato. Mas, nesta versão mais recente, esse resumo não comportaria a grandeza que as relações familiares são tratadas.

O filme propõe algumas reflexões sob a ótica da constelação familiar, como a Lei do Equilíbrio entre dar receber.


A terceira Lei Sistêmica de Bert Hellinger: o equilíbrio entre o dar e receber


Bert Hellinger é o criador dasAs Leis Sistêmicas, propostas por Bert Hellinger são ordens que assumem um papel fundamental no equilíbrio das relações familiares. Hellinger, psicoterapeuta alemão que desenvolveu a teoria da Constelação Familiar, percebeu como esta lei atua nas relações amorosas ou em qualquer relação entre iguais. Quando não existe hierarquia dentro da relação (como ocorre entre pais e filhos, por exemplo) a lei do equilíbrio atua como balizadora entre dar e receber. Essa ordem faz com que as relações fluam de maneira saudável e satisfatória para ambos.

No filme “Nasce Uma Estrela”, é possível perceber como este equilíbrio começa a atuar para depois desaparecer, algo que é comum nos relacionamentos da vida real.

A personagem de Lady Gaga, Ally, conhece o cantor famoso Jackson Maine e eles logo se apaixonam. A princípio, Jackson oferece muito mais do que Ally pode retribuir, e lança a carreira da jovem, que se transforma em uma cantora reconhecida.

Durante o relacionamento, a dependência química de Jackson se intensifica e Ally, por sua vez, pode retribuir e cuidar do cantor quando o vício começa a afastá-lo dos palcos.

Em um dado momento, por conta da sua doença, Jackson não mais pode se doar para a“dar” na relação, e passa apenas a receber os cuidados de Ally. A crise maior se instala na vida do casal, quando ele se dá conta que sua parceira é capaz de abrir mão da própria carreira para apoiar o cantor.

O emaranhado na família de origem de Jackson Maine

Em diversos momentos do filme, o personagem interpretado por Bradley Cooper faz revelações sobre problemas e dramas familiares: uma mãe que morreu durante o parto e um pai alcoólatra, já são elementos suficientes para compor uma dinâmica familiar densa, que contribui para o fracasso do cantor.

Esta dinâmica pode ser explicada pelas duas outras Leis da Constelação Familiar: o Pertencimento e a Ordem/Hierarquia.

A Lei do Pertencimento

Essa lei determina que todos têm direito ao pertencimento, independentemente de suas ações. Caso alguém seja excluído, todo o sistema se desestabiliza e, geralmente, alguém precisa expiar a exclusão, ou seja, pode entrar em algum processo inconsciente de autossabotagem que o levará rumo ao fracasso. Esta seria uma maneira de incluir novamente aquilo que foi excluído do sistema familiar.

Assim, tanto a morte precoce da mãe, como o vício do pai do personagem Jackson, representam fatos que são comumente excluído em diversas famílias, já que são situações que geram dor e sofrimento.


A Lei da Hierarquia

Já a lei da hierarquia determina que quem chega antes ao sistema tem prioridade. Ou seja: é preciso honrar e respeitar aqueles que chegaram primeiro.

No filme, esta lei é violada. Em vários momentos, o cantor critica e julga o falecido pai por seus atos. Além disso, parece repetir a mesma dinâmica com o irmão mais velho. Esse comportamento é considerado como uma deslealdade ao sistema e, de forma inconsciente, a compensação ocorrerá de alguma forma.

O cantor se iguala ao pai em seu vício, o que pode ser entendido como uma forma de compensar essa deslealdade, se tornando igual a quem tanto criticou.

Culpa inconsciente

Ao analisar toda a dinâmica familiar que atuava sobre Jackson Maine, seria possível dizer que sua relação com Ally tendia ao fracasso. Nas versões anteriores do filme, talvez isso não fique tão evidente.

O fato de sua parceira ascender na carreira de forma meteórica não foi o que causou sua destruição. E sim, a dinâmica pela qual ele já estava envolvido e, infelizmente, não conseguiu perceber de forma consciente.

A culpa inconsciente por prosperar e viver de forma plena, enquanto os pais fracassaram ou morreram cedo demais, acompanha a vida de Jackson.

Assim, só o que restou ao cantor foi seguir o destino deles, de forma cega, por amor e lealdade.

O filme provoca uma intensa reflexão sobre as relações afetivas quando as leis sistêmicas são desrespeitadas. Fora isso, também nos mostra como os padrões familiares podem se repetir devido às lealdades inconscientes.

Desde que nascemos, nossa estrutura familiar exerce uma influência enorme em nossas crenças, gatilhos e comportamentos.

A Constelação Familiar acredita que somos regidos pelas ordens do amor e devemos honrar e reverenciar nossos ancestrais. Assim, para que a vida flua com leveza é preciso respeitar a hierarquia. Para isso, é importante perceber o equilíbrio de troca nas relações e não excluir nada nem ninguém, pois todos têm direito a pertencer.

Quando encaramos todas as situações ou questões que despertaram sofrimento, podemos desenvolver uma nova ótica sobre esses episódios e passamos a perceber alguns fatos e episódios com mais amor e cuidado.

Dessa forma, é possível ressignificar traumas e colocar em ordem uma série de questões que nos travam e nos causam sofrimento. Então, talvez um destino traçado de forma trágica possa ser alterado, desde que antes possamos reconhecê-lo e aceitá-lo tal como é.

Artigo originalmente publicado em https://www.personare.com.br/nasce-uma-estrela-reflexoes-sobre-o-equilibrio-entre-dar-e-receber-m42697 (21/02/2019)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Você vive se sentindo culpado? Saber origem da culpa evita autopunição

Aprenda a lidar com esse sentimento e resgate sua autoestima. Às vezes é preciso ajuda para se libertar

por Maria Cristina


Um dos grandes obstáculos para ter uma autoestima saudável é o sentimento de culpa, que pode causar angústia e impedir o avanço em direção aos seus objetivos. Sentir culpa é natural, mas geralmente há uma força inconsciente por trás. 

As culpas imaginárias e transgeracionais (transmitidas através de gerações da família) são as mais perigosas pois podem prejudicar aos poucos nossa autoestima e causar sentimentos de angústia e tristezas intensas. É necessário compreender esse sentimento e entender como ele surgiu, para buscar soluções e maneiras positivas de lidar com ele.

De onde vem o sentimento da culpa?

É necessário prestar atenção quando a culpa vem à tona e fazer algumas perguntas: 

Algo foi feito efetivamente para gerar este sentimento? 
Um fato ocorreu e alguém foi prejudicado? Ou é o seu próprio julgamento que lhe condena? 
Há um motivo para a culpa ou é simplesmente um sentimento com o qual você convive na maior parte do tempo?


Como resolver o sentimento da culpa

A culpa mais fácil de resolver é a concreta, que surge a partir de algum ato cometido. Neste caso, mesmo que seja doloroso, é uma oportunidade de aprender e melhorar a autoestima. Para isso é preciso ter integridade e reconhecer o erro cometido. Caso alguém tenha sido prejudicado, faça algo para reparar ou minimizar os danos. Procure entender os motivos que te levaram a agir desta maneira, aceite e reconheça a sua responsabilidade. Então se comprometa a estar mais consciente daquele comportamento e não permitir que se repita. 

Essas atitudes aumentam a autoestima, pois nos responsabilizamos pelos erros e aprendemos com ele. Em contrapartida, não reconhecer e ficar apenas no papel de culpada (o)s, tende a paralisar você e impedir que a mudança e o crescimento ocorram. Ficar constantemente se desculpando sem rever as atitudes prejudica tanto a autoestima, quanto sua evolução pessoal. 


O que fazer quando não souber identificar a origem da culpa

As culpas que são presentes de uma maneira constante em nossas vidas podem ser derivadas de crimes imaginários, aquilo que acreditamos ter cometido em algum momento. Elas estão presentes no inconsciente e com isso fica mais difícil de identificar sua origem, já que qualquer fato cotidiano pode ativá-las. Contudo, se procurarmos ir mais fundo no processo de autoconhecimento, podemos achar o estopim deste sentimento que representa uma autopunição.

Segundo os doutores Lewis Engel e Tom Ferguson autores do livro “Seis Crimes Imaginários”, existem algumas formas de culpas ocultas que podem gerar algum processo de autopunição ou autossabotagem. Abaixo, explico melhor sobre os crimes imaginários abordados por eles:

Crime de suplantar

Ocorre quando alguém se sente culpado inconscientemente por ir além da sua família, ou seja, é bem sucedido em alguma área que os pais e/ou irmãos não foram.

Crime de sobrecarregar

Ocorre quando alguém pode carregar sentimentos que foram um peso para a família, devido a alguma doença, deficiência, ou até maneira de ser. Estas pessoas podem ter ouvido de maneira constante quando crianças que só davam trabalho e causavam transtornos.

Crime de roubar amor

Gera culpa inconsciente naqueles que foram mais destacados que seus irmãos ou mais valorizados por um dos pais. Estas pessoas podem sentir que receberam mais atenção e cuidados, por qualquer razão, e com isso os outros tiveram menos afeto. Aqui podemos incluir o crime do sobrevivente. Se um pai ou irmão morre, podemos sentir culpa por estarmos vivos ou sentir que fomos responsáveis pela sua morte (muito comum em adultos que perderam pais ou irmãos quando eram crianças).

Crime de abandono

Pode surgir quando saímos da casa dos pais ou mudamos de país para viver uma vida mais independente. Se os pais ficam tristes e infelizes com a ausência, a culpa pode se instalar de forma inconsciente.

Crime da maldade básica

Diz respeito a inúmeras mensagens negativas ou negligência que foram vivenciadas na infância que futuramente faz o adulto acreditar que é mal apenas por existir.

O crime de deslealdade

Cometido quando criticamos duramente os pais, desrespeitarmos regras familiares ou rejeitamos algo importante para a família como a religião, profissão ou estilo de vida. De certa forma todos os outros crimes também dizem respeito a uma lealdade familiar invisível.

A culpa oculta gerada por cada um destes crimes pode nos prejudicar em diversas áreas da vida, gerando algum tipo de autopunição que prejudica nosso sucesso, intimidade, prazer, espiritualidade ou vida social. A autossabotagem que se repete muitas vezes em determinada área pode estar relacionada a essa punição que nos infringimos por algum crime imaginário.

Reconhecer nossa atitude aqui e agora para ir além

Calma! Se chegou até aqui e se identificou com todos os crimes, não se desespere nem se culpe mais ainda, há solução!

Antes de qualquer coisa, se pergunte se não está se apegando a culpa. Você pode se perguntar: porque alguém faria isso? Se simplesmente nos denominamos culpados por tudo, isso gera passividade e imprime a impressão de que não precisamos fazer nada para ir além. Você envia a mensagem: “Não espere nada de mim”, e assim não se desafia a ser diferente. Esta postura prejudica nossa autoestima que tende a ser baixa a medida que vamos acumulando culpas e mais culpas em nossa conta interna. 

O melhor a fazer é reconhecer e se responsabilizar pelos erros cometidos. Talvez seja possível reparação, ou não. O mais importante é o desejo de ir além. Liberar as culpas que não nos pertencem é o grande desafio.

Precisamos aprender a dialogar com nosso inconsciente. Nós temos a sabedoria interna que pode nos absolver de todos estes crimes. Faz parte do processo de autoconhecimento, que deve ser constante. Um bom exercício para fazer é escrever. Ter um diário e começar a registrar seus sentimentos. Com isso, você começa a se apropriar e a reconhecer cada situação do passado que pode lhe assombrar. 

Outro exercício é fazer duas listas, uma de objetivos, o que deseja para cada área de sua vida, e outra de obstáculos, o que acha que te impede de conseguir tudo isso que listou. Nesta segunda lista devem aparecer as crenças que te limitam, que provocam autopunição e lhe impedem de avançar. É muito importante não negar nada, por pior que pareça. 

O primeiro passo para que seja possível mudar algo é reconhecer e aceitar que existe. A medida que você aceita e até concorda com a culpa tal como é, pode assumir uma postura de adulto e está pronto para lidar com ela e suas consequências. Contudo, se a culpa for muito oculta talvez seja necessária a ajuda de um profissional para lhe ajudar a cavar mais fundo.

O que é a culpa transgeracional?

A culpa transgeracional pode ser transmitida até quatro gerações, e em alguns casos, apenas com um estudo mais profundo da genealogia (árvore genealógica mais simbólica) é que será possível trazer à consciência as causas da autopunição. A ideia é que possamos estar mais conscientes dos sentimentos no momento presente para ampliar nossa capacidade de autopercepção e não mais sermos dirigidos por fantasmas do passado e condenados por crimes imaginários. Isso sim é libertador!


Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/voce-vive-se-sentindo-culpado-saber-origem-da-culpa-evita-autopunicao-m40856
Publicado aqui com pequenas alterações.


sábado, 17 de fevereiro de 2018

VIVA - A VIDA É UMA FESTA: QUANDO PERTENCER É MAIS IMPORTANTE QUE UM SONHO

Para avançar, às vezes precisamos revisitar o nosso passado

Resultado de imagem para imagem viva a vida é uma festa

O garoto Miguel tem um sonho muito simples: ser músico. Contudo, ele nasce numa família na qual a música foi banida devido a uma ocorrência do passado. Seguir a música é uma ofensa e vai contra toda uma geração familiar. O garoto de apenas 12 anos deve escolher entre romper a tradição familiar e deixar um grande sonho de lado.

Este é o pano de fundo desta nova animação da Pixar, candidata ao Oscar 2018 como melhor longa de animação. "Viva - A vida é uma festa" (Ou Coco, no nome original em inglês), aborda com sensibilidade e bom humor grandes questões familiares. A animação ajuda a refletir como a exclusão de um membro da família pode repercutir em futuras gerações, gerando impasses quanto a pertencer ao grupo, sendo leal às tradições, ou construir seu próprio caminho, correndo o risco de ser banido do sistema familiar.

SEGUIR O SONHO OU A TRADIÇÃO?

A tradição da família de Miguel é fazer sapatos. É assim com sua mãe, sua avó e foi assim com sua bisavó e tataravó - quem começou esta longa tradição. Contudo, este padrão tem sua origem a partir de uma grande perda, o que torna a tradição praticamente uma maldição. Assim como na animação, podemos nos deparar com impasses em algum momento de nossa existência dentro de nossas próprias famílias.

Questões como seguir a mesma profissão dos pais ou escolher algo diferente e assumir a empresa da família ou abrir o próprio negócio são comuns. Talvez, nossos familiares não sejam tão intensos como os de Miguel, a ponto de fazer de tudo para manter a tradição. Mas, inconscientemente, podemos sentir esta cobrança sobre nós.

A decisão de seguir ou não o sonho é um trabalho interno. Racionalmente, podemos estar bem resolvidos com a questão, mas o registro no inconsciente é de que a tradição deve ser seguida. Alguns processos de autossabotagem podem nos impedir de ir contra esse sistema familiar. Afinal, negando a tradição, se é excluído do grupo.

PERTENCER AO INVÉS DE SEGUIR EM FRENTE

Todos querem pertencer. Está é uma das leis do método de terapia Constelação Familiar. O pertencimento é a base da lealdade familiar. Ou seja, eu desejo pertencer ao meu sistema familiar e, de forma inconsciente ou não, serei leal aos padrões familiares custe o que custar, mesmo que custe caro. Muito sofrimento e sintomas podem ser gerados a partir de destas lealdades invisíveis.

Como nosso protagonista Miguel, que é um grande talento musical e sofre por estar sozinho e ter que esconder-se da família. O menino, inclusive, arca com as consequências da maldição de sair dos padrões, mas sempre na tentativa de obter o apoio da família. Um erro comum é querer romper com a família para ter a autonomia tão desejada, pois é uma ação que pode ter efeitos opostos para as futuras gerações.

EXCLUIR ALGUÉM PREJUDICA TODA A FAMÍLIA

Miguel tinha um tataravô músico que foi banido do sistema. Independente do motivo que causou sua exclusão, este fato repercute nas gerações futuras até chegar ao protagonista. Ele é quem vai tentar, de alguma maneira, dar voz ao tataravô excluído.

Neste aspecto, o filme faz um paralelo ao que ocorre na vida real. As crianças muitas vezes são um porta-voz do sistema. Elas podem manifestar sintomas ou comportamentos diferentes como uma maneira de trazer à tona aqueles que foram excluídos no passado. Não só as crianças, como qualquer membro da família, pode estar vivenciando a dor de um excluído do passado sem saber o que está ocorrendo.

O grande problema é que isso tudo é inconsciente. Dificilmente nós olhamos para o passado para encontrar a solução para algo que ocorre aqui e agora. Muitas vezes, este olhar de inclusão é suficiente para alterar todo um sistema disfuncional. O inconsciente familiar tem grande força e membros dessa família que foram excluídos podem ficar como fantasmas, tentando serem vistos. Afinal, eles também querem pertencer.

PERTENCER E SER DESLEAL AO SISTEMA

O garoto Miguel não desiste facilmente de seu grande sonho. Seu maior desafio, entretanto, é encontrar algo, ou alguém, que o ligue à família, que o faça continuar pertencendo ao grupo, mesmo quebrando uma antiga tradição que é fazer sapatos.

Essa é uma boa dica para nos mantermos ligados ao grupo familiar: "constelar" nossos sentimentos e angústias. Ao fazer a terapia de constelações familiares podemos obter informações do inconsciente em busca de conexões com os familiares ou antepassados. Muitas vezes bastará um ato simbólico ou uma conversa com algum familiar que traga revelações do passado, junto a outras elaborações em processo terapêutico, para trazer um alívio e um retorno do sentimento de pertencimento.

Muitas vezes, quando investigamos gerações anteriores em nossa família, encontramos, aquele algo que nos faltava e que nos fazia ser tão diferente. E, mesmo que isto não ocorra, é possível pertencer mesmo sendo desleal há alguns padrões. Caso contrário, também privamos as futuras gerações de fazerem novas escolhas.

A lealdade aos pais, avôs e parentes é uma construção do inconsciente. Da mesma forma que incluir alguém de novo no sistema não significa concordar ou perdoar as suas atitudes. Ser desleal aos antigos padrões pode significar uma lealdade consigo mesmo e com as futuras gerações, desde que você não se exclua da família.

Assim, esta bela animação pode nos fazer refletir sobre os sonhos esquecidos ou deixados de lado. Muitas vezes, ficamos procurando as soluções no futuro, mas basta um olhar mais apurado para o passado para entendermos melhor o que nos impede de avançar. Parece que a magia do cinema está mais perto do que imaginamos.


Texto originalmente publicado em Personare

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ho'oponopono para seus filhos: Um método de Cura

Prática limpa bloqueios inconscientes dos pais, que são refletidos nas crianças

Resultado de imagem para imagem pais e filhos

Quando nos tornamos pais adentramos por um caminho totalmente novo e desafiante. Cada novo dia diante deste papel adquirido pode ser uma oportunidade para nosso próprio autoconhecimento. Sim, os filhos têm este poder. De serem espelhos de comportamentos, sentimentos e atitudes que estão fora de nossa consciência.

FILHOS DÃO OPORTUNIDADE DE ENCARARMOS MONSTROS ADORMECIDOS

É muito comum pais de primeira viagem cercarem-se de livros e opiniões de especialistas para tentarem educar as crianças da melhor maneira. Criamos expectativas para todos os filhos, mas é claro e natural que o primeiro vem um pouco mais carregado delas. Tudo que trazemos em nosso próprio papel de filho e a ideia que fazemos de nossos pais influenciarão nesta nova relação.

E geralmente percebemos apenas dois caminhos: o que eu já sei sobre filhos baseado em minhas próprias vivencias familiares, ou tudo o que os outros sabem sobre a melhor maneira de criar filhos.

Então, à medida que a relação com nosso filho vai se desenvolvendo, percebemos que o primeiro caminho se sobrepõe a todos os outros. Ou seja, será inevitável eu agir conforme minha própria experiência, independente de todos os manuais. E ao contrário do que nosso imaginário acredita, essa relação é construída dia a dia.

O fato de sermos influenciados por nossos padrões familiares não necessariamente será algo ruim ou negativo. A verdade é que os filhos são uma ótima oportunidade para encararmos aquele monstro há muito tempo escondido e adormecido. Eles são aqueles que denunciarão, na maioria das vezes de maneira implícita e não verbal, que algo não vai bem no âmbito familiar. Em terapia de família é muito comum a criança aparecer como o problema e, no decorrer do processo, as questões do inconsciente familiar irem se revelando.

ATÉ 7 ANOS, CRIANÇAS REFLETEM COMPORTAMENTOS INCONSCIENTES DOS PAIS

Os filhos, principalmente até os 7 anos, percebem aquilo que transmitimos em nível inconsciente, implicitamente, mais do que explicitamente. Ou seja, o que você faz é mais importante do que o que você diz.

E geralmente até esta idade isso se manifestará nas crianças, na grande maioria das vezes, através de sintomas. Mas, mesmo após a primeira infância, os filhos continuam sinalizando algumas questões desafiantes que seus pais vivenciam.

Assim, como um exemplo, poderíamos pensar em alguém que traz a queixa de ter um filho mesquinho, teimoso ou birrento. Ampliando o olhar para os pais, poderíamos refletir sobre o quanto são presos às suas ideias, seus bens e pertences, suas verdades e dogmas. Claro que é só uma hipótese, mas a ideia é fazer refletir sobre o comportamento fazendo parte de um contexto familiar, e não como o problema de uma única pessoa ou da personalidade dela.

Em relação aos sintomas físicos, principalmente nas crianças pequenas, seria praticamente a mesma leitura, como se aquele sintoma fosse nos próprios pais. Se você tem o hábito de se perguntar, pesquisar e procurar entender o que um sintoma específico traz de recado do inconsciente para você, então, a ideia é fazer o mesmo para o sintoma do filho. Assim, por exemplo, se os pais vivenciam uma grande instabilidade emocional com brigas constantes, a criança pode vomitar, já que não consegue entender (ou digerir) bem o que está acontecendo ao seu redor.

HO'OPONOPONO PARA SEUS FILHOS: UMA FERRAMENTA DE CURA

Uma ótima ferramenta que pode lhe ajudar neste trabalho é o Ho'oponopono. Este método utilizado para limpar crenças limitantes, padrões de autossabotagem, bloqueios e todo tipo de memória negativa que carregamos ao longo de nossa vida, lhe ajudará a se autoconhecer e conhecer melhor seu filho.

Quando usamos as 4 frases do Ho'oponopono - Eu te Amo. Sinto Muito. Me perdoe. Sou grato(a) - limpamos ou purificamos todo e qualquer sentimento, comportamento, crença e sintoma relacionado à situação que nos causa desconforto.

Por exemplo, um filho doente causa bastante desconforto. Então, se os pais começam a limpar suas próprias memórias, isso pode ser influenciado positivamente na criança. Como os próprios pais estão olhando para suas questões inconscientes, que surgem como estas memórias e limpam-nas, as crianças não precisarão mais manifestar os sintomas para que os progenitores percebam estas memórias.

COMO PRATICAR O HO'OPONOPONO COM OS FILHOS?

Lembrem-se: as memórias surgem para serem libertadas. E as crianças fazem isso por nós, pois as memórias atuam através delas. Assim, ao identificar isto, comece a limpá-las, falando as seguintes frases para si mesmo: "Eu sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grata(o)".

As frases podem ser ditas em silêncio ou voz alta. Não precisa falar diretamente para as crianças, mas, se sentir-se à vontade, pode fazê-lo também.

E mesmo se não houver nenhum sintoma em seus filhos, aplique o Ho'oponopono constantemente. Não há um número de vezes indicado, nem prazo. A ideia do método é que como temos muitas memórias acumuladas, a limpeza deve ser constante ou sempre que algo nos causar desconforto. Não precisamos esperar que elas se manifestem externamente para limpá-las. Elas já estão atuando a todo momento em nossas vidas. Manter a limpeza constante nos ajuda a trazer as memórias para a consciência e, com isso, é possível evitar que se manifestem como sintomas.

MINHA EXPERIÊNCIA COM O HO'OPONOPONO

 Sempre olhei para os sintomas de minhas duas filhas de forma simbólica, sabendo que elas expressavam algo do meu inconsciente. Quando incluí o Ho'oponopono na minha rotina diária, percebi que tinha nas mãos uma ótima ferramenta para lidar com a angústia da falta de controle de como meu inconsciente se manifestava nelas.

Como a ideia principal desta metodologia é assumir 100% da responsabilidade, a única coisa a ser feita, mesmo em relação aos sintomas das crianças é limpá-los!Nem sempre o sintoma some magicamente, mas em algumas ocasiões eles podem, sim, simplesmente desaparecer.

O que costumo fazer é compreender o que aquele sintoma pode estar sinalizando, como se fosse em mim mesma. As tosses, por exemplo, têm muita relação com algo externo que me incomoda e evito (ou não consigo) expressar verbalmente o desconforto que aquela situação ou pessoa me causou.

Assim, tossir é uma forma de expelir algo que traz desconforto. Então, neste caso, se este for o sintoma de minhas filhas, me pergunto de onde vem esta dificuldade em mim. E começo a purificar a situação.

Tenho notado que geralmente elas estão envolvidas na situação que causou o desconforto, mesmo que indiretamente. Também faço Ho'oponopono para a tosse e quaisquer sintomas relacionados, falando para minhas filhas as quatro frases. Sempre quando posso falo em voz alta para elas, pois assim também vão aprendendo.

Mas é bom esclarecer que de maneira alguma eu faço o Ho'oponopono visando a cura delas. Afinal, o único objetivo deste método é limpar memórias e nos trazer a paz e unificação com o Todo. Contudo, liberando as memórias em mim, também libero nelas.

PRÁTICA NÃO DEVE TRAZER CULPA AOS PAIS


A ideia de começar a prestar atenção nos sintomas e comportamentos dos filhos e como eles refletem suas próprias questões, não é para trazer mais culpa aos pais, que já é um sentimento tão comum. É simplesmente para ampliarmos o olhar sobre nós mesmos, termos a oportunidade de revisitar nossa história, emendar os fios partidos pelo caminho e fazermos uma reconstrução de quem somos verdadeiramente. Aliás, a culpa é uma baita memória, já limpou ela hoje? Culpa, sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata!

Artigo originalmente publicado em Personare

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Tartarugas podem voar!! Como ser você mesma de forma mais plena e feliz!


Vocês conhecem ou já ouviram falar de um conto famoso do Rubem Alves chamado A libélula e a Tartaruga. Nesta história a libélula e a tartaruga conversam sobre as vantagens e desvantagens de ser leve ou pesada. O conto é facilmente encontrado na internet e o desfecho talvez seja até bem previsível. Enfim, é melhor viver a vida com leveza mesmo correndo mais riscos, ou carregar o peso de viver em uma zona de conforto e apenas se proteger das dificuldades da vida?

Fiquei um bom tempo da minha vida me achando tartaruga. Trabalho com padrões familiares e claro percebia o quanto eu tinha todos os meus antepassados tartarugas antes de mim, e como eu poderia ser diferente? Então mesmo que me esforçasse e estivesse constantemente no meu processo de autoconhecimento, encontrar minhas crenças e padrões limitantes, ainda me esbarrava na minha história. Sou de uma linhagem de tartarugas e não posso ser diferente.

Mas não desisti. Continuei entrando mais e mais na minha história, acessando minhas memórias e crenças limitantes. Foi então que veio um sintoma que me fez parar para ouvir meu corpo. Porque os sintomas são as sirenes, os alarmes do corpo de que precisamos parar de evitar ou fugir de alguma questão importante para nosso amadurecimento. Conheci então a primeira ferramenta fantástica que me ajudou muito neste processo. A EFT.

EFT (emotional freedom techniques) ou acupuntura sem agulhas como é mais conhecida, é uma técnica que tem como objetivo reestabelecer o equilíbrio energético que geralmente é o causador de sintomas e doenças. Além disso, ela ajuda a trazer a tona, sentimentos, sensações e memórias relacionadas ao sintoma. Assim, é possível fazer uma ressignificação e limpar a carga negativa que a memória ou evento contém e que vai gerando as repetições e as crenças que nos limitam ao longo de nossa história.

A eficácia da EFT é impressionante. E por ser simples e permitir uma autoaplicação torna-se uma ferramenta importante para conseguirmos eliminar nossas crenças limitantes e pensamentos negativos que muitas vezes moldam nossa forma de viver a vida e encarar os desafios. Como já tenho uma experiencia tanto na clínica, quanto no meu próprio processo de autoconhecimento, que nunca termina, uso e abuso desta técnica.

Mas precisei de uma outra ferramenta que, ao meu ver, é tão essencial quanto a EFT no meu processo. O Ho’oponopono uma oração de cura havaiana que consiste em dizer quatro frases continuamente, se alia perfeitamente com a ideia da EFT e nos auxiliar a limpar e purificar memórias do passado. O Ho’oponopono parte do princípio que somos guiados por milhares de memórias negativas que vão apenas se reproduzindo em nossa vida de forma inconsciente. O objetivo é limpar e purificar todas as memórias até chegarmos ao nosso estado inicial que é de puro amor.

Utilizando as duas ferramentas juntas é possível limpar nossas memórias negativas, ressignificar eventos negativos do passado, eliminar crenças limitantes e principalmente descobrir nosso autoamor e o quanto somos únicos e especiais! Vamos percebendo que somos 100% responsáveis por nossa vida e podemos fazer dela o que desejarmos! Aceitamos quem somos, nossa luz, e paramos de delegar ao que está externo nossa felicidade! Tudo parte de nossa percepção e de como nós reagimos diante dos eventos, sentimentos e pessoas, então se há algo a ser mudado é em nós mesmos!


Assim, descobri o que precisava para ficar em paz comigo mesma. Com estas duas ferramentas percebi que o meu objetivo não podia ser me transformar em Libélula! Mas sim aceitar quem eu sou realmente, a Tartaruga. E que não importa quem somos e de onde viemos, mas sim o que fazemos com tudo isso, o significado que damos para tudo que nos representa. Então sim, podemos ser e fazer o que quisermos, apenas aceitando quem somos realmente! E aí descobri o que foi libertador: Tartarugas também podem voar!!!

Originalmente publicado em Personare (Postado aqui com adaptações)

sábado, 27 de maio de 2017

Síndrome de aniversário: quando datas significativas se repetem na família

Repetição de datas não é coincidência e transmite importante mensagem


Você percebe que na sua família costuma ocorrer algum acontecimento traumático relevante, mais de uma vez, ao longo de gerações? Ou, ainda, que datas de eventos distintos se repetem, tal como o nascimento de uma criança no mesmo dia da morte da avó deste bebê? Pode ser, também, uma mesma data de óbito que se repete no sistema familiar; pessoas que falecem com a mesma idade ou doença; acidentes em dias bem próximos, etc. Segundo um conceito bem intrigante que a psicóloga Anne Ancelin Schutzenberger traz, chamado Síndrome de Aniversário, isso pode não ser coincidência. A especialista verificou em sua própria família, e posteriormente confirmou com anos de estudo em clínica, que eventualmente datas significativas se repetem ao longo das gerações. 

O poder do inconsciente na sua vida 

A prática clínica e o meu próprio processo de autoconhecimento têm me ensinado muito a respeito do poder do inconsciente. Este algo que não está dentro de lugar algum e, ao mesmo tempo, nos toma por completo. Alguns especialistas dizem que somos 95% de mente inconsciente e apenas 5% de mente consciente. E podemos constatar este fato facilmente se pensarmos em nosso cotidiano, como aquelas atitudes e comportamentos que nomeamos de mecânicos e fazemos “sem perceber”. 

E a questão principal, mesmo que não acredite nela, é que você está sendo direcionado pelo seu inconsciente durante grande parte da sua vida. Nossa dinâmica familiar nos revela e oferece a oportunidade de tornar conscientes muitos comportamentos, sentimentos e atitudes que vão se perpetuando e se repetindo a nossa revelia. Somos movidos pela lealdade familiar inconsciente e a Síndrome de Aniversário também pode ser uma maneira desta lealdade invisível atuar. Já expliquei um pouco mais aqui, sobre como as crises familiares se perpetuam por gerações. http://www.personare.com.br/como-as-crises-familiares-se-perpetuam-por-geracoes-m6105 (coloquei o link aqui para vc direcionar) Segundo Schutzenberger, “o inconsciente tem boa memória, ao que parece; ama os laços de família e assinala os eventos importantes do ciclo de vida, pela repetição de datas ou idade”

Um bom exercício para saber se a Síndrome de Aniversário se faz presente para você, é fazer uma lista de datas de infortúnios ou acidentes graves ocorridos na sua família e fazer a pergunta: esses eventos se repetem em mais gerações? Talvez você encontre algum óbito, acidente ou infortúnio na mesma data (ou mesmo uma data próxima) a aniversários de nascimento ou casamento. Neste caso, um evento positivo pode estar relacionado a um evento estressante ou traumático para trazer à tona alguma questão que precisa ser revista.

Repetição de datas simboliza chance de dar um novo significado a uma ação ou sentimento

A repetição é uma forma de compreendermos aquilo que não foi assimilado no passado - por nós ou pelos familiares. Perceber uma repetição de datas relevantes pode significar simplesmente uma chance de dar um novo significado para uma ação ou sentimento. 

Para ilustrar, podemos pensar em quantas crianças nascem no dia do aniversário de vida ou morte de uma avó ou avô, por exemplo. E não necessariamente precisa ser no dia exato, mesmo uma data próxima já pode sinalizar alguma ligação entre a mãe e sua própria mãe/pai. Pode parecer estranho, a princípio, pensar que a data de um nascimento, a qual não temos controle na maioria das vezes, pode estar relacionada com algo do passado, mas é exatamente assim que age o inconsciente. E o inconsciente familiar é ainda mais poderoso, pois traz memórias de várias gerações. E mesmo quando planejamos conscientemente a data, pode ser que ela tenha relação com algum evento de duas gerações anteriores a nossa e nem sabíamos conscientemente disto. Mas o inconsciente sabe! 

Talvez identifiquemos a repetição de uma data e, por não ser algo relevante a priori, pensamos ser apenas uma coincidência. Como no exemplo citado, do caso do nascimento da criança no mesmo dia do aniversário de morte de sua avó, pode simbolizar algo que esta mãe precisa ficar atenta ao longo da relação com a filha. Talvez algum sentimento não resolvido com sua própria mãe, que pode vir à tona na relação com aquela filha no futuro. E não é preciso esperar os conflitos surgirem para que eles sejam resolvidos. Sentimentos mal elaborados, mesmo que acreditemos ser algo do passado, podem e devem ser trabalhados a todo instante. Isto faz parte do processo constante de autoconhecimento.

Proximidade de datas importante pode causar incômodos físicos ou emocionais

Pode ocorrer também, quando uma data importante está se aproximando (aniversário de morte de alguém, ou data de algum acidente ou grande perda no passado), começarmos a sentir física ou emocionalmente vários incômodos. Os sintomas, por também serem expressões do inconsciente, são ótimos sinalizadores de que precisamos olhar para nosso mundo interno e lidar com alguma questão inconsciente que nos impede de avançar em algum nível da nossa jornada. 

Certa vez atendi em consultório um senhor que estava muito transtornado por ter batido pela primeira vez em sua filha adolescente. Ele disse ter “perdido a cabeça” e não pensou para agir. Em nossa conversa, trouxe o sentimento de rancor que tinha do pai já falecido, que lhe batia constantemente, e por isso jurou nunca repetir esta violência com suas filhas. Fizemos, então, sua árvore genealógica, a fim de identificar as datas e os eventos mais relevantes da sua família. Foi possível constatar que o pai havia falecido com aquela mesma idade em que o senhor se encontrava na época das sessões. E mais: na época do falecimento do pai, ele tinha a mesma idade que atualmente tinha sua filha adolescente. Refletimos sobre a importância dele trabalhar seus sentimentos de raiva e rancor por seu pai. Poucos dias após esta sessão, o cliente - que já vinha fazendo exames de rotina devido ao histórico de problemas coronários - foi a óbito por infarto, tal como seu pai. 

Neste caso, o inconsciente sinalizou, por meio do evento com a filha, que algo do passado relacionado a sentimentos não elaborados pelo pai estava se “apossando” dele. E aí poderíamos nos questionar: “será que ele realmente precisava ter morrido nestas circunstâncias?”. Ou se ele tivesse limpado estes sentimentos relacionados ao pai poderia seguir vivendo em sua própria história? Neste caso, este paciente poderia ter se submetido a alguma técnica para trabalhar com traumas, como a EFT (Técnica de libertação emocional) ou a Constelação Familiar, para ajudá-lo a limpar estas emoções represadas. Neste exemplo, podemos lembrar da força que as lealdades familiares exercem sobre nós e refletir ainda mais longe: morrer nas mesmas circunstâncias foi a maior lealdade que ele poderia ter demonstrado ao pai.

Talvez nem sempre é possível ter olhos para ver tantas sincronicidades de datas em sua própria história. A presença de um terapeuta especializado em Psicogenealogia (psicoterapia baseada no estudo do inconsciente familiar em seus mais diversos aspectos e atuações) para auxiliar a desatar os nós, pode ser fundamental em determinados momentos. Mas é fato que é preciso dar a devida importância ao nosso inconsciente familiar, ao invés de negar sua existência. Afinal, ser adulto é saber se apropriar da própria história para fazer as escolhas de forma mais lúcida e consciente.

Originalmente publicado em Personare