Mostrando postagens com marcador mães possíveis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mães possíveis. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

AUSÊNCIA MATERNA: COMO LIDAR?

 Embora seja difícil, é possível encarar a ausência materna e ir ao encontro do nosso próprio resgate



A ausência materna sendo ela por morte ou não, deixa marcas, pois mexe com o sentimento de não ter por perto a pessoa mais importante da sua história. Afinal, a vida veio através da mãe e a ausência dela gera medos, inseguranças, carências, além de outras dificuldades na vida pessoal e profissional. 


Mas será que há uma saída para lidar com a ausência materna? Como conviver com essa sensação de abandono? Será que ela é mesmo real?


Entenda como um olhar mais sistêmico pode lhe auxiliar a compreender e lidar com essa sensação e te liberar para um caminho mais leve diante da vida.


Ausência Materna: a importância da mãe na vida de cada um


Os pais que não se ofendam, mas é fato que a mãe é a primeira pessoa mais importante da nossa existência. Porém, para gerar a vida, é preciso do homem e da mulher, então o pai entra com 50% da função essencial. 


No entanto, apenas a mãe é suficiente para que esta vida se mantenha nos meses iniciais. Ela gera e dá a nutrição essencial nos primeiros meses de vida e, por isso, os bebês precisam tanto das mamães. 


Se por qualquer razão esta mãe se ausentar fisicamente, a criança sentirá sua falta. Mesmo que suas necessidades sejam preenchidas, e que ela seja muito amada, a ausência materna será sentida e, certamente, levada para a vida adulta.


É na relação com a mãe que primariamente aprendemos a nos relacionar com os outros. O quanto essa relação transmite confiança e segurança é a medida que iremos também nos sentir seguros para confiar nos outros. Não é o único fator, mas é de grande relevância.


Até mesmo a relação com o trabalho passa pelo vínculo com a mãe. Pelas mesmas razões anteriores, se nos sentimos validados e reconhecidos pela mamãe, certamente faremos escolhas profissionais mais conectadas com a nossa essência e estaremos mais abertos a servir a vida e permitir que o fluxo de abundância ocorra naturalmente.


Presença física não significa entrega


Embora a mãe seja a pessoa mais importante para o nosso desenvolvimento, isso não lhe tira a imperfeição. Antes de ser mãe, ela é uma mulher comum que também é filha. A mãe carrega uma história pregressa ao nascimento dos filhos e ela leva isso junto em suas relações de família. 


Assim, pode ser que a mãe não consiga estar disponível para os filhos. Ela está presente, mas geralmente há uma queixa de que ela não age como uma mãe deveria, e talvez até nem ame da forma ideal.


De fato, há muitos fatores pelos quais uma mãe pode se ausentar, como alguma doença que a incapacite física ou emocionalmente. Pode ser ainda que ela esteja muito emaranhada em sua família de origem e ainda ligada a parceiros anteriores, o que impede a sua real presença e cuidado com o filho.  


Mas seja qual for a razão para os filhos, nada justifica, pois certamente a criança vai sentir os efeitos do que se passa com sua mamãe. Porém, o problema torna-se interminável quando o adulto ainda têm exigências com sua mãe. E logo veremos os efeitos desta postura.


Ausência materna por morte


Chegamos à ausência que parece inevitável. A morte é o fim da vida, então, a ausência materna passa a ser uma constante. Mesmo sabendo que a morte é o curso natural do ciclo de vida ela ainda é temida e mal falada. 


Até para se referir à morte é comum as pessoas usarem o “perdi” minha mãe. Como se o fato dela ter morrido é responsabilidade nossa. O termo morte me parece bem menos cruel neste caso, mas dizer “minha mãe morreu” parece muito definitivo para alguns.


Vou comentar uma experiência pessoal: minha mãe faleceu em 2010. Ela me viu casar, mas não esteve presente fisicamente no nascimento de minhas filhas. Por algum tempo, vivi a ausência materna. 


Com isso, sentia os efeitos desta postura na minha vida pessoal, familiar e profissional. Conflitos desnecessários com minha filha ocorriam e não conseguia alavancar minha carreira. Só consegui me encher de sua presença quando ajustei minha postura interna com a ajuda da filosofia sistêmica e da constelação familiar. Aí sim, a vida começou a fluir em todas as áreas.


O peso interminável de permanecer com a ausência


São inúmeros os efeitos de permanecer na ausência. Se você está conectada com a ausência materna, fica conectada com a morte. Você se retira da vida sem perceber. Pode evitar relacionamentos ou boicotar os que já existem. 


Cada vez que alguém sai da sua vida é um sofrimento interminável e desproporcional. Deixa de confiar nas pessoas, pois tem medo que elas te deixem também. O trabalho e outras coisas importantes para sua vida podem perder o sentido. 


Desta forma, essa postura voltada para o menos pode gerar perda de dinheiro ou até mesmo danos à saúde. Fora que outras pessoas ainda podem sentir o efeito junto, pois você pode se afastar emocionalmente do cônjuge ou dos filhos, ou eles de você. 


Além disso, seus filhos podem começar a apresentar sintomas de ordem física ou emocional como forma de manter você na vida.


Como seguir em frente?


Para seguir em frente, é preciso colocar algumas coisas no lugar. Em caso de ausência materna por morte, o luto precisa ser vivido. Não adianta evitar a dor, pois certamente pode gerar mais sofrimento e até traumas que ficam no corpo. 


Sendo assim, se permita sentir a dor com consciência e, junto com ela, outros sentimentos que vão surgir como raiva e tristeza. Deixar que as crianças participem do processo é essencial.


Aos poucos, procure lembrar do que foi vivido juntos. Mesmo que ainda gere tristeza, parar de falar sobre o assunto como se a morte fosse um tabu é excluir a mãe do seu sistema. Os mortos querem ser lembrados, mas também deixados em paz.


Lembrar não é lamentar. É saber que a mãe cumpriu seu papel e completou seu destino do jeito que foi possível. Ao olhar no espelho, você a enxerga atrás de seus olhos e continua viva e presente dentro de você. 


E ela se alegra se você seguir em frente e honrá-la, fazendo de sua vida algo bom. Que legado você está deixando? É nele que a sua mãe vai se perpetuar, assim como você futuramente.


Não importa como foi essa mãe, se foi boa ou ruim. Esses rótulos só servem como pesos que nos impedem de caminhar. Ela foi suficiente e isso basta para você fazer o melhor que puder com a vida que lhe foi dada. 


Ela pode não estar ao seu lado fisicamente, mas a presença dela é inevitável em tudo que você é e faz. Então, o que lhe resta é cuidar bem da filha ou filho dela, Você!


Maria Cristina Gomes

Psicóloga

mariacristinapsi@yahoo.com.br


Texto originalmente publicado em www.personare.com.br 

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Papel da mãe: significado na Constelação Familiar




A mãe exerce papel fundamental em nossa história. E este é um dos motivos onde esta relação, é a causa de 80% dos problemas que levam às pessoas aos consultórios de psicologia. Há muitas nuances, pois sistemicamente nunca olhamos para uma causa e um efeito. Mas é fato que o papel da mãe é de extrema importância para o fluir da vida em todas as instâncias. 


Entenda como a visão sistêmica da constelação familiar pode lhe auxiliar a compreender essa importância e saiba como pode trazer leveza para sua vida tomar a mãe no coração e seguir em frente. 


Papel da mãe: significado na Constelação Familiar


“Toda relação começa com a mãe.” Esta frase de Bert Hellinger dá o tom da importância da mãe na vida de cada ser. A maioria dos problemas surge quando algo ocorreu neste primeiro relacionamento, quando ele não se dá na plenitude. A importância primordial vem do fato de que foi ela quem gerou a vida que pulsa em você. Se você respira agora foi porque aquela mulher te alimentou e sustentou por alguns meses suficientes até você chegar à vida. A vida veio através dela em toda sua grandeza. Além disso, aquelas que puderam, sobreviveram ou seguiram mais um tempo, certamente alimentaram e cuidaram de você em suas necessidades básicas. Algumas podem não ter conseguido dar continuidade nos cuidados posteriores, mas ainda assim, o lugar dela é de honra e respeito. 


A constelação familiar vê a mãe (e o pai) como pessoas.Não trata-se de uma mãe ou pai ideais. Também não tem nada a ver com o que puderam dar, ou o que retiraram. Tomar a mãe é concordar com um fato, reverenciar a vida que veio por meio dela. Você toma a pessoa e na medida que faz isso, tem a vida em sua plenitude. A partir deste simples ato, o sucesso profissional pode chegar e os relacionamentos podem ser mais leves. 


Para Hellinger a compreensão da mãe é filosófica. Nada retira a grandeza da vida. Muitas coisas desafiantes podem ter ocorrido desde o nascimento até sua chegada na vida adulta. Questões e fatos que ficaram no meio de sua relação com sua mãe. Mas por mais desafiante e doloroso, a vida ainda é maior. É com ela pulsando que tudo é possível de ser ressignificado, reelaborado e reconstruído. Com este olhar, a mãe é perfeita em sua função e nenhuma mãe é pior ou melhor que a outra. Todas transmitiram a vida e a isso nada pode se acrescentar ou subtrair. 


Relação entre mães e filhas ou filhos


“A mulher só se torna mulher com a mãe. O homem só se torna homem com o pai.” Esta máxima da constelação costuma causar muitos questionamentos, contudo nela há um movimento natural do ser. Mais uma vez a compreensão vai além das questões ideológicas. É preciso voltarmos ao movimento essencial do ser. O feminino flui através do feminino, assim como o masculino fluirá através do masculino. Psicologicamente todos contemos o masculino e o feminino em nós. E buscar este equilíbrio é fundamental para bons relacionamentos. 


A relação da mãe e da filha costuma ser mais complexa. A mulher possui um papel mais desafiante, por isso ela torna-se também tão especial e fundamental para o fluir da vida no mundo. A menina precisa fazer um movimento de retorno à mãe que os meninos não precisam. Por volta dos 7 anos as crianças vão em direção ao pai internamente. Este movimento é importante para a psique das crianças. Lembrando que o movimento é interno, na alma ou inconsciente, não necessariamente uma atitude física pois nem sempre é possível. O pai têm um papel importante de conexão com a criança no mundo externo, social e profissional. Ele a leva para ver o mundo. Mas a menina precisa retornar para a mãe após um tempo para seguir com o feminino fortalecido em suas raízes. O menino deve seguir com o pai. Quando este movimento não ocorre, a menina prefere ficar com o papai e o menino se recusa a ir com o pai ou volta para a mãe, ambos podem ficar frágeis em suas relações afetivas posteriormente. Na constelação familiar chamamos de Filhinha do papai e Filhinho da mamãe.


A filhinha do papai, será aquela mulher que não achará um homem à altura do papai para se relacionar. Podem buscar o pai nos homens (ou pessoas parceiras) e como uma criança deseja ser cuidada e atendida em todas as suas necessidades. Poderá também apresentar muita rivalidade com a mãe. É uma falta de lugar na vida e pode ter uma insatisfação constante no trabalho e na profissão. 


O filhinho da mamãe, por sua vez, poderá sempre se envolver e seduzir muitas mulheres e nunca conseguir se estabelecer em uma relação séria. Um Don Juan por exemplo seria um bom exemplo de filhinho da mamãe. Ele também pode buscar uma mãe na relação e ficar dependente emocionalmente da parceira (o). 


No caso destas dinâmicas descritas uma das leis sistêmicas está sendo desobedecida, a lei da ordem ou hierarquia. Nela precisamos ser pequenos diante de ambos os pais respeitando a prioridade de chegada no sistema e reverenciando a vida que veio através deles. Os filhinhos da mamãe e filhinhas do papai geralmente estão grandes diante de um deles. Assim, não há leveza e em alguma área da vida algo não irá bem. Os pais podem reforçar estas dinâmicas nos filhos, que quando criança não possuem muitas defesas. Os filhos ficam entre os pais com esta postura. Mas ao se tornarem adultos cabe a cada um voltar ao seu lugar. 


Bert Hellinger descreve um exercício simples para esta dinâmica: Quem percebe que é uma filhinha do papai, olha para o seu pai e lhe diz, piscando o olho: “Sou apenas a sua filha. Para outro papel, sou pequena demais”. A mesma coisa faz o filhinho da mamãe com sua mãe. Olha para ela e lhe diz: “Sou apenas o seu filho. Para outro papel, sou pequeno demais”. Curiosamente, isso é um alívio para todos, inclusive para os pais.( Livro: Um lugar para os excluídos, 2006).


Vale ressaltar que não há nenhuma relação com orientações sexuais ou identidades de gênero. Aqui se trata do feminino e masculino em sua essência e existente em todos os seres humanos. E mesmo que os pais estejam ausentes física ou emocionalmente da educação e crescimento das crianças, o movimento é o mesmo e se dá internamente. O que ocorre é que talvez seja preciso uma ajuda profissional para direcionar neste caso, seja uma psicoterapia sistêmica ou uma constelação familiar. 


Como descobrir a relação com sua mãe


Para saber se você tem problemas em tomar sua mãe, olhe a sua volta e perceba se sua vida está travada em algum processo. O primeiro lugar onde visitamos é sempre a relação com a mãe. Em seguida vamos ao pai e aos que estão excluídos do sistema familiar. Segundo a lei do pertencimento, estamos ligados a todos os nossos ancestrais por vínculos inconscientes e nada nem ninguém pode ser excluído sem que o sistema sofra algum efeito. Assim, uma vida que não flui pode se relacionar com algo fora de ordem ou excluído, mas se a postura diante dos pais está de acordo com a ordem, a clareza para onde encontrar a solução fica maior diante dos desafios.


Se você tem muitas críticas e julgamentos contra sua mãe, isto pode se voltar contra você caso também opte pela maternidade. Se você é mãe e os conflitos com sua filha são grandes provavelmente há algo na sua relação com sua própria mãe que precisa ser revisto. Talvez queira ser uma mãe melhor e dar o que não teve. Parece uma intenção nobre e claro que é possível fazer diferente, mas não por ser melhor que a mãe, mas por ter mais recursos que ela mesma lhe propiciou. A geração anterior teve seus próprios desafios e já trazem um legado. Reconhecer isto não é justificativa para ações danosas, mas concordar com o passado para conseguir seguir em frente mais livre. 


Problemas de confiança nas relações amorosas também podem ter origem em dificuldades na relação com a mãe. Se quando criança sua mãe teve que se ausentar por algum motivo, saúde, outra gravidez, ou mesmo morte, você pode ter registrado um pequeno trauma da separação e isso trazer consequências em suas relações afetivas e sociais. O caminho é o mesmo, tomá-la no coração com tudo que foi do jeito que foi para seguir sua vida mais livre. 


As mães (ou pais) adotivos exercem um papel importantíssimo e ao mesmo tempo bem delicado. O êxito na adoção e na relação entre esta mãe e seus filhos e acolher no coração a origem da criança independentemente de qualquer ocorrido. 


Mãe narcisista: uma categoria ou rótulo?


Recentemente é comum escutarmos o termo Mãe narcisista. O Transtorno de personalidade narcisista (TPN), é um transtorno de personalidade catalogado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV. O fato da mãe ter ganhado notoriedade para este transtorno (você provavelmente não ouviu muito falar de pai narcisista) é devido a sua importância e influência na forma como conduzimos a vida adulta.  


A questão é: saber o diagnóstico da mãe lhe ajuda a compreendê-la com amor ou reforça uma postura de vítima em você? Claro que a postura da mãe (assim como o pai) provoca efeitos e alguns bem desafiantes. Mas sendo um transtorno, trata-se de um processo mental e que talvez não houvesse escolha consciente. Não trata-se apenas de um comportamento errado, mas de ser a única forma que aquela mulher sabia se comportar. Talvez houvesse motivos pregressos, lealdades inconscientes, ou mesmo questões biológicas e/ou genética. O fato é que se o diagnóstico dela não pode ser alterado, a sua postura diante dele pode. Talvez não seja fácil sem ajuda profissional para reconstruir e ressignificar, mas certamente é possível se você fizer uma escolha de seguir olhando para o futuro. 


Como superar as dores causadas pelas mães 


Costumo dizer que precisamos separar as instâncias. Dentro da mulher mora uma mãe e a relação que precisamos acertar é com esta. Afinal, a mulher traz sua bagagem que já existia antes de você. Suas dores e feridas estão todas lá. Mas ela deu à luz em algum momento e neste momento você tem a vida através desta mãe e isso deve ser colocado em primeiro plano. Não precisa ficar em um ambiente aversivo, com a tal mãe narcisista por exemplo, onde residem dores e mágoas. Pode se afastar, se possível, mas no coração a mãe precisa ir com você. A mulher pode até ficar para trás, mas a mãe que te gerou e alimentou precisa ser honrada. 


O que ocorre é que as culpas são carregadas. Se você acusa a mãe no coração, automaticamente age contra a lei da ordem e pode causar processos de autossabotagem como expiação. As pessoas se vingam inconscientemente da mãe sendo infelizes, assim podem justificar seu fracasso e continuar acusando a mãe. Não traz bons efeitos para ninguém e quem mais perde é você mesma (o). 


O passado não precisa definir quem você é. Você pode tirar a força que precisa de todos os desafios que vivenciou ou olhar para o que lhe faltou no processo. Se você acreditou que precisava carregar as dores da mamãe por amor a ela ou mesmo por elas terem sido depositadas em você, está na hora de devolver a quem de direito. Reconhecer que diante dela é pequena e que não pode carregar nada por ela. Este é um movimento que é feito no coração, sem acusações, apenas concordância do que foi para seguir livre. 


Dependendo do tamanho do dano ou dor causadas, o processo deve ser feito em um processo terapêutico por um profissional capacitado que irá acolher suas dores e te ajudar a ressignificar. Uma constelação familiar com um profissional de sua confiança também pode trazer a luz as questões envolvidas e lhe ajudar a liberar o que te aprisiona.


Saiba mais sobre a Constelação Familiar


A técnica pode ser aplicada em grupo ou individual, presencialmente ou online. Você leva ao constelador o tema ou questão que percebe ter dificuldades em solucionar e se coloca receptivo e centrado para as informações que surgirão no campo. O método é fenomenológico, então não há como prever o que irá surgir, é uma observação do que atua naquele momento. O campo mórfico funciona como um inconsciente coletivo onde todas as informações são “armazenadas” e qualquer pessoa que esteja livre de intenções pode acessar. O ideal é que o cliente consiga se manter neutro e receptivo, mas nem sempre é possível devido às resistências inconscientes. Mas um bom constelador deve estar sempre centrado e isento, para inclusive acolher as resistências do constelado. É importante buscar um bom profissional no qual você sinta confiança e empatia. 


Para além da técnica, é importante ter compreensão das leis sistêmicas mencionadas anteriormente e tomar a decisão de olhar para a frente. A postura interna diante do seu passado é que define como você caminha para o futuro, não os fatos em si. A vida chegou até você e se você se alegrar com isso pode fazer dela algo grandioso, nas suas relações e profissão. 


Originalmente publicado em https://www.personare.com.br/autor/maria-cristina

O que significa Honrar pai e mãe na constelação familiar

Como é a visão da constelação familiar sobre a função da mãe e do pai em nosso sistema familiar e porquê é importante honrar e respeitar seus lugares





Na visão da constelação familiar o lugar dos pais é primordial. Honrar pai e mãe ou tomar os pais são frases comumente ditas que às vezes causam confusão na maneira de entender e aplicar. Alguns apenas de ouvi-las já descartam entender melhor sobre a constelação familiar por achar que existe algo de um dogma ou religião. 


Assim, é importante esclarecer o real sentido e aplicação desta frase e a importância de sua compreensão para permitir que sua vida flua com mais leveza em todas as áreas da vida. Além disso, entender um pouco das leis sistêmicas e do que consiste a técnica da constelação familiar pode ajudar a colocar sua vida de volta no lugar.


Honra teu pai e tua mãe: conheça a origem da frase


Quando alguém escuta esta frase através da constelação familiar, mesmo se não for religioso, pode se lembrar dos 10 mandamentos. Caso você não saiba, um deles é "Honrar pai e mãe”. Une-se a isso o fato do precursor da constelação familiar, Bert Hellinger, ter sido um padre católico, para que as interpretações equivocadas comecem. Alguns pressupõem que foi de lá, da bíblia católica que Hellinger retirou um dos dizeres mais conhecidos na constelação familiar. Mas, fato é que Hellinger estudou e trabalhou muitos anos, após deixar de ser seminarista, com vários grupos utilizando várias técnicas terapêuticas até perceber, fenomenologicamente*, as leis sistêmicas que atuam nos sistemas familiares. 



(*”O método fenomenológico, a contemplação, provêm do recolhimento. Isso significa persistir numa coisa até que algo que estava oculto se desvende diante do olhar interior e mostre a sua essência.” Bert Hellinger - Um lugar para os excluídos)



Assim, não há uma origem definida. O mais importante é o significado. É uma compreensão mais filosófica do que religiosa. É uma contemplação do que estas duas pessoas representam em nossas vidas, já que apenas existimos porque eles permitiram. Esta á a compreensão fundamental, a vida veio através deles e por isso merece ser honrada. Mesmo que todo o restante que veio depois do nascimento tenha sido bastante desafiante. Se há vida, é possível ressignificar e fazer diferente. E esta atitude é honrá-los. 


Honrar pai e mãe na Constelação Familiar: por que?


Os efeitos de não tomar ou honrar pai e mãe podem ser sentidos em todas as áreas da vida. Isso deve-se às leis sistêmicas que conduzem os sistemas familiares. Bert Hellinger observou que há 3 leis que se não consideradas, ou desrespeitadas, podem trazer efeitos negativos em nossas vidas. São elas: 


  • Lei do Pertencimento - Todos que possuem vínculos sanguíneos (exceto primos) pertencem ao nosso sistema e não podem ser excluídos. Também aqueles a quem se gerou um benefício ou prejuízo existencial, que possibilitou a vida continuar ou trouxe alguma morte ou interrupção. A exclusão de um dos membros pertencentes repercutem em futuras gerações.


  • Lei da ordem - Quem chegou primeiro no sistema têm prioridade e é grande. Quem vem depois é pequeno. Não tem relação com importância, apenas com hierarquia e prioridade. O desrespeito à ordem traz efeitos no nosso lugar em nossa vida. Não tomar pai e mãe tem relação direta com esta lei. Reconhecer a ordem e prioridade de quem vem antes é que permite tomar o que lhe foi dado e seguir em frente de forma mais livre.


  • Lei do equilíbrio - atua nas relações de casais e sociais. O movimento é de trocas, onde na relação alguém dá mas também recebe do outro em trocas equilibradas. 


Se a vida flui em todas as áreas é provável que esteja em ressonância com estas leis. Em contrapartida, problemas e conflitos surgem de forma constante quando em dissonância com alguma delas. Por isso, tomar ou honrar pai e mãe torna-se fundamental. Não reconhecer o valor do que lhe foi dado por eles, poderá trazer alguns efeitos negativos. Os mais comuns são: Brigas e conflitos constantes em casal; não conseguir encontrar uma pessoa parceira para se relacionar; problemas constantes com figuras de autoridade no trabalho; desarmonia e dificuldade com os filhos; carência e cobranças excessivas com amigos, etc. Assim, estar em desarmonia com a lei da ordem, onde se enquadra tomar ou honrar os pais, torna a vida mais pesada e conflituosa de maneira geral ou em alguma área específica. 


Como honrar pai e mãe na Constelação Familiar


Se você percebeu que tem dificuldades em tomar o amor de seus pais este já é o primeiro passo. Afinal, problemas de toda ordem acontecem e o último lugar para onde as pessoas procuram a solução é em sua relação com os pais. A compreensão filosófica pode ajudar desde que seja internalizada. 


É preciso soltar todas as críticas, exigências, reclamações, julgamentos e faltas para seguir em frente. Talvez muito lhe faltou em afeto e acolhimento, mas talvez tenha sido o máximo que conseguiram lhe oferecer. Fazer a separação da pessoa que é o pai e a mãe, do homem e mulher com todos os emaranhados sistêmicos que trazem com eles. Eles vieram antes e já trazem toda uma história de amor cego e lealdades invisíveis por seus ancestrais. Talvez também estejam fora de ordem ou de lugar em relação aos seus próprios pais. Perceber isso, é ver os pais como pessoas comuns ao mesmo tempo respeitando o lugar de cada um em sua existência. 


O mais importante e onde há muito equívoco, honrar não é fazer igual. Muitos dizem que se a pessoa está repetindo um destino está honrando os pais de forma negativa. Mas não há como honrar de forma negativa. Honrar é tomar o amor e seguir em frente. É positivo. Mesmo que seja desafiante, é leve. É reconhecer o passado, talvez com o peso que teve, com as dores e feridas que houveram nas gerações anteriores e honrar tudo que foi da melhor maneira que você puder com os recursos que você tem. Talvez porque para eles foi pesado, para você pode ser um pouco mais leve, e é assim que você honra. Se alegrando com sua vida e indo em busca, como adulto, daquilo que ainda precisa.


Saiba mais sobre Constelação Familiar


Talvez sua vida não esteja fluindo em alguma área e pode ser que alguma das leis sistêmicas mencionadas esteja sendo negligenciada. Ou você carrega imensas mágoas em relação aos seus pais e não sabia como seguir em frente. A técnica da constelação familiar pode ajudar a trazer à luz as questões que estão ocultas para você ou te fazer entrar em contato com seu próprio centro e seu lugar no seu sistema familiar. 


A técnica pode ser aplicada em grupo ou individual, presencialmente ou online. Você leva ao constelador o tema ou questão que percebe ter dificuldades em solucionar e se coloca receptivo e centrado para as informações que surgirão no campo. O método é fenomenológico, então não há como prever o que irá surgir, é uma observação do que atua naquele momento. O campo mórfico funciona como um inconsciente coletivo onde todas as informações são “armazenadas” e qualquer pessoa que esteja livre de intenções pode acessar. O ideal é que o cliente consiga se manter neutro e receptivo, mas nem sempre é possível devido às resistências inconscientes. Mas um bom constelador deve estar sempre centrado e isento, para inclusive acolher as resistências do constelado. É importante buscar um bom profissional no qual você sinta confiança e empatia. 


Mas, atenção: A constelação é apenas uma técnica. Ela não faz milagres, nem conserta nada para ninguém. No fundo é a sua postura diante do que percebe e das mudanças que deseja fazer. Se já há a percepção do problema e o entendimento das leis sistêmicas e ainda assim, a mudança não ocorre, talvez pode ser mais eficiente trabalhar em um processo terapêutico suas resistências e lealdades inconscientes. Saiba que sua vida pode fluir sempre para melhor e com mais leveza, mas o principal responsável que ditará se isso ocorrerá é você! 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

A eterna busca pelo reconhecimento e como isto impacta na sua vida financeira e profissional



 Prosperidade é um assunto que está sempre entre os mais buscados no mundo virtual. Todos querem prosperar e ser feliz. E geralmente, o primeiro pensamento é ter dinheiro para ter uma vida tranquila e sem preocupações. Contudo, muitos trabalham em excesso e não sentem que recebem o que merecem ou sempre reclamam que não têm dinheiro suficiente. Existem algumas dinâmicas ocultas que podem impedir a prosperidade, e especialmente a forma como encaramos o trabalho pode exercer grande influência na forma como o dinheiro circula pela nossa vida. Vamos entender melhor a visão da constelação familiar sobre este tema.


Leis sistêmicas


Primeiramente nos lembramos das leis sistêmicas que atuam sobre todos nós, mesmo que não concordem ou reconheçam-nas. A lei do pertencimento, da ordem e do equilíbrio. Na lei do pertencimento quem pertence não pode ser excluído, pois caso seja, retornará posteriormente ao sistema por sintoma ou crise em algum outro descendente. Na lei da ordem ou hierarquia, quem vem antes tem prioridade pois chegou primeiro ao sistema, e por isso é maior. Quem vem antes dá e quem vem depois recebe. Na lei do equilíbrio, em relacionamentos sociais e afetivos deve haver troca e equilíbrio entre o dar e receber nas relações. 


Estar a serviço da vida


Na visão das constelações a relação com o trabalho tem relação com o relacionamento com a mãe. Estou a serviço de algo, assim como a mãe se colocou a serviço ao dar a luz a você. Se a postura diante da mãe é de crítica você pode ter dificuldades de dar tudo de si no trabalho. Para sentir que estamos a serviço é preciso estar na ordem. Reconhecer que a mãe é maior e que deu tudo que podia dentro de suas possibilidades. Tomar a mãe, é acolher com gratidão a vida que veio através dela e seguir adiante. A postura de olhar para o passado carregado de mágoas e ressentimentos pode impedir que a vida flue para a prosperidade. 


Dinheiro ou Reconhecimento como moeda de troca


Dinheiro não é energia, é dinheiro mesmo. Muitas crenças equivocadas em relação ao dinheiro podem impedir a prosperidade financeira. Mas o fato é que é uma moeda de troca para um serviço prestado. Se faço este serviço com amor, inteireza e gratidão terei a contrapartida. 


Quando há ajuda profissional é importante ter um preço para o trabalho. Este preço é uma troca pela experiência, vivência, investimento. Receber dá dignidade ao outro que adquiri o serviço. Muitos profissionais de ajuda principalmente em áreas terapêuticas têm dificuldade de cobrar. Isso deve-se a crenças limitantes em relação ao autovalor e ao dinheiro, mas também, a moeda de troca equivocada. No fundo desejam reconhecimento pelo papel que desempenham e inconscientemente esta pode ser a forma de pagamento que almejam. Mas o aplauso e a crítica são enganadores. Diz mais do outro do que de si. São as expectativas do outro que para ele são ou não atendidas. Caso se apoie em receber apenas isto que o outro oferece, você perde seu poder pessoal.


Onde está o reconhecimento


Se o reconhecimento é sua moeda de troca, então você já têm o que acha que precisa. Assim, o dinheiro e muitas vezes até o trabalho não permanecem por muito tempo. O mais importante é preencher um vazio a partir do que o outro oferece. Essa necessidade é infantil. A criança precisa ser reconhecida o tempo todo, mas para adultos isso não funciona mais. Geralmente há críticas e faltas em relação à mãe. Ela pode ter sido ausente, ou mesmo uma mãe muito crítica. Não é fácil crescer em um ambiente crítico e hostil. Mas ao se tornar adulto você pode ressignificar. Caso não consiga fazer por si mesmo pode optar por ajuda profissional. A psicoterapia na visão sistêmica pode te abrir um novo olhar sobre sua postura diante de sua família de origem. Pois este reconhecimento que talvez você queria da mamãe ou da família talvez não seja possível. Ele não pode mais vir do outro. Afinal, ele está dentro de você e só você pode se reconectar a ele novamente. 


Ninguém diz o valor de quem você é. O valor vem de suas raízes, da sua fonte, de quem você é. Isso é que te faz singular. A sua origem, só você tem. E é isso que lhe dá um valor único, da forma que aprendeu no seu sistema, da conexão com seus pais. Reconhecer seu autovalor e o valor do seu sistema de origem com gratidão, independente dos erros e acertos que ocorreram ali, é passaporte para uma vida leve e de prosperidade. 


segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Era uma vez um sonho - Porque traumas e dores do passado não precisam definir como será o futuro

 


O filme Era uma vez um sonho (HillBilly Elegy) que estreou no catálogo da Netflix em Novembro/2020 traz alguns temas familiares abordados de maneira dura e realista. O filme baseado em um livro de uma história real de J.D Vance têm recebido críticas por focar no drama e deixar de lado as questões mais culturais, sociais e até políticas que parecem ser descritas no livro. Eu não li o livro então não posso dizer, mas penso que um filme nunca poderá ser fidedigno a obra, mas apenas um recorte. E neste caso o foco foi totalmente nos dramas familiares e no dilema do Jovem Vance em seguir com sua vida ou ficar, e quanto a isso cumpre o que se propõe.


Gosto de filme baseado em histórias reais pois torna as questões abordadas mais palpáveis. O enredo do filme não é diferente de outros que já existem, como Castelo de Vidro (2017) também baseado em fatos (video onde falo deste filme https://youtu.be/1LhbAyOOzsI) Justamente por conterem questões sistêmicas é algo comum nas mais diversas famílias. Interessante como filmes assim causam comoção e reflexão. As pessoas conseguem ter empatia com os personagens mesmo aqueles mais difíceis como a mãe e avó de Vance. Isso porque o roteirista teve o cuidado de ir mostrando que um comportamento de hoje está relacionado a eventos passados que por sua vez também tem origem em outros eventos e por aí vai. Ou seja, visão sistêmica! E penso que nos faz ampliar o olhar sobre rótulos como mãe tóxica e família desestruturada que são tão repetidos. Algumas falas são perfeitas para mostrar como rejeitar/odiar algo faz com que você reproduza o comportamento sem perceber. É o caso da filha de Bev, Lindsay, que em uma briga com sua mãe diz que nunca terá filhos para fazer como ela faz, e claro acaba tendo três filhos e em dado momento aparece gritando com as crianças devido às suas próprias frustrações. 


Mas tudo gira em torno do Jovem Vance, e se ele repetirá o ciclo de dor e fracasso trazido ao longo da família ou conseguirá fazer diferente. Há dois pontos de virada importante na vida do JD. Quando a avó o assume e ele se revolta com a postura da avó, dentre muitas brigas pesadas e diálogos difíceis houve um momento em que o garoto entendeu do que se tratava. Quando ela pede comida pois tem que alimentá-lo e deixa para ele a maior parte do que conseguiu. Ali ele age e entende que não precisava ficar esperando amor e reconhecimento. Talvez não porque ela não queria dar, mas não sabia. A forma como sabia era sendo dura e cobrando dele uma postura diferente na vida. Ali ele entendeu que ela fazia de tudo para ele ter um futuro diferente do que ela e sua filha tivera. Ela sabia que para ele podia ser mais leve, pois ele tinha recursos que ela não tinha. E foi quando ele seguiu. 


Contudo, ele seguiu e parece ter rompido de alguma forma. Como se quisesse esquecer o passado e apenas seguir em frente. Então, como aquilo que rejeitamos nos aprisiona, o passado bate à porta e ele de novo se vê no dilema entre ficar ou seguir. A mãe com overdose clama por cuidado. E nesse retorno ele também vai se deparando com seus demônios e lembranças internas e reconstruindo o caminho que o trouxe até ali. Mais uma fala brilhante quando sua irmã diz que se ele não perdoar não conseguirá se libertar do que foi. E quando ele percebe que de novo precisa tomar a decisão que talvez quando jovem a avó o estimulou: Seguir sua vida ou ficar emaranhado em lugares que não lhe pertenciam e repetir uma história de dor e sofrimento. Ele decide que não pode ser o salvador!! Pois seu autossacrifício poderia até resolver provisoriamente o problema, mas seria ineficaz a longo prazo pois ele também seria infeliz. E então ele toma a decisão mais consciente de tudo que lhe trouxe até aquele momento e consegue seguir, sem romper, mas agora com seu legado no coração. Não por acaso vai contando sobre as histórias da família para a namorada como se agora concordasse que tudo que foi fez dele quem ele é e lhe dá a chance de fazer diferente, por ele e por todo o futuro sistema. 


Sim as dores e traumas foram reais e certamente deixaram marcas, mas olhando, curando, compreendendo e acolhendo a realidade como foi, é possível seguir em frente e ter um destino mais leve do que as gerações anteriores. Assim foi para JD Vance e assim é na vida!  


segunda-feira, 13 de maio de 2019

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Filme estrelado por Sandra Bullock nos lembra a importância de valorizar a mãe como ela é

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Para falar de mãe é preciso ter cuidado. Esta simples palavra é tão carregada de conceitos e deveres que para cada um terá um significado diferente. A verdade é que as mulheres que se tornam mães deveriam ser perfeitas, como a Mulher-Maravilha. Mas mesmo uma super-heroína tem suas fraquezas e a mãe, antes de entrar nesta categoria, também é uma mulher comum como qualquer outra. Assim, o que proponho é olhar para a mulher comum, já que será dela que virá a mãe perfeita. Sim, a mãe é perfeita, tanto quanto lhe é possível ser. E reconhecer isto é um grande passo para que possamos fluir em muitas áreas de nossas vidas.

BIRD BOX: UM EXEMPLO DE MÃE POSSÍVEL E NADA CONVENCIONAL

Talvez alguns se perguntem: “como um filme que fala de um mundo apocalíptico pode ser utilizado para ilustrar algo sobre mãe?”. Para quem não conhece, o filme da plataforma Netflix lançado em 2018 conta a história de Malorie (Sandra Bullock) que luta para chegar a um refúgio com duas crianças para escapar de criaturas misteriosas que, ao serem vistas, provocam várias mortes. Por este motivo, os protagonistas do filme precisam passar boa parte da história com vendas nos olhos. 

Malorie está grávida no início do filme e demonstra não ter o menor vínculo com a criança que trará ao mundo. A criança, que a princípio ela nem sabe se será menino ou menina, nasce em meio a invasão da criatura que leva as pessoas à morte. Ela ainda precisa salvar uma outra criança e assim consegue seguir com os dois: um menino (seu filho) e uma menina. A personagem de Sandra Bullock então precisa passar por grandes riscos acompanhada das duas crianças que ela inclusive não coloca nenhum nome, e os trata como “Garoto” e “Garota”. Em dado momento, quando é questionada por não ter batizado as crianças com algum nome, ela se irrita e diz que tudo que ela faz é tentar mantê-los vivos. E aqui chegamos ao ponto, em que esta mãe se torna um ótimo exemplo para a mãe possível. Mesmo a personagem passando por grandes perigos e protegendo as crianças da maneira que pode, ela é questionada por não dar afeto a eles. E em muitos casos reais as maiores queixas em relação às mães é a falta de afeto.

Muitos talvez digam que ela poderia ter colocado um nome e isto não mudaria em nada, mas é justamente esta cobrança que mostra a idealização que a palavra mãe carrega. Sim, a Malorie é a melhor mãe que aquelas crianças poderiam ter! E se você tiver coragem de encarar este filme verá que em dado momento ela consegue dar o afeto que eles buscam. O detalhe é que ela não age por ser o certo a fazer, ou por alguma cobrança externa, mas porque ela está pronta para isso.

 A MÃE QUE É PERFEITA PARA NÓS

Nas constelações familiares sabemos que a mãe perfeita existe e são todas as mães. Ela é perfeita pois realiza com perfeição a sua função de gerar, dar à luz. Apenas por este motivo ela precisa ser honrada e reverenciada de seu lugar de mãe. Afinal, foi ela, junto ao papai, quem nos deu a vida. E qualquer problema se torna ínfimo diante da grandeza a vida. Tudo mais que ela faz após a concepção é algo extra. Ou seja, não existe um direito a cobranças e exigências, apenas gratidão. E é esta postura que faz toda diferença na vida caso ela seja adotada.

 A lei da ordem, um dos princípios sistêmicos das constelações, descreve que diante dos pais os filhos serão sempre pequenos. Eles são os que deram a vida e os filhos receberam. Não há como pagar ou compensar algo assim. O que pode ser feito para compensar são os filhos transmitirem esse legado às futuras gerações. Reconhecer o lugar da mãe é estar em paz com nosso próprio lugar no mundo. Como mulher, ela pode ter vários defeitos, mas como mãe é perfeita apenas pelo fato de ter dado a vida. Simples assim.

 POSTURA QUE ABRE CAMINHOS

Honrar o lugar da mãe é uma postura de vida. Quando os filhos adultos continuam com exigências de afeto, queixas ou reclamações de como foram ou são tratados por suas mães, eles não se abrem para a vida. É como se interrompesse o fluxo da vida que passa através dela e assim também não fluem em alguma área da vida. Podem ficar presos em relacionamentos vazios que parecem não suprir um vazio ou necessidade de amor. Ou ainda, por mais que sejam competentes profissionalmente não conseguem alcançar o sucesso ou prosperidade.

Quando uma mulher passa a ser mãe então ela terá a chance de revisar toda a relação com sua mãe através dos filhos. Se ela continuar impedindo o fluxo de amor que vem da mãe certamente exigirá dos filhos que supram esta necessidade. Com isso, a desordem continua. Da mesma forma que uma mulher é a melhor mãe que pode ser à sua filha ou filho, a mãe dela era a melhor que podia ser para ela, assim como a mãe da mãe, e a mãe da avó, e todas as gerações anteriores. E se este amor foi interrompido em algum momento basta uma pessoa olhar para o seu próprio lugar e adotar a postura correta. Não é possível restaurar o fluxo de outra pessoa, apenas o seu. Então, é refletir do seu próprio lugar de filha ou filho, e independente de todas as falhas que você acredita que sua mãe cometeu, é reconhecer a grandeza dela diante de você. Dentro do seu coração, no fundo da sua alma reverenciá-la como alguém grande, que antes de você nascer já tinha suas dores e vivências e talvez também seus próprios emaranhamentos. Mas o seu papel não é julgá-la, criticá-la e nem mesmo ter pena dela. Apenas concordar com quem ela é e tomar tudo que ela deu à você! Assim você poderá se abrir para a vida e a tudo que ela pode oferecer!

Texto originalmente publicado no Personare: https://www.metrojornal.com.br/personare/2019/05/09/bird-box-um-exemplo-de-mae-possivel-e-nada-convencional.html

Assista o vídeo sobre o assunto: