segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ho'oponopono para seus filhos: Um método de Cura

Prática limpa bloqueios inconscientes dos pais, que são refletidos nas crianças

Resultado de imagem para imagem pais e filhos

Quando nos tornamos pais adentramos por um caminho totalmente novo e desafiante. Cada novo dia diante deste papel adquirido pode ser uma oportunidade para nosso próprio autoconhecimento. Sim, os filhos têm este poder. De serem espelhos de comportamentos, sentimentos e atitudes que estão fora de nossa consciência.

FILHOS DÃO OPORTUNIDADE DE ENCARARMOS MONSTROS ADORMECIDOS

É muito comum pais de primeira viagem cercarem-se de livros e opiniões de especialistas para tentarem educar as crianças da melhor maneira. Criamos expectativas para todos os filhos, mas é claro e natural que o primeiro vem um pouco mais carregado delas. Tudo que trazemos em nosso próprio papel de filho e a ideia que fazemos de nossos pais influenciarão nesta nova relação.

E geralmente percebemos apenas dois caminhos: o que eu já sei sobre filhos baseado em minhas próprias vivencias familiares, ou tudo o que os outros sabem sobre a melhor maneira de criar filhos.

Então, à medida que a relação com nosso filho vai se desenvolvendo, percebemos que o primeiro caminho se sobrepõe a todos os outros. Ou seja, será inevitável eu agir conforme minha própria experiência, independente de todos os manuais. E ao contrário do que nosso imaginário acredita, essa relação é construída dia a dia.

O fato de sermos influenciados por nossos padrões familiares não necessariamente será algo ruim ou negativo. A verdade é que os filhos são uma ótima oportunidade para encararmos aquele monstro há muito tempo escondido e adormecido. Eles são aqueles que denunciarão, na maioria das vezes de maneira implícita e não verbal, que algo não vai bem no âmbito familiar. Em terapia de família é muito comum a criança aparecer como o problema e, no decorrer do processo, as questões do inconsciente familiar irem se revelando.

ATÉ 7 ANOS, CRIANÇAS REFLETEM COMPORTAMENTOS INCONSCIENTES DOS PAIS

Os filhos, principalmente até os 7 anos, percebem aquilo que transmitimos em nível inconsciente, implicitamente, mais do que explicitamente. Ou seja, o que você faz é mais importante do que o que você diz.

E geralmente até esta idade isso se manifestará nas crianças, na grande maioria das vezes, através de sintomas. Mas, mesmo após a primeira infância, os filhos continuam sinalizando algumas questões desafiantes que seus pais vivenciam.

Assim, como um exemplo, poderíamos pensar em alguém que traz a queixa de ter um filho mesquinho, teimoso ou birrento. Ampliando o olhar para os pais, poderíamos refletir sobre o quanto são presos às suas ideias, seus bens e pertences, suas verdades e dogmas. Claro que é só uma hipótese, mas a ideia é fazer refletir sobre o comportamento fazendo parte de um contexto familiar, e não como o problema de uma única pessoa ou da personalidade dela.

Em relação aos sintomas físicos, principalmente nas crianças pequenas, seria praticamente a mesma leitura, como se aquele sintoma fosse nos próprios pais. Se você tem o hábito de se perguntar, pesquisar e procurar entender o que um sintoma específico traz de recado do inconsciente para você, então, a ideia é fazer o mesmo para o sintoma do filho. Assim, por exemplo, se os pais vivenciam uma grande instabilidade emocional com brigas constantes, a criança pode vomitar, já que não consegue entender (ou digerir) bem o que está acontecendo ao seu redor.

HO'OPONOPONO PARA SEUS FILHOS: UMA FERRAMENTA DE CURA

Uma ótima ferramenta que pode lhe ajudar neste trabalho é o Ho'oponopono. Este método utilizado para limpar crenças limitantes, padrões de autossabotagem, bloqueios e todo tipo de memória negativa que carregamos ao longo de nossa vida, lhe ajudará a se autoconhecer e conhecer melhor seu filho.

Quando usamos as 4 frases do Ho'oponopono - Eu te Amo. Sinto Muito. Me perdoe. Sou grato(a) - limpamos ou purificamos todo e qualquer sentimento, comportamento, crença e sintoma relacionado à situação que nos causa desconforto.

Por exemplo, um filho doente causa bastante desconforto. Então, se os pais começam a limpar suas próprias memórias, isso pode ser influenciado positivamente na criança. Como os próprios pais estão olhando para suas questões inconscientes, que surgem como estas memórias e limpam-nas, as crianças não precisarão mais manifestar os sintomas para que os progenitores percebam estas memórias.

COMO PRATICAR O HO'OPONOPONO COM OS FILHOS?

Lembrem-se: as memórias surgem para serem libertadas. E as crianças fazem isso por nós, pois as memórias atuam através delas. Assim, ao identificar isto, comece a limpá-las, falando as seguintes frases para si mesmo: "Eu sinto muito. Me perdoe. Te amo. Sou grata(o)".

As frases podem ser ditas em silêncio ou voz alta. Não precisa falar diretamente para as crianças, mas, se sentir-se à vontade, pode fazê-lo também.

E mesmo se não houver nenhum sintoma em seus filhos, aplique o Ho'oponopono constantemente. Não há um número de vezes indicado, nem prazo. A ideia do método é que como temos muitas memórias acumuladas, a limpeza deve ser constante ou sempre que algo nos causar desconforto. Não precisamos esperar que elas se manifestem externamente para limpá-las. Elas já estão atuando a todo momento em nossas vidas. Manter a limpeza constante nos ajuda a trazer as memórias para a consciência e, com isso, é possível evitar que se manifestem como sintomas.

MINHA EXPERIÊNCIA COM O HO'OPONOPONO

 Sempre olhei para os sintomas de minhas duas filhas de forma simbólica, sabendo que elas expressavam algo do meu inconsciente. Quando incluí o Ho'oponopono na minha rotina diária, percebi que tinha nas mãos uma ótima ferramenta para lidar com a angústia da falta de controle de como meu inconsciente se manifestava nelas.

Como a ideia principal desta metodologia é assumir 100% da responsabilidade, a única coisa a ser feita, mesmo em relação aos sintomas das crianças é limpá-los!Nem sempre o sintoma some magicamente, mas em algumas ocasiões eles podem, sim, simplesmente desaparecer.

O que costumo fazer é compreender o que aquele sintoma pode estar sinalizando, como se fosse em mim mesma. As tosses, por exemplo, têm muita relação com algo externo que me incomoda e evito (ou não consigo) expressar verbalmente o desconforto que aquela situação ou pessoa me causou.

Assim, tossir é uma forma de expelir algo que traz desconforto. Então, neste caso, se este for o sintoma de minhas filhas, me pergunto de onde vem esta dificuldade em mim. E começo a purificar a situação.

Tenho notado que geralmente elas estão envolvidas na situação que causou o desconforto, mesmo que indiretamente. Também faço Ho'oponopono para a tosse e quaisquer sintomas relacionados, falando para minhas filhas as quatro frases. Sempre quando posso falo em voz alta para elas, pois assim também vão aprendendo.

Mas é bom esclarecer que de maneira alguma eu faço o Ho'oponopono visando a cura delas. Afinal, o único objetivo deste método é limpar memórias e nos trazer a paz e unificação com o Todo. Contudo, liberando as memórias em mim, também libero nelas.

PRÁTICA NÃO DEVE TRAZER CULPA AOS PAIS


A ideia de começar a prestar atenção nos sintomas e comportamentos dos filhos e como eles refletem suas próprias questões, não é para trazer mais culpa aos pais, que já é um sentimento tão comum. É simplesmente para ampliarmos o olhar sobre nós mesmos, termos a oportunidade de revisitar nossa história, emendar os fios partidos pelo caminho e fazermos uma reconstrução de quem somos verdadeiramente. Aliás, a culpa é uma baita memória, já limpou ela hoje? Culpa, sinto muito, me perdoe, te amo, sou grata!

Artigo originalmente publicado em Personare

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Como lidar com a autossabotagem usando os dedos e 4 frases

EFT e Ho’oponopono limpam memórias negativas que geram conflitos e crises

Neste conteúdo você aprenderá como usar duas técnicas simples, o EFT e o Ho’oponopono, para limpar crenças limitantes que geram crises na sua vida. Afinal, muito se fala de autossabotagem, que ela é causa de todos os seus problemas e a razão pela qual você não evolui na vida. Mas poucos param para questionar o que realmente este conceito quer dizer.

A partir do momento que chegamos ao mundo, somos bombardeados por informações de todos os lados. É isto que nos faz aprender a falar, andar, comer e crescer. Contudo, a grande maioria das informações que assimilamos refere-se a crenças e valores transmitidos por nossa família e, posteriormente, pelo meio social. Passamos por experiências que são muitas vezes nomeadas pelo outro. Assim, compramos algumas ideias (pois não temos outra saída) e agimos a partir delas. Muitos traumas poderiam ser evitados se a situação fosse percebida e nomeada de outra forma. Mas as pessoas (neste caso, nossos pais) agem a partir de suas próprias crenças e, assim, vão perpetuando suas convicções e formas de agir diante da vida.

Quando nos tornamos adultos, todas estas experiências vividas estão bem gravadas, inseridas em nossa mente. Tal como um programa de computador, rodamos muitas vezes aqueles aprendizados em nosso inconsciente, sem perceber. Deixamos estes aprendizados serem nossos guias. Assim, uma experiência infantil que ficou com uma carga emocional negativa pode se reproduzir na vida adulta.  Assim acontece a famosa autossabotagem. Vamos ao exemplo.

Imagine que quando criança você queria muito um par de patins, mas seu pai dizia que era cedo demais e que você ainda não era capaz de andar. Mas como você insistiu muito, seu pai cedeu. Na sua primeira experiência com os patins o pai estava ao seu lado, mas já um pouco impaciente com a relutância dele em te ver andar. Então, você começa bem, mas logo cai e se machuca. Seu pai, então, fica com raiva, pois você não tomou cuidado, e ainda afirma que já sabia que aquilo iria acontecer. Claro que este sentimento do pai nada tem a ver com você, mas com o medo dele mesmo de tentar e falhar, além de não conseguir lidar com essa situação. Mas ele não sabe disso, nem você. O que acontece é que você, então, além de ter se machucado, fica frustrado por não ter conseguido. Com isso, seu inconsciente fez um registro negativo desta situação. No futuro, pode ser bem difícil para você se arriscar em algo novo, seja no âmbito profissional ou pessoal. Talvez você esteja prestes a conseguir aquela promoção no trabalho e “sem querer” faz algo errado que faz com que a perca. Eis a autossabotagem!

Autossabotagem: quando o inconsciente quer proteger você
Percebe que, na verdade, seu inconsciente só quer lhe proteger? Ele registrou que houve uma experiência ruim no passado, quando você quis tentar algo novo, e agora não deseja vivenciar aquela situação de novo. Se fizermos uma análise das situações de conflito e crises em nossas vidas, certamente encontraremos padrões de autossabotagem ou crenças limitantes que se repetem nas mais diversas situações que vivenciamos.

E como fazemos ao perceber a autossabotagem em ação?
Primeiro: percebê-la já é um grande passo. Caso contrário, pode-se ficar em uma posição de vítima, reclamando que nada dá certo para você, e isto apenas irá lhe paralisar ainda mais. Se sabemos que ela está ali para nos ajudar, mesmo que de forma equivocada, podemos até ter um pouco mais de complacência por ela e compaixão por nós mesmos.
Segundo passo: o próximo movimento seria, então, a busca por compreendê-la e não permitir que ela se repita mais. Mas como fazer isso?

EFT e Ho’oponopono limpam suas memórias negativas
A autossabotagem está registrada como uma memória nossa. Em alguns casos, precisamos ir até a memória de origem, identificar o sentimento e limpar com alguma técnica. Eu utilizo duas, o Emotional Freedom Techniques (EFT) e Ho’oponopono, que, ao meu ver, se complementam perfeitamente. Elas tratam as memórias com o respeito que merecem e limpam a carga negativa que existe em cada situação.

O EFT (Emotional Freedom Techniques) é uma técnica bem simples, que trabalha com alguns toques em meridianos específicos, visando realinhar o sistema energético e permitir que as emoções negativas sejam liberadas. Já o Ho’oponopono é um método havaiano utilizado para limpar o inconsciente com a utilização das 4 frases: “Sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Sou grato(a)”. Assim, quando uma memória negativa emerge, podemos utilizar estas duas técnicas para fazer uma limpeza ou purificação.

No exemplo dado anteriormente, da memória de autossabotagem, poderíamos ir batendo nos pontos da EFT, relatando o problema atual que gerou o sentimento negativo, como se fossemos contar a alguém. Neste processo, podem surgir insights de outros eventos relacionados com aquele mesmo sentimento. Podemos ir seguindo estes insights até chegar à memória de origem. Assim colocamos em prática o EFT, para limpar a carga negativa, e incluímos os dizeres e outras palavras utilizadas no processo do Ho’oponopono para ajudar na limpeza.

As memórias querem ser libertadas tanto quanto nós. Assim, a aceitação, o amor e a gratidão são peças fundamentais de todo este processo. Não há uma maneira de apagar os traumas e eventos negativos que vivenciamos em nossa vida pregressa. Mas é totalmente possível eliminarmos todas as crenças e padrões negativos criados a partir delas. Com isso ficamos livres para deixar que nossos melhores potenciais emerjam e sejamos felizes.

Texto originalmente publicado em Personare
Vejo o vídeo com a explicação da junção das duas técnicas aqui: https://youtu.be/YZzTN55EjQU


quinta-feira, 13 de julho de 2017

Tartarugas podem voar!! Como ser você mesma de forma mais plena e feliz!


Vocês conhecem ou já ouviram falar de um conto famoso do Rubem Alves chamado A libélula e a Tartaruga. Nesta história a libélula e a tartaruga conversam sobre as vantagens e desvantagens de ser leve ou pesada. O conto é facilmente encontrado na internet e o desfecho talvez seja até bem previsível. Enfim, é melhor viver a vida com leveza mesmo correndo mais riscos, ou carregar o peso de viver em uma zona de conforto e apenas se proteger das dificuldades da vida?

Fiquei um bom tempo da minha vida me achando tartaruga. Trabalho com padrões familiares e claro percebia o quanto eu tinha todos os meus antepassados tartarugas antes de mim, e como eu poderia ser diferente? Então mesmo que me esforçasse e estivesse constantemente no meu processo de autoconhecimento, encontrar minhas crenças e padrões limitantes, ainda me esbarrava na minha história. Sou de uma linhagem de tartarugas e não posso ser diferente.

Mas não desisti. Continuei entrando mais e mais na minha história, acessando minhas memórias e crenças limitantes. Foi então que veio um sintoma que me fez parar para ouvir meu corpo. Porque os sintomas são as sirenes, os alarmes do corpo de que precisamos parar de evitar ou fugir de alguma questão importante para nosso amadurecimento. Conheci então a primeira ferramenta fantástica que me ajudou muito neste processo. A EFT.

EFT (emotional freedom techniques) ou acupuntura sem agulhas como é mais conhecida, é uma técnica que tem como objetivo reestabelecer o equilíbrio energético que geralmente é o causador de sintomas e doenças. Além disso, ela ajuda a trazer a tona, sentimentos, sensações e memórias relacionadas ao sintoma. Assim, é possível fazer uma ressignificação e limpar a carga negativa que a memória ou evento contém e que vai gerando as repetições e as crenças que nos limitam ao longo de nossa história.

A eficácia da EFT é impressionante. E por ser simples e permitir uma autoaplicação torna-se uma ferramenta importante para conseguirmos eliminar nossas crenças limitantes e pensamentos negativos que muitas vezes moldam nossa forma de viver a vida e encarar os desafios. Como já tenho uma experiencia tanto na clínica, quanto no meu próprio processo de autoconhecimento, que nunca termina, uso e abuso desta técnica.

Mas precisei de uma outra ferramenta que, ao meu ver, é tão essencial quanto a EFT no meu processo. O Ho’oponopono uma oração de cura havaiana que consiste em dizer quatro frases continuamente, se alia perfeitamente com a ideia da EFT e nos auxiliar a limpar e purificar memórias do passado. O Ho’oponopono parte do princípio que somos guiados por milhares de memórias negativas que vão apenas se reproduzindo em nossa vida de forma inconsciente. O objetivo é limpar e purificar todas as memórias até chegarmos ao nosso estado inicial que é de puro amor.

Utilizando as duas ferramentas juntas é possível limpar nossas memórias negativas, ressignificar eventos negativos do passado, eliminar crenças limitantes e principalmente descobrir nosso autoamor e o quanto somos únicos e especiais! Vamos percebendo que somos 100% responsáveis por nossa vida e podemos fazer dela o que desejarmos! Aceitamos quem somos, nossa luz, e paramos de delegar ao que está externo nossa felicidade! Tudo parte de nossa percepção e de como nós reagimos diante dos eventos, sentimentos e pessoas, então se há algo a ser mudado é em nós mesmos!


Assim, descobri o que precisava para ficar em paz comigo mesma. Com estas duas ferramentas percebi que o meu objetivo não podia ser me transformar em Libélula! Mas sim aceitar quem eu sou realmente, a Tartaruga. E que não importa quem somos e de onde viemos, mas sim o que fazemos com tudo isso, o significado que damos para tudo que nos representa. Então sim, podemos ser e fazer o que quisermos, apenas aceitando quem somos realmente! E aí descobri o que foi libertador: Tartarugas também podem voar!!!

Originalmente publicado em Personare (Postado aqui com adaptações)

sábado, 27 de maio de 2017

Síndrome de aniversário: quando datas significativas se repetem na família

Repetição de datas não é coincidência e transmite importante mensagem


Você percebe que na sua família costuma ocorrer algum acontecimento traumático relevante, mais de uma vez, ao longo de gerações? Ou, ainda, que datas de eventos distintos se repetem, tal como o nascimento de uma criança no mesmo dia da morte da avó deste bebê? Pode ser, também, uma mesma data de óbito que se repete no sistema familiar; pessoas que falecem com a mesma idade ou doença; acidentes em dias bem próximos, etc. Segundo um conceito bem intrigante que a psicóloga Anne Ancelin Schutzenberger traz, chamado Síndrome de Aniversário, isso pode não ser coincidência. A especialista verificou em sua própria família, e posteriormente confirmou com anos de estudo em clínica, que eventualmente datas significativas se repetem ao longo das gerações. 

O poder do inconsciente na sua vida 

A prática clínica e o meu próprio processo de autoconhecimento têm me ensinado muito a respeito do poder do inconsciente. Este algo que não está dentro de lugar algum e, ao mesmo tempo, nos toma por completo. Alguns especialistas dizem que somos 95% de mente inconsciente e apenas 5% de mente consciente. E podemos constatar este fato facilmente se pensarmos em nosso cotidiano, como aquelas atitudes e comportamentos que nomeamos de mecânicos e fazemos “sem perceber”. 

E a questão principal, mesmo que não acredite nela, é que você está sendo direcionado pelo seu inconsciente durante grande parte da sua vida. Nossa dinâmica familiar nos revela e oferece a oportunidade de tornar conscientes muitos comportamentos, sentimentos e atitudes que vão se perpetuando e se repetindo a nossa revelia. Somos movidos pela lealdade familiar inconsciente e a Síndrome de Aniversário também pode ser uma maneira desta lealdade invisível atuar. Já expliquei um pouco mais aqui, sobre como as crises familiares se perpetuam por gerações. http://www.personare.com.br/como-as-crises-familiares-se-perpetuam-por-geracoes-m6105 (coloquei o link aqui para vc direcionar) Segundo Schutzenberger, “o inconsciente tem boa memória, ao que parece; ama os laços de família e assinala os eventos importantes do ciclo de vida, pela repetição de datas ou idade”

Um bom exercício para saber se a Síndrome de Aniversário se faz presente para você, é fazer uma lista de datas de infortúnios ou acidentes graves ocorridos na sua família e fazer a pergunta: esses eventos se repetem em mais gerações? Talvez você encontre algum óbito, acidente ou infortúnio na mesma data (ou mesmo uma data próxima) a aniversários de nascimento ou casamento. Neste caso, um evento positivo pode estar relacionado a um evento estressante ou traumático para trazer à tona alguma questão que precisa ser revista.

Repetição de datas simboliza chance de dar um novo significado a uma ação ou sentimento

A repetição é uma forma de compreendermos aquilo que não foi assimilado no passado - por nós ou pelos familiares. Perceber uma repetição de datas relevantes pode significar simplesmente uma chance de dar um novo significado para uma ação ou sentimento. 

Para ilustrar, podemos pensar em quantas crianças nascem no dia do aniversário de vida ou morte de uma avó ou avô, por exemplo. E não necessariamente precisa ser no dia exato, mesmo uma data próxima já pode sinalizar alguma ligação entre a mãe e sua própria mãe/pai. Pode parecer estranho, a princípio, pensar que a data de um nascimento, a qual não temos controle na maioria das vezes, pode estar relacionada com algo do passado, mas é exatamente assim que age o inconsciente. E o inconsciente familiar é ainda mais poderoso, pois traz memórias de várias gerações. E mesmo quando planejamos conscientemente a data, pode ser que ela tenha relação com algum evento de duas gerações anteriores a nossa e nem sabíamos conscientemente disto. Mas o inconsciente sabe! 

Talvez identifiquemos a repetição de uma data e, por não ser algo relevante a priori, pensamos ser apenas uma coincidência. Como no exemplo citado, do caso do nascimento da criança no mesmo dia do aniversário de morte de sua avó, pode simbolizar algo que esta mãe precisa ficar atenta ao longo da relação com a filha. Talvez algum sentimento não resolvido com sua própria mãe, que pode vir à tona na relação com aquela filha no futuro. E não é preciso esperar os conflitos surgirem para que eles sejam resolvidos. Sentimentos mal elaborados, mesmo que acreditemos ser algo do passado, podem e devem ser trabalhados a todo instante. Isto faz parte do processo constante de autoconhecimento.

Proximidade de datas importante pode causar incômodos físicos ou emocionais

Pode ocorrer também, quando uma data importante está se aproximando (aniversário de morte de alguém, ou data de algum acidente ou grande perda no passado), começarmos a sentir física ou emocionalmente vários incômodos. Os sintomas, por também serem expressões do inconsciente, são ótimos sinalizadores de que precisamos olhar para nosso mundo interno e lidar com alguma questão inconsciente que nos impede de avançar em algum nível da nossa jornada. 

Certa vez atendi em consultório um senhor que estava muito transtornado por ter batido pela primeira vez em sua filha adolescente. Ele disse ter “perdido a cabeça” e não pensou para agir. Em nossa conversa, trouxe o sentimento de rancor que tinha do pai já falecido, que lhe batia constantemente, e por isso jurou nunca repetir esta violência com suas filhas. Fizemos, então, sua árvore genealógica, a fim de identificar as datas e os eventos mais relevantes da sua família. Foi possível constatar que o pai havia falecido com aquela mesma idade em que o senhor se encontrava na época das sessões. E mais: na época do falecimento do pai, ele tinha a mesma idade que atualmente tinha sua filha adolescente. Refletimos sobre a importância dele trabalhar seus sentimentos de raiva e rancor por seu pai. Poucos dias após esta sessão, o cliente - que já vinha fazendo exames de rotina devido ao histórico de problemas coronários - foi a óbito por infarto, tal como seu pai. 

Neste caso, o inconsciente sinalizou, por meio do evento com a filha, que algo do passado relacionado a sentimentos não elaborados pelo pai estava se “apossando” dele. E aí poderíamos nos questionar: “será que ele realmente precisava ter morrido nestas circunstâncias?”. Ou se ele tivesse limpado estes sentimentos relacionados ao pai poderia seguir vivendo em sua própria história? Neste caso, este paciente poderia ter se submetido a alguma técnica para trabalhar com traumas, como a EFT (Técnica de libertação emocional) ou a Constelação Familiar, para ajudá-lo a limpar estas emoções represadas. Neste exemplo, podemos lembrar da força que as lealdades familiares exercem sobre nós e refletir ainda mais longe: morrer nas mesmas circunstâncias foi a maior lealdade que ele poderia ter demonstrado ao pai.

Talvez nem sempre é possível ter olhos para ver tantas sincronicidades de datas em sua própria história. A presença de um terapeuta especializado em Psicogenealogia (psicoterapia baseada no estudo do inconsciente familiar em seus mais diversos aspectos e atuações) para auxiliar a desatar os nós, pode ser fundamental em determinados momentos. Mas é fato que é preciso dar a devida importância ao nosso inconsciente familiar, ao invés de negar sua existência. Afinal, ser adulto é saber se apropriar da própria história para fazer as escolhas de forma mais lúcida e consciente.

Originalmente publicado em Personare

quarta-feira, 17 de maio de 2017

SOBRE LOUCURA E AMOR


Dia 18 de maio é um dia de lutas no calendário!
No mesmo temos o dia nacional da luta antimanicomial e também do combate a exploração sexual contra crianças e adolescente. Minha ideia aqui é falar sobre Loucos e penso que isto diz respeito aos dois assuntos!

Primeiramente sempre tenho um pesar em saber que precisamos de dias para marcar lutas e combates. Parece que estamos sempre cultivando em nós algo no qual precisamos combater. Alguns dirão que isto é normal e até saudável já que maus hábitos, comportamentos fora do padrão e tudo que sai das regras sociais deve ser combatido. Mas gostaria de ampliar um pouco esta visão trazendo o assunto para dentro de cada um de nós.

O quanto de coisa tem aí dentro de você que você não gosta. Que pensa que precisa lutar e combater todo o tempo. Se agimos de uma maneira que nos prejudica, logo nos condenamos e martirizamos, e somos mesmo bom nisso, em nos julgar! Buscamos sermos alguém melhor a cada dia, mas para isso, odiamos aquelas partes nossas que não são bem vindas.

Fico pensando neste conceito que temos de normalidade. Porque se a luta antimanicomial continua é porque a sociedade ainda separa os loucos dos normais.  Normal é ser de uma família, trabalhando x horas por dia, com os filhos na escola e reclamando do governo. As neuroses que surgem em decorrer das escolhas também são normais. Trabalho em excesso, que leva a adoecimentos também é normal. Normal é ter filhos cada vez mais novos tomando medicamentos para ansiedade. Ter depressão já é quase ter uma dor de cabeça de tão normal que está se tornando.

Enquanto isto os loucos são excluídos. Estes que não querem viver conforme as regras do mundo. Que se voltam para mundos próprios, já que este mundo aqui está muito complexo e difícil de acompanhar.

Precisamos é de um dia Nacional do Amor pelo amor! Um dia que todos devem parar tudo que estão fazendo e dizer coisas amorosas para si mesmo e para os outros, mesmo para os que não gostam. Imagina como seria a energia de um dia assim no mundo... Alguém dirá que isto precisa ser constante, todos os dias, e eu mais do que concordo! Mas para nós que temos apenas dias de lutas e combates, um dia já será um grande passo.

E voltando lá atrás naquilo de negar e tentar extirpar aquilo que a gente não gosta na gente. E se a gente de repente aceitasse e amasse nossa loucura. Deixasse de querer agradar e viver a vida que os outros querem que a gente viva. E claro que os outros também pensam o mesmo, assim ninguém vive a vida que quer viver achando sempre que algo mais é esperado.  Se tirássemos da nossa ideia que há algo que precisa ser combatido e plantássemos a semente que há algo que precisa ser amado! Se parássemos de excluir aquilo que não gostamos e achamos ruim para olhar e aceitar com amor e compaixão.  Aceitar e amar cada parte nossa mesmo aquilo que não conseguimos nem olhar! Se tudo é nosso reflexo, então assim, só haveria amor! Parece louCura! Sim, talvez seja esta a Cura!


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

ALGUM PADRÃO FAMILIAR PREJUDICA SUA PROSPERIDADE?

Reflita se herdou dificuldades que impedem progresso na sua vida



É comum as pessoas chegarem ao meu consultório e desejarem uma mudança em alguma área da vida pela qual passa por uma crise ou conflito. Ao longo do processo elas refletem, fazem as tarefas solicitadas, mas, ainda assim, parece que continuam incomodadas pelas mesmas questões. Então, alguns se perguntam: "sabe aquela sensação que, por mais que queira e tome atitudes, sua vida não sai do lugar?" ou "é como se você estivesse preso em porta giratória e, por mais que tente, não consegue ir além". Talvez estas pessoas estejam vivenciando um fenômeno que o psicólogo francês Vicent de Gaulejac chamou de Neurose de Classe. 

Basicamente a neurose de classe é um mecanismo inconsciente que nos impede de ir além dos nossos antepassados. Já expliquei sobre a lealdade invisível neste artigo (Crises familiares), que diz respeito a algumas expectativas que existem e se fazem cumprir por todos os membros da família, e esta é uma das maneiras de ela atuar em nossas vidas. 

Mas como ela age e como identificá-la? Para saber se está preso nesta armadilha do inconsciente, analise profundamente suas questões, geralmente as profissionais e/ou financeiras. Responda as questões abaixo: 

Você ganha e perde dinheiro com facilidade? 
Tem histórico de falências em sua família? 
É o único da sua família que possui curso superior, mas não consegue se dar bem na carreira escolhida? 
Nunca consegue ser promovido, passar em provas, ou melhorar de emprego? 
Por mais que se qualifique, sempre sente que não está pronto para atuar em sua profissão? 
Ou consegue ter uma vida satisfatória profissionalmente, mas sente uma culpa inexplicável por ter uma boa situação financeira? 

Estas são apenas algumas questões que, se respondidas afirmativamente, podem ser indícios de que a lealdade invisível está atuando através da neurose de classe. 

CRISES E MEDOS QUE SOAM FAMILIARES PRENDEM VOCÊ À ZONA DE CONFORTO

Conscientemente queremos ter uma vida melhor que nossos pais ou avós tiveram. Mas como somos leais às nossas famílias, não nos permitimos o progresso, pois desta forma estaríamos traindo nossos antepassados. 

Além disso, existe o medo do desconhecido. Afinal, ficar em uma situação de crise ou conflito pode ser mais confortável, já que é mais familiar, do que mudar para uma vida que não sabemos o que nos espera. Parece incongruente, pois ninguém deseja sofrer. Mas o inconsciente cumpre as leis da família, e isto independe do sofrimento causado por alguma circunstância. É o caso das pessoas que vivenciam situações de sofrimento constante e ainda assim não conseguem fazer novas escolhas e realizar as mudanças almejadas. 

O mais difícil é romper com velhos padrões e regras da família para arriscar e traçar nosso próprio caminho. Mesmo porque pode ser uma questão de até 4 gerações passadas que vão se repetindo ao longo do tempo, até que alguém decida realmente realizar a mudança. Neste momento, a ajuda de uma psicoterapia que tenha este olhar sobre a família pode ser essencial. Apenas fazendo a árvore genealógica, identificando os padrões familiares e talvez realizando alguns rituais é que podemos honrar nossos antepassados e seguir um novo rumo em nossa caminhada. Negar as origens nunca será a solução. A ideia é compreender, aceitar e elaborar, para só assim conseguir realizar alguma mudança e sair do ciclo vicioso de caminhar sem sair do lugar. 

Originalmente publicado em Personare

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

CONFLITOS VISÍVEIS, LEALDADES INVISÍVEIS

COMO A REPETIÇÃO INCONSCIENTE DE CONFLITOS PODE SE PERPETUAR ATRAVÉS DE GERAÇÕES



Naturalmente todas as famílias estão sujeitas as crises ao longo de sua história, ou ciclo evolutivo. Mas não necessariamente estas crises precisam causar danos aos membros da família. As crises são momentos de instabilidade que são necessárias para impulsionar a família ao crescimento e evolução. Elas criam uma necessidade de reorganização das relações entre os membros e leva-os a descobrir novas regras para o funcionamento do sistema familiar.

Um dos pontos a ser observado é que geralmente, quando há alguma crise ou mudança de ciclo de vida familiar, é possível a constatação de algum padrão familiar que é transmitido através das gerações. É o que chamamos na Psicoterapia Familiar Sistêmica, de Padrões familiares transgeracionais.

A mudança do ciclo de vida e suas repercussões

Mas o que seriam os ciclos de vida? São as mudanças pelas quais toda família passa ao longo de sua existência. Como a saída de um filho de casa para morar sozinho. Ou um casamento. A entrada de um novo membro na família como o nascimento de uma criança. A saída de pessoas do sistema familiar com as mortes. Todos estes fatos representam uma mudança de ciclo de vida e são considerados estressores para qualquer família. A diferença é o modo como cada um vai se adaptar ao novo ciclo.

São nestes momentos que podem surgir padrões de repetição. Uma mulher que ainda não tem filhos e de repente engravida pode despertar o inconsciente para algum padrão disfuncional em relação a maternidade. Com isso, ela pode repetir com seu filho comportamentos que antes condenava em seus pais por exemplo. Ou ainda dois jovens que decidem se unir em um casamento. Os padrões de relacionamento que são aprendidos com a família de origem e não são bem elaborados são levados ao novo casamento podendo gerar conflitos ao novo casal.

Assim, cada nova etapa do ciclo de vida familiar, um novo desafio se apresenta aos membros do sistema. Cabe a cada um passar por essas transições sem deixar que as crises sejam de grandes proporções. Para isso é necessário que cada indivíduo possa compreender o legado transmitido pela família de origem, elaborando bem as questões não resolvidas em seus relacionamentos familiares, a fim de evitar que os problemas se estendam às relações afetivas ou se perpetuem na sua história individual.

A lealdade inconsciente que impulsiona à repetição

Contudo, há um fator de origem inconsciente que influencia sobremaneira nas repetições de padrões, e chama-se lealdade invisível ou inconsciente.

As lealdades invisíveis dizem respeito a algumas expectativas que devem existir e se fazer cumprir por todos os membros da família. É como um grande livro com bordas e escrita envelhecidas, no qual se contabilizam os créditos e débitos do grupo familiar, no qual conexões vão se estabelecendo entre as gerações, criando expectativas que irão influenciar todo o grupo familiar. Podemos pensar que cada membro que nasce, possui um papel pré-estabelecido e precisará cumprir com as obrigações e expectativas designadas pela geração anterior.

A lealdade invisível poderá permanecer no inconsciente do grupo e poderá se manifestar na mudança de uma etapa do ciclo de vida familiar, que como já descrito anteriormente, possui seus próprios fatores estressores. Uma das etapas mais estressantes é o nascimento do primeiro filho do casal e esta pode vir carregada de expectativas de ambas as famílias. Assim, os cônjuges podem iniciar seus conflitos a respeito dos papéis de cada um e da maneira como devem educar os filhos. Cada um pode desejar representar seus próprios papéis determinado por seus antepassados, fixando uma posição rígida para cumprir cada um a sua maneira sua lealdade ao seu grupo de origem.

Aceitar e re-elaborar o Legado

O legado familiar faz parte da história de qualquer indivíduo e, portanto, é inevitável. Contudo ele não precisa ser destinado aos descendentes de uma família como algo rígido e imutável. O legado deve ser elaborado internamente, comunicado, e, algumas vezes, reformulado, para que a família tenha maior flexibilidade e desenvolva padrões saudáveis de relacionamento.

Assim, com a herança familiar elaborada, cada membro familiar poderá compreender melhor suas escolhas e atitudes perante o outro. Os indivíduos poderão construir um contrato próprio quando na relação de casal, com os elementos que cada um deseja trazer de sua família de origem, aliados às experiências individuais de cada cônjuge. Desta forma, todos estarão cientes de suas atitudes e transformarão a relação, interrompendo o ciclo de repetição e transmitindo uma herança consciente e mais bem elaborada para as futuras gerações.

O mais importante é perceber que muitas vezes será necessário ser desleal ao sistema familiar para que o indivíduo possa ser leal consigo mesmo e assim reelaborar sua história e aproveitar o legado familiar de maneira mais consciente, madura e saudável. Com isso, ele ajuda a apaziguar não só seus próprios conflitos, mas em alguns casos e inconscientemente, os conflitos de toda uma geração de sua família.



Publicado em Personare com adaptações.

COMUNICANDO DE FORMA POSITIVA

COMO A MANEIRA DE OUVIR E SE COMUNICAR INFLUENCIA NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS


Aos poucos tenho trazido para vocês um pouco sobre a psicologia positiva. Hoje quero falar de como ela pode ser importante para melhorar seus relacionamentos. Nossa comunicação interpessoal está ficando cada vez mais difícil. É comum vermos casais sentados um ao lado do outro sem trocarem uma palavra enquanto estão trocando mensagens pelas redes sociais. Isso quando não se trata de uma família inteira em silêncio ao redor de uma mesa. Com isso as pessoas aos poucos vão desaprendendo a falar de forma assertiva o que desejam, pensam ou sentem.

Entretanto, a discussão da relação (“DR”) continua sendo temida e evitada (e as vezes motivo de piada), já que pressupõe-se que para ela ocorrer é sinal de que algo na relação não vai nada bem, pelo menos para um dos lados. Contudo, o que Shelly Gable, professora de psicologia da Universidade da Califórnia, pesquisou, foi que mais importante que saber conversar quando há um conflito é saber comunicar-se bem nas situações positivas. Ou seja, a forma como você comemora, pode ser mais preditivo de relações duradouras do que a maneira como você briga.

A ideia principal é saber ouvir o outro. Mas não basta ouvir, é preciso responder de forma mais positiva. Com isso, segundo a Psicologia Positiva, existem quatro formas básicas de responder, mas apenas uma delas fortalece os relacionamentos. São elas: Resposta Ativa e Destrutiva; Resposta Passiva e Destrutiva; Resposta Passiva e Construtiva; Resposta Ativa e Construtiva. A partir de um exemplo vamos ver como seria cada resposta.

Seu parceiro, amigo ou filho conta o seguinte fato positivo: “Acabei de ganhar mil reais em uma rifa que comprei para ajudar uma instituição.”

- Resposta Ativa e Destrutiva: “Aposto que você terá que pagar impostos sobre esse dinheiro. E quem fez a rifa está rindo dos bobos que compraram pois certamente ganharam muito mais do que essa ninharia.” Não verbal: mostra emoções negativas.

- Resposta Passiva e Destrutiva: “ah é... Eu tive um dia horrível no trabalho, e estou cheio de dívidas, nada de bom acontece para mim...” Não verbal: Pouco contato visual, dá as costas.

- Resposta Passiva e Construtiva: “Que bacana.” Não verbal: Pouca ou nenhuma expressão emocional.

- Resposta Ativa e Construtiva: “Puxa, que legal! Como foi que comprou essa rifa? É tão bom ganhar algo que não esperamos né? Dá para você fazer um monte de coisas bacanas! Viajar, comprar algo legal, investir! Espero que aproveite bastante sua sorte! Não verbal: mantém contato visual, mostra emoções positivas.

Resumindo:

CONSTRUTIVO
DESTRUTIVO
A
T
I
V
A
Quem responde mostra entusiasmo, excitação, faz perguntas, se mostra interessado, reforça positivamente, leva a conversa adiante, faz contato visual e sorri.
Quem responde endossa apenas o negativo. Encontra algum problema na questão que é dita. Sempre enxerga o lado ruim primeiro. Não apoia, mas critica.
P
A
S
S
I
V
A
Quem responde pode até sorrir e reconhecer, mas logo silencia como se não conseguisse render o assunto. Geralmente não tem muita expressão.

Quem responde mostra-se desinteressado, desvia, muda de assunto e faz pouco contato visual. É como se ignorasse o que o outro acabou de dizer.

Infelizmente as respostas destrutivas são muito comuns em nossas relações afetivas. E se não aprendemos a dar respostas ativas construtivas, pois muitas vezes nem recebemos esse tipo de resposta ao longo da vida, precisamos praticar para criar o hábito. Assim sugiro a vocês que treinem bastante. O primeiro passo é ouvir atentamente (e verdadeiramente) a quem lhe conta algo. Esse é o primeiro passo e geralmente o mais difícil pois também não fomos acostumados a ouvir os outros. Quando ouvir verdadeiramente tente responder animadamente, com incentivo, focando no positivo. Se não conseguir ainda ser ativo, ao menos não seja destrutivo em seu comentário. Se quiser escreva por algumas semanas sobre alguns diálogos, como respondeu e como poderia ser diferente. Com esta prática constante você perceberá como suas relações serão mais positivas. As pessoas desejarão estar mais ao seu lado. Assim, para que uma relação à dois seja fortalecida, mais do que aprender a brigar bem, é saber comunicar melhor. Com isso uma relação afetiva que pode estar boa, certamente ficará ainda melhor!