segunda-feira, 13 de maio de 2019

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Filme estrelado por Sandra Bullock nos lembra a importância de valorizar a mãe como ela é

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Para falar de mãe é preciso ter cuidado. Esta simples palavra é tão carregada de conceitos e deveres que para cada um terá um significado diferente. A verdade é que as mulheres que se tornam mães deveriam ser perfeitas, como a Mulher-Maravilha. Mas mesmo uma super-heroína tem suas fraquezas e a mãe, antes de entrar nesta categoria, também é uma mulher comum como qualquer outra. Assim, o que proponho é olhar para a mulher comum, já que será dela que virá a mãe perfeita. Sim, a mãe é perfeita, tanto quanto lhe é possível ser. E reconhecer isto é um grande passo para que possamos fluir em muitas áreas de nossas vidas.

BIRD BOX: UM EXEMPLO DE MÃE POSSÍVEL E NADA CONVENCIONAL

Talvez alguns se perguntem: “como um filme que fala de um mundo apocalíptico pode ser utilizado para ilustrar algo sobre mãe?”. Para quem não conhece, o filme da plataforma Netflix lançado em 2018 conta a história de Malorie (Sandra Bullock) que luta para chegar a um refúgio com duas crianças para escapar de criaturas misteriosas que, ao serem vistas, provocam várias mortes. Por este motivo, os protagonistas do filme precisam passar boa parte da história com vendas nos olhos. 

Malorie está grávida no início do filme e demonstra não ter o menor vínculo com a criança que trará ao mundo. A criança, que a princípio ela nem sabe se será menino ou menina, nasce em meio a invasão da criatura que leva as pessoas à morte. Ela ainda precisa salvar uma outra criança e assim consegue seguir com os dois: um menino (seu filho) e uma menina. A personagem de Sandra Bullock então precisa passar por grandes riscos acompanhada das duas crianças que ela inclusive não coloca nenhum nome, e os trata como “Garoto” e “Garota”. Em dado momento, quando é questionada por não ter batizado as crianças com algum nome, ela se irrita e diz que tudo que ela faz é tentar mantê-los vivos. E aqui chegamos ao ponto, em que esta mãe se torna um ótimo exemplo para a mãe possível. Mesmo a personagem passando por grandes perigos e protegendo as crianças da maneira que pode, ela é questionada por não dar afeto a eles. E em muitos casos reais as maiores queixas em relação às mães é a falta de afeto.

Muitos talvez digam que ela poderia ter colocado um nome e isto não mudaria em nada, mas é justamente esta cobrança que mostra a idealização que a palavra mãe carrega. Sim, a Malorie é a melhor mãe que aquelas crianças poderiam ter! E se você tiver coragem de encarar este filme verá que em dado momento ela consegue dar o afeto que eles buscam. O detalhe é que ela não age por ser o certo a fazer, ou por alguma cobrança externa, mas porque ela está pronta para isso.

 A MÃE QUE É PERFEITA PARA NÓS

Nas constelações familiares sabemos que a mãe perfeita existe e são todas as mães. Ela é perfeita pois realiza com perfeição a sua função de gerar, dar à luz. Apenas por este motivo ela precisa ser honrada e reverenciada de seu lugar de mãe. Afinal, foi ela, junto ao papai, quem nos deu a vida. E qualquer problema se torna ínfimo diante da grandeza a vida. Tudo mais que ela faz após a concepção é algo extra. Ou seja, não existe um direito a cobranças e exigências, apenas gratidão. E é esta postura que faz toda diferença na vida caso ela seja adotada.

 A lei da ordem, um dos princípios sistêmicos das constelações, descreve que diante dos pais os filhos serão sempre pequenos. Eles são os que deram a vida e os filhos receberam. Não há como pagar ou compensar algo assim. O que pode ser feito para compensar são os filhos transmitirem esse legado às futuras gerações. Reconhecer o lugar da mãe é estar em paz com nosso próprio lugar no mundo. Como mulher, ela pode ter vários defeitos, mas como mãe é perfeita apenas pelo fato de ter dado a vida. Simples assim.

 POSTURA QUE ABRE CAMINHOS

Honrar o lugar da mãe é uma postura de vida. Quando os filhos adultos continuam com exigências de afeto, queixas ou reclamações de como foram ou são tratados por suas mães, eles não se abrem para a vida. É como se interrompesse o fluxo da vida que passa através dela e assim também não fluem em alguma área da vida. Podem ficar presos em relacionamentos vazios que parecem não suprir um vazio ou necessidade de amor. Ou ainda, por mais que sejam competentes profissionalmente não conseguem alcançar o sucesso ou prosperidade.

Quando uma mulher passa a ser mãe então ela terá a chance de revisar toda a relação com sua mãe através dos filhos. Se ela continuar impedindo o fluxo de amor que vem da mãe certamente exigirá dos filhos que supram esta necessidade. Com isso, a desordem continua. Da mesma forma que uma mulher é a melhor mãe que pode ser à sua filha ou filho, a mãe dela era a melhor que podia ser para ela, assim como a mãe da mãe, e a mãe da avó, e todas as gerações anteriores. E se este amor foi interrompido em algum momento basta uma pessoa olhar para o seu próprio lugar e adotar a postura correta. Não é possível restaurar o fluxo de outra pessoa, apenas o seu. Então, é refletir do seu próprio lugar de filha ou filho, e independente de todas as falhas que você acredita que sua mãe cometeu, é reconhecer a grandeza dela diante de você. Dentro do seu coração, no fundo da sua alma reverenciá-la como alguém grande, que antes de você nascer já tinha suas dores e vivências e talvez também seus próprios emaranhamentos. Mas o seu papel não é julgá-la, criticá-la e nem mesmo ter pena dela. Apenas concordar com quem ela é e tomar tudo que ela deu à você! Assim você poderá se abrir para a vida e a tudo que ela pode oferecer!

Texto originalmente publicado no Personare: https://www.metrojornal.com.br/personare/2019/05/09/bird-box-um-exemplo-de-mae-possivel-e-nada-convencional.html

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

COMO SUPERAR UM CORAÇÃO PARTIDO?

Conheça ferramentas que ajudam a entender as questões inconscientes que prejudicam a relação

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Proponho que você imagine a seguinte cena: você conhece aquela pessoa que acredita ser o amor da sua vida. Porém, de repente ele ou ela vai embora e você se depara com a solidão. Pode ficar um tempo sofrendo pela perda, com o coração partido. Então, você encontra de novo outro alguém que faz seu coração pulsar mais forte. Você, então, pensa: “Agora vai dar certo!”.

Mas como uma reprise de um filme antigo tudo se repete e novamente há a dor de uma separação e de estar novamente só. Se este filme voltará a se repetir outras vezes, depende apenas de você. É possível interromper a repetição ao tomar consciência de quem você realmente é, do que espera da pessoa parceira, e qual a sua forma de se relacionar.

Talvez precise olhar para a síndrome do coração partido para compreender os motivos que o levaram a sofrer tanto. Para isso, pode ser importante rever os padrões de relacionamento pelos quais você se guia, as relações em sua família de origem e quais aspectos inconscientes podem estar te impedindo de estar livre para um relacionamento e seguir em frente após uma separação. O trabalho é todo seu, mas há ferramentas que podem ajudar.

ANTES DO CORAÇÃO PARTIR

Todos querem saber como superar uma separação e seguir em frente. O que se esquece é a importância de compreender como tudo se desenrolou até o momento da ruptura. Se esta atitude não for tomada é provável que a situação se repita no próximo relacionamento e isto dificulta ainda mais seu processo de superação no futuro. Assim, apesar de toda a dor que gera um coração partido, é preciso sentar, avaliar e refletir sobre o que ocorreu.


Muitas vezes, a pessoa que se percebe como abandonada se sente como uma vítima, como se não tivesse nada que poderia ter sido feito para mudar. Contudo, é comum que este, na verdade, tenha sido quem provocou a ruptura do relacionamento, mesmo que não tenha tomado a atitude do término. É claro que esta é uma dinâmica inconsciente, um processo de autoconhecimento pode desvelar para a pessoa esta percepção.


É possível perceber quando um relacionamento está chegando ao fim. Normalmente, sente-se que algo não vai bem e, ainda assim, evita-se olhar para o problema e o assunto é evitado. Desta forma, não podemos dizer que seja surpresa quando tudo desmorona e o coração quebra junto. Há sinais a serem observados, inclusive em você mesmo. E se ainda assim você se sente a vítima, talvez seja a hora de se atentar para os detalhes, compreender melhor e tentar assimilar qual é o grande aprendizado que a situação traz.


SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO: COMO EVITAR?

Ninguém entra em um relacionamento sem trazer uma “bagagem”. Cada um carrega consigo as crenças e padrões relacionais adotados em sua família de origem. Exatamente por isso surgem os desafios. São pessoas distintas se relacionando, criadas de forma completamente diferente e que agora buscam compartilhar uma vida em comum.


As expectativas podem ser completamente irreais de um ou ambas as partes. Assim, é importante, após o primeiro momento no qual a paixão domina, ter a serenidade para olhar para o outro tal como ele é.


A tarefa é desafiante porque muitas vezes necessita-se da criação de um novo modelo de relacionamento, diferente da família de origem. Isso pode gerar uma culpa inconsciente de estar sendo desleal. Mas é assim que nasce um relacionamento real e duradouro.


COMO SUPERAR UMA SEPARAÇÃO?

Existem questões que interferem na intensidade da dor de um término. Se a cada fim de relação você sente que é o fim do mundo, talvez esteja chorando por algo do passado que ainda não foi superado. É importante avaliar o caminho percorrido nas relações afetivas.


Geralmente a ruptura com o primeiro grande amor é mais dolorosa. Pode acontecer de você, na ânsia de amenizar a dor, mergulhe em outra relação antes de superar a anterior. E assim, você passa a esperar do novo compromisso algo que na maioria das vezes é impossível de obter. Avalie, então, a intensidade do coração partido e veja se é proporcional ao ocorrido.


Aceite que o luto precisa existir. É importante viver a dor e não ignorá-la. Recolha-se por um tempo. Faça uma revisão de tudo o que ocorreu. Tente perceber quais padrões moveram você e a pessoa parceira, qual a responsabilidade de cada um em tudo o que ocorreu. Assumir a sua responsabilidade é parte essencial no processo de crescimento, afinal é a sua vida e são suas escolhas.


FERRAMENTAS QUE AJUDAM NA SUPERAÇÃO

Há algumas ferramentas que podem ajudar no processo, indico a união do Ho’oponopono com a EFT (Emotional Freedom Thecniques), que ajudam a entender a origem da dor. Os pontos da EFT – técnica que utiliza as pontas dos dedos para estimular partes específicas do corpo – podem ajudar você a se lembrar de alguma etapa anterior de sua vida na qual também se machucou. Ao identificar a raiz da dor, permita-se liberá-la do seu inconsciente.

Se é a primeira vez que se depara com o coração partido, utilize a EFT para expor todo o sentimento presente na situação. Associe com o Ho’oponopono utilizando as quatro frases – sinto muito, me perdoe, eu te amo e obrigado – para cada aspecto da situação que percebe como negativo. Assim, você pode liberar toda a dor sem deixar nada pra trás e seguir em frente.


SEGUINDO EM FRENTE

Apesar do sofrimento, é possível continuar na mesma relação mesmo que o outro tenha partido seu coração. Faça um balanço para compreender o processo e perceber se havia expectativas irreais quanto ao relacionamento. Tente perceber se é você que não quer continuar e está apenas buscando uma saída sem sentir-se culpado. O mais importante é buscar a conexão com nosso eu verdadeiro. Conecte-se com a real intenção de perceber a dinâmica inconsciente por trás do ocorrido.

Talvez você se decepcione algumas vezes mais ao longo de sua vida afetiva.

LEMBRE-SE QUE A FRUSTRAÇÃO É SEMPRE DO TAMANHO DA EXPECTATIVA DE CADA UM.

Algumas vezes o outro não terá como oferecer o que você espera. Mesmo porque algumas necessidades que são levadas ao relacionamento afetivo advém da relação com os pais, por exemplo. Pode ser que você esteja esperando que a pessoa parceira preencha necessidades advindas de suas relações familiares.

Entrar em um relacionamento com questões anteriores mal resolvidas, talvez até de forma inconsciente, pode prejudicar bastante a relação e levar ao término. Afinal, ninguém é capaz de preencher as necessidades do outro. Cabe a você o trabalho de olhar para dentro e compreender as forças inconscientes que estão guiando suas escolhas. Aproprie-se de quem você é, daquilo que falta e o que você busca nas relações. Somente assim é possível ter maturidade nas escolhas e expectativas realistas em relação ao outro.

Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/como-superar-um-coracao-partido-m42810 (23/02/2019)

Nasce uma Estrela: reflexões sobre o equilíbrio entre dar e receber


Resenha sobre filme indicado ao Oscar faz ligação entre a relação dos personagens e as leis da Constelação Familiar


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Nasce uma Estrela” ganhou sua quarta versão em 2018. O filme, elogiado pelo público e crítica, é estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper. Com um enredo consistente e profundo, trata de assuntos delicados de forma sensível e. No decorrer da história, é possível perceber como o contexto familiar é responsável por criar movimentos que interferem na vida e nos relacionamentos dos personagens.

O filme poderia ser definido como a jovem talentosa que conhece um músico famoso e decadente. Eles se apaixonam instantaneamente e ele é responsável por lançá-la ao estrelato. Mas, nesta versão mais recente, esse resumo não comportaria a grandeza que as relações familiares são tratadas.

O filme propõe algumas reflexões sob a ótica da constelação familiar, como a Lei do Equilíbrio entre dar receber.


A terceira Lei Sistêmica de Bert Hellinger: o equilíbrio entre o dar e receber


Bert Hellinger é o criador dasAs Leis Sistêmicas, propostas por Bert Hellinger são ordens que assumem um papel fundamental no equilíbrio das relações familiares. Hellinger, psicoterapeuta alemão que desenvolveu a teoria da Constelação Familiar, percebeu como esta lei atua nas relações amorosas ou em qualquer relação entre iguais. Quando não existe hierarquia dentro da relação (como ocorre entre pais e filhos, por exemplo) a lei do equilíbrio atua como balizadora entre dar e receber. Essa ordem faz com que as relações fluam de maneira saudável e satisfatória para ambos.

No filme “Nasce Uma Estrela”, é possível perceber como este equilíbrio começa a atuar para depois desaparecer, algo que é comum nos relacionamentos da vida real.

A personagem de Lady Gaga, Ally, conhece o cantor famoso Jackson Maine e eles logo se apaixonam. A princípio, Jackson oferece muito mais do que Ally pode retribuir, e lança a carreira da jovem, que se transforma em uma cantora reconhecida.

Durante o relacionamento, a dependência química de Jackson se intensifica e Ally, por sua vez, pode retribuir e cuidar do cantor quando o vício começa a afastá-lo dos palcos.

Em um dado momento, por conta da sua doença, Jackson não mais pode se doar para a“dar” na relação, e passa apenas a receber os cuidados de Ally. A crise maior se instala na vida do casal, quando ele se dá conta que sua parceira é capaz de abrir mão da própria carreira para apoiar o cantor.

O emaranhado na família de origem de Jackson Maine

Em diversos momentos do filme, o personagem interpretado por Bradley Cooper faz revelações sobre problemas e dramas familiares: uma mãe que morreu durante o parto e um pai alcoólatra, já são elementos suficientes para compor uma dinâmica familiar densa, que contribui para o fracasso do cantor.

Esta dinâmica pode ser explicada pelas duas outras Leis da Constelação Familiar: o Pertencimento e a Ordem/Hierarquia.

A Lei do Pertencimento

Essa lei determina que todos têm direito ao pertencimento, independentemente de suas ações. Caso alguém seja excluído, todo o sistema se desestabiliza e, geralmente, alguém precisa expiar a exclusão, ou seja, pode entrar em algum processo inconsciente de autossabotagem que o levará rumo ao fracasso. Esta seria uma maneira de incluir novamente aquilo que foi excluído do sistema familiar.

Assim, tanto a morte precoce da mãe, como o vício do pai do personagem Jackson, representam fatos que são comumente excluído em diversas famílias, já que são situações que geram dor e sofrimento.


A Lei da Hierarquia

Já a lei da hierarquia determina que quem chega antes ao sistema tem prioridade. Ou seja: é preciso honrar e respeitar aqueles que chegaram primeiro.

No filme, esta lei é violada. Em vários momentos, o cantor critica e julga o falecido pai por seus atos. Além disso, parece repetir a mesma dinâmica com o irmão mais velho. Esse comportamento é considerado como uma deslealdade ao sistema e, de forma inconsciente, a compensação ocorrerá de alguma forma.

O cantor se iguala ao pai em seu vício, o que pode ser entendido como uma forma de compensar essa deslealdade, se tornando igual a quem tanto criticou.

Culpa inconsciente

Ao analisar toda a dinâmica familiar que atuava sobre Jackson Maine, seria possível dizer que sua relação com Ally tendia ao fracasso. Nas versões anteriores do filme, talvez isso não fique tão evidente.

O fato de sua parceira ascender na carreira de forma meteórica não foi o que causou sua destruição. E sim, a dinâmica pela qual ele já estava envolvido e, infelizmente, não conseguiu perceber de forma consciente.

A culpa inconsciente por prosperar e viver de forma plena, enquanto os pais fracassaram ou morreram cedo demais, acompanha a vida de Jackson.

Assim, só o que restou ao cantor foi seguir o destino deles, de forma cega, por amor e lealdade.

O filme provoca uma intensa reflexão sobre as relações afetivas quando as leis sistêmicas são desrespeitadas. Fora isso, também nos mostra como os padrões familiares podem se repetir devido às lealdades inconscientes.

Desde que nascemos, nossa estrutura familiar exerce uma influência enorme em nossas crenças, gatilhos e comportamentos.

A Constelação Familiar acredita que somos regidos pelas ordens do amor e devemos honrar e reverenciar nossos ancestrais. Assim, para que a vida flua com leveza é preciso respeitar a hierarquia. Para isso, é importante perceber o equilíbrio de troca nas relações e não excluir nada nem ninguém, pois todos têm direito a pertencer.

Quando encaramos todas as situações ou questões que despertaram sofrimento, podemos desenvolver uma nova ótica sobre esses episódios e passamos a perceber alguns fatos e episódios com mais amor e cuidado.

Dessa forma, é possível ressignificar traumas e colocar em ordem uma série de questões que nos travam e nos causam sofrimento. Então, talvez um destino traçado de forma trágica possa ser alterado, desde que antes possamos reconhecê-lo e aceitá-lo tal como é.

Artigo originalmente publicado em https://www.personare.com.br/nasce-uma-estrela-reflexoes-sobre-o-equilibrio-entre-dar-e-receber-m42697 (21/02/2019)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Você vive se sentindo culpado? Saber origem da culpa evita autopunição

Aprenda a lidar com esse sentimento e resgate sua autoestima. Às vezes é preciso ajuda para se libertar

por Maria Cristina


Um dos grandes obstáculos para ter uma autoestima saudável é o sentimento de culpa, que pode causar angústia e impedir o avanço em direção aos seus objetivos. Sentir culpa é natural, mas geralmente há uma força inconsciente por trás. 

As culpas imaginárias e transgeracionais (transmitidas através de gerações da família) são as mais perigosas pois podem prejudicar aos poucos nossa autoestima e causar sentimentos de angústia e tristezas intensas. É necessário compreender esse sentimento e entender como ele surgiu, para buscar soluções e maneiras positivas de lidar com ele.

De onde vem o sentimento da culpa?

É necessário prestar atenção quando a culpa vem à tona e fazer algumas perguntas: 

Algo foi feito efetivamente para gerar este sentimento? 
Um fato ocorreu e alguém foi prejudicado? Ou é o seu próprio julgamento que lhe condena? 
Há um motivo para a culpa ou é simplesmente um sentimento com o qual você convive na maior parte do tempo?


Como resolver o sentimento da culpa

A culpa mais fácil de resolver é a concreta, que surge a partir de algum ato cometido. Neste caso, mesmo que seja doloroso, é uma oportunidade de aprender e melhorar a autoestima. Para isso é preciso ter integridade e reconhecer o erro cometido. Caso alguém tenha sido prejudicado, faça algo para reparar ou minimizar os danos. Procure entender os motivos que te levaram a agir desta maneira, aceite e reconheça a sua responsabilidade. Então se comprometa a estar mais consciente daquele comportamento e não permitir que se repita. 

Essas atitudes aumentam a autoestima, pois nos responsabilizamos pelos erros e aprendemos com ele. Em contrapartida, não reconhecer e ficar apenas no papel de culpada (o)s, tende a paralisar você e impedir que a mudança e o crescimento ocorram. Ficar constantemente se desculpando sem rever as atitudes prejudica tanto a autoestima, quanto sua evolução pessoal. 


O que fazer quando não souber identificar a origem da culpa

As culpas que são presentes de uma maneira constante em nossas vidas podem ser derivadas de crimes imaginários, aquilo que acreditamos ter cometido em algum momento. Elas estão presentes no inconsciente e com isso fica mais difícil de identificar sua origem, já que qualquer fato cotidiano pode ativá-las. Contudo, se procurarmos ir mais fundo no processo de autoconhecimento, podemos achar o estopim deste sentimento que representa uma autopunição.

Segundo os doutores Lewis Engel e Tom Ferguson autores do livro “Seis Crimes Imaginários”, existem algumas formas de culpas ocultas que podem gerar algum processo de autopunição ou autossabotagem. Abaixo, explico melhor sobre os crimes imaginários abordados por eles:

Crime de suplantar

Ocorre quando alguém se sente culpado inconscientemente por ir além da sua família, ou seja, é bem sucedido em alguma área que os pais e/ou irmãos não foram.

Crime de sobrecarregar

Ocorre quando alguém pode carregar sentimentos que foram um peso para a família, devido a alguma doença, deficiência, ou até maneira de ser. Estas pessoas podem ter ouvido de maneira constante quando crianças que só davam trabalho e causavam transtornos.

Crime de roubar amor

Gera culpa inconsciente naqueles que foram mais destacados que seus irmãos ou mais valorizados por um dos pais. Estas pessoas podem sentir que receberam mais atenção e cuidados, por qualquer razão, e com isso os outros tiveram menos afeto. Aqui podemos incluir o crime do sobrevivente. Se um pai ou irmão morre, podemos sentir culpa por estarmos vivos ou sentir que fomos responsáveis pela sua morte (muito comum em adultos que perderam pais ou irmãos quando eram crianças).

Crime de abandono

Pode surgir quando saímos da casa dos pais ou mudamos de país para viver uma vida mais independente. Se os pais ficam tristes e infelizes com a ausência, a culpa pode se instalar de forma inconsciente.

Crime da maldade básica

Diz respeito a inúmeras mensagens negativas ou negligência que foram vivenciadas na infância que futuramente faz o adulto acreditar que é mal apenas por existir.

O crime de deslealdade

Cometido quando criticamos duramente os pais, desrespeitarmos regras familiares ou rejeitamos algo importante para a família como a religião, profissão ou estilo de vida. De certa forma todos os outros crimes também dizem respeito a uma lealdade familiar invisível.

A culpa oculta gerada por cada um destes crimes pode nos prejudicar em diversas áreas da vida, gerando algum tipo de autopunição que prejudica nosso sucesso, intimidade, prazer, espiritualidade ou vida social. A autossabotagem que se repete muitas vezes em determinada área pode estar relacionada a essa punição que nos infringimos por algum crime imaginário.

Reconhecer nossa atitude aqui e agora para ir além

Calma! Se chegou até aqui e se identificou com todos os crimes, não se desespere nem se culpe mais ainda, há solução!

Antes de qualquer coisa, se pergunte se não está se apegando a culpa. Você pode se perguntar: porque alguém faria isso? Se simplesmente nos denominamos culpados por tudo, isso gera passividade e imprime a impressão de que não precisamos fazer nada para ir além. Você envia a mensagem: “Não espere nada de mim”, e assim não se desafia a ser diferente. Esta postura prejudica nossa autoestima que tende a ser baixa a medida que vamos acumulando culpas e mais culpas em nossa conta interna. 

O melhor a fazer é reconhecer e se responsabilizar pelos erros cometidos. Talvez seja possível reparação, ou não. O mais importante é o desejo de ir além. Liberar as culpas que não nos pertencem é o grande desafio.

Precisamos aprender a dialogar com nosso inconsciente. Nós temos a sabedoria interna que pode nos absolver de todos estes crimes. Faz parte do processo de autoconhecimento, que deve ser constante. Um bom exercício para fazer é escrever. Ter um diário e começar a registrar seus sentimentos. Com isso, você começa a se apropriar e a reconhecer cada situação do passado que pode lhe assombrar. 

Outro exercício é fazer duas listas, uma de objetivos, o que deseja para cada área de sua vida, e outra de obstáculos, o que acha que te impede de conseguir tudo isso que listou. Nesta segunda lista devem aparecer as crenças que te limitam, que provocam autopunição e lhe impedem de avançar. É muito importante não negar nada, por pior que pareça. 

O primeiro passo para que seja possível mudar algo é reconhecer e aceitar que existe. A medida que você aceita e até concorda com a culpa tal como é, pode assumir uma postura de adulto e está pronto para lidar com ela e suas consequências. Contudo, se a culpa for muito oculta talvez seja necessária a ajuda de um profissional para lhe ajudar a cavar mais fundo.

O que é a culpa transgeracional?

A culpa transgeracional pode ser transmitida até quatro gerações, e em alguns casos, apenas com um estudo mais profundo da genealogia (árvore genealógica mais simbólica) é que será possível trazer à consciência as causas da autopunição. A ideia é que possamos estar mais conscientes dos sentimentos no momento presente para ampliar nossa capacidade de autopercepção e não mais sermos dirigidos por fantasmas do passado e condenados por crimes imaginários. Isso sim é libertador!


Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/voce-vive-se-sentindo-culpado-saber-origem-da-culpa-evita-autopunicao-m40856
Publicado aqui com pequenas alterações.


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

APRENDA A VIVER O ANO NOVO TODOS OS DIAS

Quatro ferramentas para ajudar você a solucionar conflitos e ver transformações na sua vida 

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Com o ano novo chegando é comum surgirem muitos sentimentos ambíguos. Em alguns momentos podemos sentir ansiedade e angústia por mais um ano que termina e a vida não ter mudado tanto quanto gostaríamos. Num outro extremo, sentimos que pode ser a chance que esperávamos para agora sim renovar tudo de uma vez. Nestes dois pólos, entretanto, a probabilidade é que nenhuma mudança se concretize. Começa assim um ciclo vicioso: a esperança de que seja diferente, seguida da frustração por tudo parecer igual. Parece um ciclo impossível de ser quebrado, mas o que precisamos, na maioria das vezes, é de organização, consciência e determinação. 

 ORGANIZAÇÃO PARA 2019 

O primeiro passo para se organizar é voltar para o momento presente. Talvez você tenha problemas em todas as áreas da vida e a falta de organização pode gerar ainda mais. O ideal é você listar tudo o que você considera ser um problema. Enumere por prioridade. Qual é o mais desafiante? Comece por ele. Com seu maior problema em vista, você pode escrever tudo a seu respeito: se há outras pessoas envolvidas, há quanto tempo ele existe, se há outras pessoas da sua família que tem o mesmo problema e o que você já fez para tentar resolvê-lo. Até aqui não há nenhum exercício de reflexão, apenas organização. 

 CONSCIENTIZE-SE E SE CONECTE COM VOCÊ 

Agora que sabe qual o problema que realmente deseja resolver, está na hora de compreendê-lo melhor. Muitas vezes para resolver um problema atual precisamos dar uma volta ao passado. Se é um sintoma ou doença grave, problemas que se repetem como fracassos profissionais ou falências, relacionamentos imersos em crises conjugais ou familiares, talvez seja o momento de buscar mais informações sobre a família de origem e seus antepassados. Caso esteja vivendo algumas destas questões, o melhor é não demorar muito para buscar uma ajuda profissional. O grande problema é se acostumar com a dor e acreditar que a vida é assim mesmo: cheia de conflitos, sintomas e infelicidades. É importante ter consciência do quanto você poderia viver melhor caso compreenda a função do problema na sua vida, e tirar uns minutos para estar em sua própria companhia e meditar ou refletir sobre seus antepassados. Você conhece a história deles? Devemos saber quem são eles, como viviam suas vidas, pois através do inconsciente familiar podemos estar carregando problemas antigos que são transmitidos através das gerações. 

ASSUMA SUA RESPONSABILIDADE E TENHA DETERMINAÇÃO 

Ao olhar para nossos problemas e história pregressa, o sentimento de culpa pode aparecer. Neste momento é importante assumir a responsabilidade pelas falhas e seguir em frente. Não deve haver culpa quando há tantas escolhas inconscientes. Mas é necessário assumir a responsabilidade pelo fato de ter estado inconsciente dos problemas por tanto tempo para então seguir em direção a solução. Você pode ter a ideia de iniciar uma psicoterapia, mas acabar desistindo em seguida ao se dar conta de que as mudanças não ocorrem de forma instantânea. É importante a determinação para encarar todos os fantasmas do passado que podem estar influenciando no agora. Não somente assumir e encarar o problema de frente, como também reconhecer que existe a força para transformá-los.

4 FERRAMENTAS PARA AJUDAR NA SOLUÇÃO DOS CONFLITOS ACUPUNTURA SEM AGULHAS 

Sempre indico duas metodologias que qualquer um pode usar facilmente desde que tenha disciplina. A primeira é a EFT ou acupuntura sem agulhas. Ela indica que por meio de leves batidas em alguns pontos específicos podemos liberar a emoção ou crença armazenada através dos meridianos de energia. 

HO’OPONOPONO A outra é a técnica de cura Hawaiana, Ho’oponopono, que ajuda na limpeza de memórias. Segundo este método, os problemas que vivenciamos no agora foram criados no passado e você deve utilizar quatro palavras, “sinto muito”, “me perdoe”, “te amo” e “sou grata” para liberá-los de sua vida. As duas ferramentas mencionadas são excelentes e devem ser utilizadas de maneira contínua, podendo trazer resultados a curto, médio ou longo prazo. Pode depender da gravidade do problema e também da ligação com outros problemas e pessoas do passado. 

CONSTELAÇÃO FAMILIAR Contudo, há um terceiro recurso que, ao meu ver, pode trazer um resultado mais imediato, denominado Constelação Familiar. Um método criado pelo alemão Bert Hellinger que é baseado em três leis sistêmicas que atuam no inconsciente familiar: ordem da hierarquia, equilíbrio de troca e direito de pertencer. Nesta metodologia, caso uma das leis seja desobedecida no sistema familiar, um ou mais integrantes podem sofrer a consequência. Nos problemas mencionados anteriormente, é bem comum haver um desequilíbrio na família de origem, com alguém excluído ou fora de seu lugar. Se algo se repete frequentemente na sua história ou de sua família, ou é um problema que persiste durante muitos anos, talvez uma constelação possa lhe ajudar. Tal como no Ho’oponopono, mesmo que seu problema tenha relação com outras pessoas ou questões, você deve trabalhar em você para trazer os efeitos desejados. Mas da mesma forma, mesmo que a solução seja mostrada, nem sempre as pessoas conseguem dar o passo necessário em direção a ela, e mais uma vez, as outras técnicas mencionadas, bem como a psicoterapia, também podem ajudar. 

Por último, você já anotou seu sonho hoje? Se nunca pensou nisso, saiba que está perdendo uma grande oportunidade de dialogar com seu inconsciente e trazer para a consciência o que realmente lhe impede de fazer mudanças em sua vida. Os sonhos, assim como os sintomas, são a maneira mais frequente que o inconsciente utiliza para trazer a mensagem que precisamos naquele momento. Anotar o sonho e buscar a simbologia que ele traz certamente irá lhe direcionar para uma vida mais clara e portanto, mais plena. Entenda o significado dos seus sonhos O mais importante é agir! Se você continuar acreditando que nunca irá mudar, então assim será. Lembre-se que para ter um ano novo não é preciso uma mudança no calendário, mas sim em você. E você pode começar agora. 

UMA DICA DE FILME: PROCURANDO NEMO E PROCURANDO DORY 

Talvez os fãs da peixinha azul tenham lembrem da frase: “Se você não fizer nada, então nada vai acontecer”! Sim ela foi dita por Dory para seu amigo Marlim enquanto o mesmo procurava seu filho Nemo. Dory foi tão protagonista na primeira animação que ganhou uma outra com seu nome na continuação da história. Indico estes filmes pois elas refletem bem o fato de que mesmo com limitações, sempre temos a escolha de seguir em frente ou não. Dory é um exemplo de alguém que vive a vida de forma leve, vivendo o agora e não deixando que suas limitações a impeçam de seguir em frente. Ela não vê desafios, apenas oportunidades. Na história que leva seu nome, há um momento que Marlim e Nemo se forçam a agir como a amiga para tentar encontrá-la, e se fazem a pergunta: “O que a Dory faria? Uma coisa é certa: ela não desistiria”. Que possamos nos fazer a mesma pergunta diante das dificuldades que surgirem. E se houver dúvida, faça como ela: continue a nadar, não desista!

Originalmente publicado em Personare: https://www.personare.com.br/aprenda-a-viver-o-ano-novo-todos-os-dias-m37810

TERRIBLE TWO: APRENDA A LIDAR COM A ‘CRISE DOS DOIS ANOS’

Três dicas para agir na hora da birra dos bebês


 A relação entre pais e filhos sempre traz novos desafios. Geralmente se inicia antes do nascimento, no planejamento da gravidez ou na adaptação ao novo ser que está para chegar. Uma oportunidade de crescimento e evolução para pais e filhos. Uma das fases mais desafiantes é a que ocorre entre dois e três anos e que alguns especialistas nomeiam como “terrible two”, “crise dos dois anos” ou ainda “adolescência infantil”. De repente aquele ser tão frágil e delicado, totalmente dependente de você, começa a gritar, bater e chorar compulsivamente por motivos irrelevantes ao nosso olhar. Achamos que erramos em tudo que havia sido feito até o momento para gerar aquele pequeno tirano que surge em nossa frente. Por volta dos dois anos, aquele bebezinho que era atendido em todas as suas necessidades começa a perceber que ele e a mãe não são um único ser Achamos ainda que precisamos rever todas as nossas técnicas e habilidades, apelamos para livros e manuais com dicas de “como fazer”. Muitas vezes precisamos apenas parar e nos conectar com o que ocorre no interior daquela pessoinha – e, claro, no nosso íntimo também.

O BEBÊ E SUAS PRÓPRIAS EMOÇÕES

 Percebo que o que mais nos atrapalha é a velha máxima: “O que os outros vão pensar de mim?”. Estamos sempre querendo nos mostrar como pais perfeitos, e quando o “nosso” filho não age conforme esperado as cobranças internas, que irão se refletir no externo, começam a acontecer. Mas estamos diante de um ser em formação que chega a um novo mundo precisando aprender sobre tudo, inclusive sobre suas emoções. Por volta dos dois anos, aquele bebezinho que era atendido em todas as suas necessidades começa a perceber que ele e a mãe não são um único ser. Percebe ainda que precisa lidar com emoções que não tinha consciência e que surgem de repente. Se sente fome, sono ou algo o chateia, a criança ainda não tem o recurso que os adultos têm – ou ao menos deveriam ter – de lidar de forma prática com as questões. Eles sentem e expressam da maneira instintiva que sabem: chorando, gritando ou batendo. E é neste momento que, em um segundo, as águas calmas se transformam em um tsunami. Muitas vezes basta um não para ficarmos diante de reações intempestivas e totalmente imprevisíveis, que nos fazem fantasiar mil maneiras inconvenientes e impronunciáveis sobre como nos livrar daquela situação. Então respiramos fundo e lembramos que ali tem apenas uma criança em desenvolvimento e que se alguém precisa ter as emoções sob controle somos nós, adultos. 

TERRIBLE TWO: E QUANDO ACHAMOS QUE NÃO PODE PIORAR…

 Então chega a adolescência. E não, não se passaram 12, 14 anos! Ela também existe na infância e ocorre por volta dos três anos, podendo durar até os cinco. Nessa fase, eles querem fazer tudo sozinhos. Se acham independentes e não aceitam ajuda em nada. Aqueles rompantes emocionais de outrora vão surgir a cada vez que você tentar impedi-los de fazer o que desejam. Agora é o momento dos filhotes reafirmarem a independência. O processo interno ainda é de reconhecimento e exploração das emoções. Contudo, conforme o tempo passa, as crianças vão se apropriando dos sentimentos que são nomeados e conscientizados pelos adultos que as cercam.

 RESPEITAR A INDIVIDUALIDADE SEM COMPARAÇÃO

 Todo este processo irá acontecer de formas diferentes para cada criança. Não adianta querer enquadrar o filho em um manual de desenvolvimento infantil saudável. Cada um irá se desenvolver à sua própria maneira e em seu ritmo. Todas irão passar pelas reações tempestuosas em algum momento, pois faz parte do desenvolvimento, descoberta e regulação das emoções. Mas a forma como cada criança vai passar é diferente. Por isso é impossível definir uma idade exata. Alguns com um ano e meio já demonstram o carrossel de emoções. Outros passam por estas fases de forma mais amena e tranquila. Não há regra. O fato de ter irmãos ou não também pode influenciar muito a dinâmica. O importante é não comparar e não nos apegarmos a ideias fixas e expectativas.

 CUIDADO PARA NÃO PREJUDICAR A AUTOESTIMA DO SEU FILHO

 É comum que os pais peçam, em meio ao turbilhão emocional dos filhos, que eles “engulam” o choro, que ofereçam algo caso parem de chorar ou algo do tipo. Sei que é tentador querer parar um descontrole emocional da criança assim que ele começa, mas estas atitudes parecem resolver a curto prazo, mas podem ser extremamente prejudiciais ao longo do desenvolvimento da criança. O que comunicamos com isso é que eles não podem sentir o que sentem, então criamos adultos que escondem, não sabem lidar ou simplesmente desconhecem suas emoções. Há algo ainda mais grave implícito em recados deste tipo, como: “Você só é amado ou respeitado quando se comporta bem, ou como eu quero, segundo a minha visão.” Depois não entendemos como alguém pode ser tão emocionalmente dependente quando adulto e se sujeitar a relações afetivas disfuncionais e até abusivas. Ainda mais importante do que aquilo que falamos é o que fazemos. Se em um momento de raiva falamos algo que nos arrependemos depois, basta reconhecer, conversar e expressar seus próprios sentimentos à criança. Da mesma forma, as atitudes agressivas e repressoras podem falar mais que qualquer elogio ou palavra bonita.

 ESTEJA CONSCIENTE DO MOMENTO PRESENTE

 O aprendizado é saber viver no desconhecido, se adaptar e agir com espontaneidade. A cada momento lidar com o desafio que surge como uma oportunidade de ensinar e também aprender algo sobre si. A primeira infância é a fase da criança na qual ela mais expressa tudo aquilo que está à sua volta. Perceber isto é um grande passo em nosso próprio desenvolvimento e evolução. Não podemos controlar como a criança vai reagir. Como nós reagimos a ela, sim. Se não conseguimos estar conscientes de nossas próprias emoções, como conseguiremos ensinar a elas como regular seus próprios sentimentos? Para esta tarefa, precisamos estar conscientes do momento presente, das emoções que emergem em nós e, principalmente, não levar para o lado pessoal. A criança nesta idade não faz nada para lhe provocar propositalmente. Ela é uma exploradora do mundo, aprendendo sobre emoções e até onde pode ir. Cabe aos pais e cuidadores propiciaram o ambiente seguro, respeitando e nomeando suas emoções e colocando os limites necessários. Não há um manual do que fazer para lidar com os momentos insanos dos pequenos. Mas o primeiro passo é estar consciente do momento presente. Muitas vezes é possível prever que o tsunami vai começar. Para isto podemos ficar atentos à rotina que a criança mantém e se algo está fora dos padrões. Assim, talvez seja possível evitar alguns rompantes emocionais desnecessários. Mas caso ele aconteça de repente, tente falar com seu filho calmamente ou apenas estar perto.

 TERRIBLE TWO: COMO AGIR NA HORA DOS ROMPANTES?

 Muitas crianças reagem de forma agressiva e podem se machucar, e é preciso contê-las. Talvez em um abraço firme, mas carinhoso. Caso ela se debata muito, certifique-se que não há nada próximo que ela possa se machucar e deixe que ela extravase a emoção. Muitas vezes a presença e o silêncio são suficientes para fazer o pequeno voltar a si. Alguns pais que ficam muito nervosos podem se afastar, avisando à criança que estarão ali por perto. Se estiver em um local público, não se intimide pelas pessoas e seus olhares julgadores. A sua relação com seu filho é mais importante que a relação com os estranhos ao seu redor. Ou seja, não há regras nem uma garantia do que irá funcionar. Você precisa sentir e experimentar. É importante se conectar com você e com seus próprios sentimentos, lembrar que diante de você está uma criança que precisa da sua ajuda. Se estiver sendo tomado pela raiva, frustração ou impaciência, respire por um instante e se pergunte: o que eu quero comunicar? Apesar de cada um reagir da sua maneira, tenho certeza que a resposta para esta pergunta não pode ser muito diferente de: amor. Educar filhos é um desafio para uma vida toda. E em cada fase haverá suas particularidades e aprendizados. O essencial é saber curtir cada etapa com presença e amor. Assim poderemos aproveitar nossa própria jornada no autoconhecimento ensinando e aprendendo com nossos pequenos grandes mestres.

Publicado originalmente em Personare: https://www.personare.com.br/terrible-two-aprenda-a-lidar-com-a-crise-dos-dois-anos-m35123

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

COMO APROVEITAR AS LIÇÕES EMOCIONAIS QUE AS CRIANÇAS NOS PROPORCIONAM



É possível tornar-se um adulto mais consciente a partir da observação e aceitação das crianças que convivem conosco


Resultado de imagem para imagem pais e filhos



Uma maneira bem simples de resumir a vida poderia ser: crescer, estudar, formar em alguma faculdade, trabalhar, conhecer alguém, se unir a esta pessoa, ter filhos e começar o ciclo de novo através deles. Parece simples, mas pode causar muito sofrimento e angústia para toda uma família caso não seja executado de forma consciente, ou inclusive, questionado. A primeira coisa a fazer é desapegar. Brigas entre pais e filhos se dão em sua grande maioria pois queremos que nossos filhos sigam um roteiro, não qualquer um, mas o nosso. Aliás, como eles são “nossos” filhos isto pode parecer que temos o direito de dizer para onde devem ir e qual caminho seguir. Engessando nossa forma de lidar com as crianças acabamos perdendo uma grande chance de olhar para nossas próprias dificuldades emocionais e quem sabe até encerrar algum ciclo de repetição que vem sendo transmitido através das gerações.


Filhos, uma grande oportunidade de conhecer a si mesmo


Aquela pessoinha nasce e começa a se tornar tudo aquilo que simplesmente é e não tem nenhuma relação com aquilo que esperávamos que fosse. E aí começam os problemas. E eles ocorrem pois na maioria das vezes não sabemos ser diferentes daquilo que aprendemos, e esperamos que as crianças sigam por um caminho semelhante, cômodo e seguro. O desafio é grande, mas pode também ser bem promissor!


Se até aquele momento não havíamos investido tanta energia para olhar para dentro e conhecer nossos aspectos mais íntimos, o contato com uma criança nos proporciona uma grande oportunidade. Aquele ser que está sob nossos cuidados nos traz a cada dia um encontro com nossa própria essência.


Cada reação emocional da criança diz respeito ao processo interno dela e do que ela capta do ambiente à sua volta. Este é um processo natural que toda a criança passa. Mas a forma como reagimos a isso diz respeito a nós!


Observar suas próprias reações é fundamental

Nos momentos mais desafiantes no relacionamento com os filhos, ou com alguma criança ao nosso redor, precisamos nos tornar conscientes e acessar de onde vem aquela emoção ou reação. Se a criança manifesta sua raiva sempre de forma explosiva e desproporcional, e isso sempre gera incômodo nos adultos mais próximos, como cada um está lidando com sua própria raiva seria uma boa pergunta a ser feita.

O que ocorre na maioria dos casos é que as pessoas estão tão distanciadas de quem são de verdade que também não são capazes de entender ou aceitar que os filhos sejam como são. Algumas vezes buscam ajuda de um profissional para a criança, mas nem cogitam em também buscarem ajuda. Quando o caminho natural seria primeiro o adulto buscar ajuda para si, para então compreender a criança em seu contexto.

Se até aquele momento não havíamos investido tanta energia para olhar para dentro e conhecer nossos aspectos mais íntimos, o contato com uma criança nos proporciona uma grande oportunidade. Aquele ser que está sob nossos cuidados nos traz a cada dia um encontro com nossa própria essência.

Claro que a família pode estar tão imersa em padrões e conflitos familiares inconscientes que não percebe a grande oportunidade de mudança que a criança traz. Sendo, mesmo sem saber, a porta voz destes conflitos. Muitas vezes a repetição de padrões disfuncionais ocorre a várias gerações e é mesmo necessário um grande desejo de modificá-los e quebrar o processo que se perpetua.


Aceitar erros e fracassos é um grande passo


Uma boa maneira de tentar ser mais consciente é trazer a consciência para o momento presente e observar o que passa pelo pensamento e sentimentos nos momentos de conflitos. Se os “tem quês” dominam os pensamentos talvez você esteja simplesmente cumprindo roteiro enrijecidos baseados em padrões aprendidos com a família de origem. Será que é possível flexibilizar? Não podemos ressaltar mais o ser que o fazer?

Certamente é preciso conduzir as crianças mais novas a aprender como fazer boas escolhas e serem mais conscientes de si e de seus sentimentos. E não tenho dúvidas que os adultos fazem sempre o melhor que podem. Mas para realmente fazer o melhor que podemos, deveríamos ao menos saber quem somos de verdade! Isso não implica em ser perfeito e nunca errar, pelo contrário. Aceitar a imperfeição e que lidar com os erros e fracassos faz parte da vida adulta e é um dos grandes ensinamentos a serem transmitidos.


Em busca da autoconsciência


No livro “Pais e mães conscientes”, de Shefali Tsabary, encontrei algumas perguntas que provocam nossa autoconsciência. Compartilho com vocês para ajudar neste processo de autoconhecimento.


Qual é a missão da minha vida?





Sinto-me realizado internamente?





Como torno o meu dia a dia significativo?





Vejo-me em constante carência e necessidade?





Sinto-me como uma pessoa sem recursos ou tendo fartura?





Sou capaz de simplesmente me sentar com meus medos essenciais, compreendê-los, agir como amigo deles e liberá-los?





Examinei meu passado e vi que estou representando um roteiro de vida particular com base na minha família de origem?





Sou capaz de ver meus padrões recorrentes observando como meus relacionamentos com as outras pessoas se desenrolam?





Estou ciente de como projeto minhas emoções nos meus filhos e cônjuge?





Como processo minhas emoções quando sou provocado?





Como processo eventos negativos na minha vida?





Eu me permito ficar sentado com minhas emoções e observá-las, em vez de reagir a elas?





Sou capaz de viver num estado de consciência?





Sinto-me pressionado a constantemente preencher meus dias com uma atividade após a outra, ou sou capaz de ficar sentado comigo mesmo, pelo menos uma vez por dia, e entrar em contato com o meu silêncio interior?


Envolvo-me em atos que promovem a minha conexão comigo mesmo, ou tenho estado tão ocupado que perdi essa conexão interior?





Baseei inconscientemente os pilares do sucesso de meu filho na sua habilidade para “fazer”, produzir e conseguir?





Quanta pressão coloco sobre meu filho para que se torne a pessoa que desejo que ele seja


quem ele é naturalmente?





Olho para meu filho e constantemente o vejo por tudo que ainda precisa se tornar, ou sou capaz de ficar tranquilo com ele e encantado com tudo que já é?





Como ensino meu filho a ter conexão interna?





Como vejo a vida? Ela é benevolente ou perversa? A resposta depende da circunstância em que me encontro?



Publicado originalmente em www.personare.com.br 

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O que fazer com os pensamentos/sentimentos negativos??


Olá!

Vem comigo falar um pouco sobre os pensamentos negativos (atitudes e comportamentos também)!
Assunto que não se esgota assim podem vir outros vídeos por aí sobre as mesmas questões...