terça-feira, 23 de julho de 2019

Heal - O Poder da Mente e capacidade de cura do corpo humano (Funciona mesmo?)

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O documentário Heal - O Poder da Mente, que estreou no serviço de streaming Netflix em 2019, traz como tema o poder da mente para a cura de sintomas físicos. Nele são mostradas diversas entrevistas com personalidades entre cientistas, médiuns e líderes espirituais e abordados casos de curas físicas a partir de tratamentos alternativos. 

Não é necessário entrar nos aspectos científicos e talvez controversos da utilização de tratamentos exclusivamente naturais para cura de doenças graves. Contudo,mesmo diante de algumas críticas ao documentário pela sua parcialidade, há um caso relatado que mesmo diante de alguns tratamentos não pôde ser curado. Assim, é possível refletir que além do poder das crenças sobre o organismos, é preciso considerar também os emaranhados sistêmicos que atuam nas pessoas.

A diretora Kelly Noonan,que conduz a pesquisa e direciona o documentário, escolhe dois casos para acompanhar. Um de mulher que tem câncer e o outro uma doença não diagnosticada que produz grandes alergias e feridas na pele. O primeiro caso foi o bem sucedido e o segundo não. Contudo, nos dois é possível levantar aspectos sistêmicos que não são abordados no documentário. 


Um olhar das leis sistêmicas sobre os casos de Heal O Poder da Mente


A primeira mulher leva uma vida extremamente saudável: alimenta-se bem, se exercita, parece ter ótima vida social e estar literalmente de bem com a vida. O diagnóstico é mesmo uma surpresa para ela e seus amigos. Isso nos leva a refletir sobre os limites para alterar um destino e algumas questões podem surgir: 

Será que alguém mais em sua família teve câncer? 

Como era a relação dela com seus pais? Eles morreram cedo? 

Algum irmão morreu, mesmo antes de nascer? Ou talvez algum tio teve uma doença crônica ou um destino difícil? Há exclusões, ou seja, alguém ou algo foi esquecido ou não pode ser lembrado? 

Estas perguntas talvez ampliassem a compreensão de que, para além dos cuidados com a saúde, é preciso olhar para todos os antepassados com amor e gratidão. Todos devem pertencer e a hierarquia precisa ser respeitada. Estes são os princípios da constelação familiar, que nos mostra que as leis sistêmicas que atuam nas relações não podem ser desrespeitadas. 

Para Bert Hellinger, organizador do método, muitos sintomas são apenas expressões de um emaranhado sistêmico, ou seja, que algo está fora de ordem no sistema familiar. Se uma das três leis -pertencimento, ordem ou equilíbrio - for negligenciada há consequências para um ou mais integrantes do sistema familiar. Geralmente quem assume a carga mais pesada é quem mais ama e quer “salvar” a todos. Contudo este amor é chamado de “amor cego” pois acaba por perpetuar dores e sofrimentos com sua lealdade inconsciente. 


Porque a EFT não funcionou em Heal o poder da mente?


Durante os relatos da segunda mulher para a terapeuta de EFT ela é indagada sobre suas vivências em família. Ela conta que precisava cuidar da mãe e que o pai havia ido embora de casa quando ela ainda era muito jovem. Elas fazem algumas rodadas de EFT sobre as emoções que emergiam dela ao lembrar e falar de sua família de origem. Mesmo assim a cliente tem uma piora e precisa tomar fortes medicamentos para conter a crise. 

A EFT é um método eficaz para liberar crenças limitantes e até curar alguns traumas. Contudo como qualquer outro método é apenas uma ferramenta. A cliente liberou as emoções naquele momento mas será mesmo que ela estava disposta a mudar sua postura? Uma das leis sistêmicas que atuam nas relações entre pais e filhos é a ordem.Na minha visão, é possível notar que ela claramente foi invertida a partir do relato de que a cliente cuidava de sua mãe, além d e um tom de crítica e julgamento quando ela se refere aos pais. 

Também há uma cena onde ela aparece com a filha e permitindo que a filha cuide de suas feridas. Com isso, ela perpetua o emaranhado no qual a mãe já se encontrava, e ainda se torna leal à mãe,repetindo a inversão de papéis com sua própria filha. A mudança de postura seria concordar com os pais como eles são, reconhecer seu lugar de filha e pequena diante deles e da grandeza da vida que lhe foi dada. 


Como ampliar o olhar, mas sem perder de vista a realidade.

É preciso lidar com os sintomas, sejam quais forem, com cuidado e respeito. Eles são uma expressão de nosso inconsciente e muitas vezes trazem a luz dinâmicas ocultas em nossas relações que talvez de outra forma não fossem vistas. Não há apenas um caminho e uma solução.

O olhar sistêmico pede uma integração de fatores em busca da melhor solução. A medicina tradicional tem seu lugar assim como a medicina alternativa. O desejo de eliminar algo por si só pode ser prejudicial, pois de algum forma estou novamente excluindo algo que pertence àquele sistema. 

O mais importante é observar qual a postura que prevalece em você. Assim será possível ampliar o olhar sobre o sistema familiar, se perceber como um indivíduo que faz parte de um grupo que é movido por leis e refletir sobre qual delas pode estar sendo ignorada ou desrespeitada. 

As ferramentas existem e podem ser úteis, tais como a EFT e a própria constelação familiar. A medicina, tradicional ou não, existe para trazer alívio às dores e sofrimento. Mas acreditar que o poder de solução é exclusivamente externo é tirar a sua própria responsabilidade. 

Por outro lado, se acreditar que tudo depende exclusivamente de você e sua forma de pensar, pode também excluir fatores importantes e desconsiderar que você faz parte de um sistema familiar e social que precisam integrar o processo.Desse modo, ampliar o olhar é assumir a própria responsabilidade, compreender as leis sistêmicas que nos regem e respeitá-las em seu íntimo. Assim, integrando todos os fatores, a vida flui e o destino - seja ele qual - for é honrado e respeitado.



Vídeo relacionado:


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Filme 7 minutos depois da meia noite: um olhar para a sombra e para a força que vem de nossas raízes

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Faz algum tempo queria assistir ao filme 7 minutos depois da meia noite (A monster calls/2016). Então resolvi conferir e tive um grande surpresa com tamanha profundidade sobre questões familiares em um filme que a princípio parece ser um terror que fala de monstros. Claro que vai muito além disso.

O monstro é uma metáfora para nossa sombra. E o melhor é que é de uma criança. Pois quem disse que crianças não tem sombra. A sombra faz parte do inconsciente e começa a ser formada assim que nascemos. O garoto do filme passa por um processo turbulento em sua vida. Sua mãe está em fase terminal de câncer e ele sofre bullying na escola. Além disso tem pesadelos repetitivos envolvendo sua mãe. Então, ele "cria" o mecanismo lúdico de exteriorizar sua sombra. E ela é vista através de uma árvore que ganha vida e começa um intenso diálogo com o garoto.

Algumas questões são bem bacanas para refletir. As histórias contadas pelo monstro árvore abordam questões de perdas mas sem nomear ou julgar quem é bom e quem é mau. Exatamente a forma como devemos encarar nossa sombra. Ela não é boa nem má, apenas guarda em si todos os aspectos que excluímos em nós, e muitas vezes aquilo que é nomeado como negativo, mas também talentos não vividos e escondidos. 

No filme a árvore exerce um bom papel de sombra do garoto. Como se com ela ao seu lado ele estivesse autorizado a extravasar suas emoções. E assim ele pode colocar toda sua raiva para fora. E este é um ponto muitíssimo sensível que é abordado no filme. Uma criança que passa pela perda de um dos pais fica muito zangada. A raiva é um bom esconderijo para o medo e a tristeza e esta é mais difícil de ser abertamente manifesta, então a raiva entra em cena. A raiva é justamente pela sensação de abandono oculta na situação. E no caso do garoto ainda ocorre dos pais serem separados e ele não poder morar com o pai. 

A criança vive um turbilhão de emoções quando se depara com a morte. Principalmente se precisa adotar um outro lugar, como o de cuidadora, a forte ou autossuficiente. É como se ela não tivesse mais o direito de ser apenas uma criança que requer cuidados e precisa deixar toda a emoção de lado para passar por este momento tão confuso. A forma como os adultos lidam com a morte ou a iminência dela é que fará toda a diferença. 

No filme é como se árvore, a sombra ou mesmo suas raízes (já que é uma árvore) é que lhe ajudam a atravessar o momento. A árvore o ajuda a enxergar sua dor. Interessante que ele buscava ser punido de forma constante como se fosse o culpado tudo aquilo. E quando o colega da escola disse que não iria mais bater nele pois ele não merecia ser visto, então ele conseguiu colocar toda sua raiva para fora. Ser visto era a única coisa que ele queria!! 

Assim ocorrem também com os excluídos em nosso sistema familiar. O que eles querem é serem vistos. Assim que isso acontece eles não precisam exercer alguma influência inconsciente no sistema. E sim, a dor também pode ser excluída se não for encarada de frente. E foi isto que a árvore do garoto lhe ensinou. Ele precisava aceitar que não era função dele salvar sua mãe, e nem era sua culpa que tudo aquilo ocorria. Simplesmente era este o destino. E quando ele finalmente conseguiu reconhecer que não poderia salvá-la, conseguiu colocar para fora seu medo de perdê-la e a tristeza decorrente disso também. Então a raiva já não era mais necessária e todos ficaram em paz.

Não é por acaso que o monstro é uma árvore. Geralmente é lá no em nosso sistema familiar, em nossas raízes que iremos encontrar a força para atravessar os momentos mais desafiante. 


terça-feira, 11 de junho de 2019

Pais tóxicos existem? Como superar os conflitos e dificuldades em nossa família de origem

Pais tóxicos realmente existem? Como lidar quando aqueles que mais deveriam amar, supostamente, mais causam os danos? 

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A palavra “tóxico” refere-se a qualquer substância ou agente nocivo que, ao entrar em contato com o organismo, pode causar grandes danos à saúde de um  indivíduo. Não sei ao certo quando essa palavra começou a ser utilizada nas relações interpessoais. Mas é no mínimo estranho pensar que alguém é capaz de entrar na vida do outro com quem tenha alguma relação íntima apenas com objetivo de ferir e causar dano, ainda mais quando se trata de um pai ou de uma mãe. Então, será possível? 


Convido você a esquecer um pouco o termo tóxico e tudo que ele representa e a refletir sobre pessoas e relações. Quando algo é nomeado de maneira intensa e negativa cria-se um rótulo difícil de superar. Mas às vezes designar um rótulo negativo a algo tem a função de extravasar uma dor profunda que necessita ser expressa e nomeada de alguma forma. E talvez seja também a maneira mais comum que é escolhida para descrever determinada relação que lhe fez mal, ainda mais em se tratando de seus pais.

Para utilizar uma terminologia com um teor tão destrutivo, possivelmenre  é assim que você se sente: destruído. Pode ser que olhe para sua vida e veja como a influência das ações de seu pai ou sua mãe tem enorme efeito negativo em suas relações, inclusive com você mesmo. E então na ânsia de respirar e ter uma nova vida, talvez você queira esquecer do passado ou excluir um ou outro definitivamente. 

Dessa forma, você estará simplesmente esquecendo de você mesmo pois, queira ou não: você É seus pais! 

A leis ocultas que regem os grupos familiares

E se eu te dissesse que a solução para lidar com eles é justamente oposta de excluí-los de sua vida?! Para compreender melhor este processo é preciso ter em mente que existem algumas leis sistêmicas que atuam em todas as famílias. As leis são: Pertencimento, Ordem e Equilíbrio. Quem percebeu melhor a forma destas leis atuarem nas famílias foi Bert Hellinger, disseminador do método que auxilia na cura das relações em famílias conhecido como Constelação Familiar. 

Segundo o terapeuta alemão, quando há conflitos severos nas famílias certamente alguma lei está sendo negligenciada, ou mesmo todas elas. Se a lei do Pertencimento é desconsiderada, alguém da família poderá ser excluído, geralmente por julgamento moral. Com isso, todo o sistema familiar sofrerá as consequências. 

Assim, mesmo que alguém cometa um crime ou algum ato grave contra outro membro do sistema familiar não pode ser excluído e esquecido, caso contrário, as gerações futuras podem compensar essa exclusão geralmente repetindo comportamentos, fazendo sintomas ou criando ciclos de autossabotagem. 


A lei da Ordem por sua vez diz sobre a hierarquia existente onde quem vem antes tem prioridade e deve ser reconhecido como tal. Em relações entre pais e filhos esta é a lei mais atuante. O problema irá ocorrer quando a ordem é invertida e filhos acham-se no direito de serem maiores que seus pais, julgando, criticando, condenando, excluindo ou até mesmo com cuidados excessivos.

Segundo Hellinger, há três padrões comuns entre pais e filhos que são prejudiciais para ambos: 
O padrão mais comum ocorre quando os filhos se recusam a aceitar os pais como são, fazendo críticas ou julgamentos morais;
Uma segunda dinâmica ocorre quando os pais querem dar algo aos filhos que pertence ao destino deles próprios e que é prejudicial. Neste caso, aquilo que os pais conquistaram ou sofreram devidos às suas próprias escolhas e circunstâncias pessoais e que não foi herdado de uma geração anterior, também não pode ser transmitido à geração seguinte. Contudo é comum que os filhos, por amor, assumam dívidas, doenças, obrigações e até injustiças sofridas ou infligidas.
E por último, uma dinâmica bem comum é a inversão da ordem chamada parentificação, quando os pais tentam receber dos filhos e os filhos tentam dar aos pais. Podem ser filhos que desde pequenos são colocados no lugar de cuidar de seus pais, ou mesmo aqueles que buscam nos filhos apoio ou suprimento emocional.

Pais Tóxicos, Constelação Familiar e Lei do Equilíbrio

Segundo a constelação familiar, ser pai e mãe é uma função e deve ser diferenciada dos papéis de homem e mulher. Para Bert Hellinger a função do pai e da mãe é perfeitamente cumprida a partir do momento que a vida é gerada. Assim, se você está vivo, seu pai e sua mãe fizeram o que precisavam fazer. Não há como negar a grandiosidade da vida e não há nada que tenha acontecido que tenha mais valor do que este presente. 

Por isso, a lei do Equilíbrio não existe na relação de pais e filhos, apenas entre casais, amigos ou parceiros. Nunca será possível aos filhos compensarem aos pais o que eles deram. E é inegável que cada um é constituído a partir de seu pai e de sua mãe. Por isso que excluir um deles é excluir um lado seu, goste você ou não. 

É possível fazer o esforço para se lembrar que seus pais fazem parte de um emaranhado em suas próprias famílias de origem. Muitas vezes, estão presos a situações que vêm se repetindo através de gerações. Eles não conseguiram romper com este ciclo, mas você pode!

A dor que é real. O que fazer com ela?

Compreender as leis sistêmicas não quer dizer esquecer tudo que foi vivido e sofrido e fingir que nada aconteceu. Claro que há marcas. E talvez elas permaneçam por longo tempo. 

O fato é que julgar e acusar por tudo que já foi feito não ameniza nenhuma dor. 

Mas se você é adulto e ainda passa por situações negativas, então cabe a você colocar os limites necessários. 

A sua transformação depende da postura que você adota diante deles e da sua vida. A postura de amor real, de quem sabe o seu lugar no sistema, que está ciente das leis sistêmicas e as respeita é o que lhe trará paz. 

Dessa forma é possível seguir em frente, sem desrespeitar nem julgar os pais pelos atos cometidos e ainda assim honrar a vida que lhe foi dada da melhor maneira possível. Os atos cometidos terão suas consequências. Mas você não é o juiz que irá julgar quais serão elas. 

Bert Hellinger sugere algumas frases de reparação que podem ser ditas apenas internamente, ajudando a reparar e a trazer a solução necessária para todo o sistema. 

Assim, mesmo que os filhos tenham sido magoados pelos pais, eles podem dizer internamente: “sim, vocês são os meus pais. Tudo o que esteve em vocês está também em mim. Reconheço-os como pais e aceito as consequências disso. Fico com a parte boa do que me deram e deixo-lhes a tarefa de enfrentar o destino de vocês como bem entenderem.” Com isso, liberam a si e aos pais, e cada um assume as consequências de seus atos. 

Os filhos também podem dizer: “o que você fez é responsabilidade sua. Mas você continua sendo meu pai/mãe. Não importa o que você tenha feito, estamos ligados. Estou feliz por você ter me dado a vida. Mesmo que seus atos tenham sido horríveis, sou seu filho, não seu juiz.”  Com isso, os filhos aceitam os pais sem se responsabilizar pelos atos deles. Eles são adultos e devem assumir os próprios erros. 

Para superar e ir além das dificuldades nas relações com os pais é preciso enxergar o real e não o idealizado. 

Além de ser grato por eles terem cumprido bem a função deles de terem lhe dado a vida. Agora que você é adulto pode andar com as próprias pernas e tomar toda a força deles e de seus antepassados para fazer grandes realizações e viver uma vida plena.

Muitas pessoas podem conseguir colocar em dia a relação com o pai e a mãe, voltando ao lugar de ser apenas o filho, sem críticas, julgamentos e cobranças; fazendo o amor regressar ao sistema familiar, mesmo que coisas terríveis tenham acontecido. Quando elas obtém sucesso nesta ação, todos os membros do sistema são beneficiados: os pais, elas mesmas e os seus filhos.

Referência: livro “A Simetria Oculta do Amor” de Bert Hellinger

Publicado originalmente em Personare https://www.personare.com.br/pais-toxicos-existem-m48387

Veja o vídeo sobre o tema: 



Fracassos no relacionamento podem ter sua causa na infância (Exemplo da série Greys Anatomy)

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Tem uma série de TV que sou apaixonada e ela se chama Greys Anatomy. Atualmente (2019) está na décima quinta temporada e é sobre o episódio 15.22 que trago o exemplo sobre relacionamentos. 
Neste episódio o personagem Owen Hunt, incentivado pela sua irmã, decide procurar uma terapia para investigar se tem algo que ele faz de forma inconsciente que o impede de seguir feliz em uma relação afetiva. Isto pois a irmã percebeu que sempre que ele está preste a viver algo bom e prazeroso, ele toma uma atitude equivocada que acaba por prejudicar a relação, ou "algo" acontece para atrapalhar tudo. 

Ele vai cético ao terapeuta que trabalha com uma terapia diferente "psicoenergética". Ao longo da conversa Owen que acreditava que seu problema era devido a um trauma de guerra vai percebendo que a questão principal era mais antiga. Então se lembra de uma memória da infância na qual ele estava super feliz com uma vitória na escola e ao tentar relatar para a mãe recebe a notícia da morte do pai. Com isso ele associou que não poderia viver uma felicidade plena pois imediatamente viria uma dor ou perda. E assim é nos relacionamentos dele. Ao reviver a memória então o terapeuta o ajuda a colocar para fora o sentimento de dor que estava preso naquele momento. 

Adorei o exemplo da série pois relata algo bem comum de se ver. Um fato doloroso na infância, um trauma não elaborado, permanece no inconsciente e fica sendo revivido em outras relações na vida adulta. Muitas dificuldade de se ter ou manter uma relação é um movimento de amor interrompido com um ou ambos os pais. Isso pode ocorrer por morte ou afastamento por qualquer razão. A criança registra essa dor de que não pode se aproximar de quem ama pois pode sofrer com isso e leva pra vida. No caso do Owen, além da morte do pai, ainda houve a repressão da felicidade pela vitória conquistada na escola. Não pode compartilhar com a mãe sua alegria devido a notícia trágica. Isso também o leva a evitar sentimentos prazerosos e de vitória pois assim também evita a dor que vem depois.

Nosso inconsciente nos faz repetir aquilo que ficou registrado, por defesa, mas também para tentar dar um novo final. A repetição então é uma forma que nós temos de identificar que algo está preso no passado e necessita um olhar diferente para seguir em frente. 

Claro que esta é apenas uma entre várias possibilidades de uma relação fracassar. Mas é este movimento de buscar trazer para a consciência o que está a tanto tempo oculto que irá nos auxiliar a sermos mais livres para viver nossa vida de forma mais plena.

Coloquei abaixo o link para o vídeo que gravei no canal sobre o assunto, dá uma olhada lá também, aproveita se inscreve para receber as atualizações! 








segunda-feira, 13 de maio de 2019

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Filme estrelado por Sandra Bullock nos lembra a importância de valorizar a mãe como ela é

Bird Box: um exemplo de mãe possível e nada convencional

Para falar de mãe é preciso ter cuidado. Esta simples palavra é tão carregada de conceitos e deveres que para cada um terá um significado diferente. A verdade é que as mulheres que se tornam mães deveriam ser perfeitas, como a Mulher-Maravilha. Mas mesmo uma super-heroína tem suas fraquezas e a mãe, antes de entrar nesta categoria, também é uma mulher comum como qualquer outra. Assim, o que proponho é olhar para a mulher comum, já que será dela que virá a mãe perfeita. Sim, a mãe é perfeita, tanto quanto lhe é possível ser. E reconhecer isto é um grande passo para que possamos fluir em muitas áreas de nossas vidas.

BIRD BOX: UM EXEMPLO DE MÃE POSSÍVEL E NADA CONVENCIONAL

Talvez alguns se perguntem: “como um filme que fala de um mundo apocalíptico pode ser utilizado para ilustrar algo sobre mãe?”. Para quem não conhece, o filme da plataforma Netflix lançado em 2018 conta a história de Malorie (Sandra Bullock) que luta para chegar a um refúgio com duas crianças para escapar de criaturas misteriosas que, ao serem vistas, provocam várias mortes. Por este motivo, os protagonistas do filme precisam passar boa parte da história com vendas nos olhos. 

Malorie está grávida no início do filme e demonstra não ter o menor vínculo com a criança que trará ao mundo. A criança, que a princípio ela nem sabe se será menino ou menina, nasce em meio a invasão da criatura que leva as pessoas à morte. Ela ainda precisa salvar uma outra criança e assim consegue seguir com os dois: um menino (seu filho) e uma menina. A personagem de Sandra Bullock então precisa passar por grandes riscos acompanhada das duas crianças que ela inclusive não coloca nenhum nome, e os trata como “Garoto” e “Garota”. Em dado momento, quando é questionada por não ter batizado as crianças com algum nome, ela se irrita e diz que tudo que ela faz é tentar mantê-los vivos. E aqui chegamos ao ponto, em que esta mãe se torna um ótimo exemplo para a mãe possível. Mesmo a personagem passando por grandes perigos e protegendo as crianças da maneira que pode, ela é questionada por não dar afeto a eles. E em muitos casos reais as maiores queixas em relação às mães é a falta de afeto.

Muitos talvez digam que ela poderia ter colocado um nome e isto não mudaria em nada, mas é justamente esta cobrança que mostra a idealização que a palavra mãe carrega. Sim, a Malorie é a melhor mãe que aquelas crianças poderiam ter! E se você tiver coragem de encarar este filme verá que em dado momento ela consegue dar o afeto que eles buscam. O detalhe é que ela não age por ser o certo a fazer, ou por alguma cobrança externa, mas porque ela está pronta para isso.

 A MÃE QUE É PERFEITA PARA NÓS

Nas constelações familiares sabemos que a mãe perfeita existe e são todas as mães. Ela é perfeita pois realiza com perfeição a sua função de gerar, dar à luz. Apenas por este motivo ela precisa ser honrada e reverenciada de seu lugar de mãe. Afinal, foi ela, junto ao papai, quem nos deu a vida. E qualquer problema se torna ínfimo diante da grandeza a vida. Tudo mais que ela faz após a concepção é algo extra. Ou seja, não existe um direito a cobranças e exigências, apenas gratidão. E é esta postura que faz toda diferença na vida caso ela seja adotada.

 A lei da ordem, um dos princípios sistêmicos das constelações, descreve que diante dos pais os filhos serão sempre pequenos. Eles são os que deram a vida e os filhos receberam. Não há como pagar ou compensar algo assim. O que pode ser feito para compensar são os filhos transmitirem esse legado às futuras gerações. Reconhecer o lugar da mãe é estar em paz com nosso próprio lugar no mundo. Como mulher, ela pode ter vários defeitos, mas como mãe é perfeita apenas pelo fato de ter dado a vida. Simples assim.

 POSTURA QUE ABRE CAMINHOS

Honrar o lugar da mãe é uma postura de vida. Quando os filhos adultos continuam com exigências de afeto, queixas ou reclamações de como foram ou são tratados por suas mães, eles não se abrem para a vida. É como se interrompesse o fluxo da vida que passa através dela e assim também não fluem em alguma área da vida. Podem ficar presos em relacionamentos vazios que parecem não suprir um vazio ou necessidade de amor. Ou ainda, por mais que sejam competentes profissionalmente não conseguem alcançar o sucesso ou prosperidade.

Quando uma mulher passa a ser mãe então ela terá a chance de revisar toda a relação com sua mãe através dos filhos. Se ela continuar impedindo o fluxo de amor que vem da mãe certamente exigirá dos filhos que supram esta necessidade. Com isso, a desordem continua. Da mesma forma que uma mulher é a melhor mãe que pode ser à sua filha ou filho, a mãe dela era a melhor que podia ser para ela, assim como a mãe da mãe, e a mãe da avó, e todas as gerações anteriores. E se este amor foi interrompido em algum momento basta uma pessoa olhar para o seu próprio lugar e adotar a postura correta. Não é possível restaurar o fluxo de outra pessoa, apenas o seu. Então, é refletir do seu próprio lugar de filha ou filho, e independente de todas as falhas que você acredita que sua mãe cometeu, é reconhecer a grandeza dela diante de você. Dentro do seu coração, no fundo da sua alma reverenciá-la como alguém grande, que antes de você nascer já tinha suas dores e vivências e talvez também seus próprios emaranhamentos. Mas o seu papel não é julgá-la, criticá-la e nem mesmo ter pena dela. Apenas concordar com quem ela é e tomar tudo que ela deu à você! Assim você poderá se abrir para a vida e a tudo que ela pode oferecer!

Texto originalmente publicado no Personare: https://www.metrojornal.com.br/personare/2019/05/09/bird-box-um-exemplo-de-mae-possivel-e-nada-convencional.html

Assista o vídeo sobre o assunto:

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

COMO SUPERAR UM CORAÇÃO PARTIDO?

Conheça ferramentas que ajudam a entender as questões inconscientes que prejudicam a relação

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Proponho que você imagine a seguinte cena: você conhece aquela pessoa que acredita ser o amor da sua vida. Porém, de repente ele ou ela vai embora e você se depara com a solidão. Pode ficar um tempo sofrendo pela perda, com o coração partido. Então, você encontra de novo outro alguém que faz seu coração pulsar mais forte. Você, então, pensa: “Agora vai dar certo!”.

Mas como uma reprise de um filme antigo tudo se repete e novamente há a dor de uma separação e de estar novamente só. Se este filme voltará a se repetir outras vezes, depende apenas de você. É possível interromper a repetição ao tomar consciência de quem você realmente é, do que espera da pessoa parceira, e qual a sua forma de se relacionar.

Talvez precise olhar para a síndrome do coração partido para compreender os motivos que o levaram a sofrer tanto. Para isso, pode ser importante rever os padrões de relacionamento pelos quais você se guia, as relações em sua família de origem e quais aspectos inconscientes podem estar te impedindo de estar livre para um relacionamento e seguir em frente após uma separação. O trabalho é todo seu, mas há ferramentas que podem ajudar.

ANTES DO CORAÇÃO PARTIR

Todos querem saber como superar uma separação e seguir em frente. O que se esquece é a importância de compreender como tudo se desenrolou até o momento da ruptura. Se esta atitude não for tomada é provável que a situação se repita no próximo relacionamento e isto dificulta ainda mais seu processo de superação no futuro. Assim, apesar de toda a dor que gera um coração partido, é preciso sentar, avaliar e refletir sobre o que ocorreu.


Muitas vezes, a pessoa que se percebe como abandonada se sente como uma vítima, como se não tivesse nada que poderia ter sido feito para mudar. Contudo, é comum que este, na verdade, tenha sido quem provocou a ruptura do relacionamento, mesmo que não tenha tomado a atitude do término. É claro que esta é uma dinâmica inconsciente, um processo de autoconhecimento pode desvelar para a pessoa esta percepção.


É possível perceber quando um relacionamento está chegando ao fim. Normalmente, sente-se que algo não vai bem e, ainda assim, evita-se olhar para o problema e o assunto é evitado. Desta forma, não podemos dizer que seja surpresa quando tudo desmorona e o coração quebra junto. Há sinais a serem observados, inclusive em você mesmo. E se ainda assim você se sente a vítima, talvez seja a hora de se atentar para os detalhes, compreender melhor e tentar assimilar qual é o grande aprendizado que a situação traz.


SÍNDROME DO CORAÇÃO PARTIDO: COMO EVITAR?

Ninguém entra em um relacionamento sem trazer uma “bagagem”. Cada um carrega consigo as crenças e padrões relacionais adotados em sua família de origem. Exatamente por isso surgem os desafios. São pessoas distintas se relacionando, criadas de forma completamente diferente e que agora buscam compartilhar uma vida em comum.


As expectativas podem ser completamente irreais de um ou ambas as partes. Assim, é importante, após o primeiro momento no qual a paixão domina, ter a serenidade para olhar para o outro tal como ele é.


A tarefa é desafiante porque muitas vezes necessita-se da criação de um novo modelo de relacionamento, diferente da família de origem. Isso pode gerar uma culpa inconsciente de estar sendo desleal. Mas é assim que nasce um relacionamento real e duradouro.


COMO SUPERAR UMA SEPARAÇÃO?

Existem questões que interferem na intensidade da dor de um término. Se a cada fim de relação você sente que é o fim do mundo, talvez esteja chorando por algo do passado que ainda não foi superado. É importante avaliar o caminho percorrido nas relações afetivas.


Geralmente a ruptura com o primeiro grande amor é mais dolorosa. Pode acontecer de você, na ânsia de amenizar a dor, mergulhe em outra relação antes de superar a anterior. E assim, você passa a esperar do novo compromisso algo que na maioria das vezes é impossível de obter. Avalie, então, a intensidade do coração partido e veja se é proporcional ao ocorrido.


Aceite que o luto precisa existir. É importante viver a dor e não ignorá-la. Recolha-se por um tempo. Faça uma revisão de tudo o que ocorreu. Tente perceber quais padrões moveram você e a pessoa parceira, qual a responsabilidade de cada um em tudo o que ocorreu. Assumir a sua responsabilidade é parte essencial no processo de crescimento, afinal é a sua vida e são suas escolhas.


FERRAMENTAS QUE AJUDAM NA SUPERAÇÃO

Há algumas ferramentas que podem ajudar no processo, indico a união do Ho’oponopono com a EFT (Emotional Freedom Thecniques), que ajudam a entender a origem da dor. Os pontos da EFT – técnica que utiliza as pontas dos dedos para estimular partes específicas do corpo – podem ajudar você a se lembrar de alguma etapa anterior de sua vida na qual também se machucou. Ao identificar a raiz da dor, permita-se liberá-la do seu inconsciente.

Se é a primeira vez que se depara com o coração partido, utilize a EFT para expor todo o sentimento presente na situação. Associe com o Ho’oponopono utilizando as quatro frases – sinto muito, me perdoe, eu te amo e obrigado – para cada aspecto da situação que percebe como negativo. Assim, você pode liberar toda a dor sem deixar nada pra trás e seguir em frente.


SEGUINDO EM FRENTE

Apesar do sofrimento, é possível continuar na mesma relação mesmo que o outro tenha partido seu coração. Faça um balanço para compreender o processo e perceber se havia expectativas irreais quanto ao relacionamento. Tente perceber se é você que não quer continuar e está apenas buscando uma saída sem sentir-se culpado. O mais importante é buscar a conexão com nosso eu verdadeiro. Conecte-se com a real intenção de perceber a dinâmica inconsciente por trás do ocorrido.

Talvez você se decepcione algumas vezes mais ao longo de sua vida afetiva.

LEMBRE-SE QUE A FRUSTRAÇÃO É SEMPRE DO TAMANHO DA EXPECTATIVA DE CADA UM.

Algumas vezes o outro não terá como oferecer o que você espera. Mesmo porque algumas necessidades que são levadas ao relacionamento afetivo advém da relação com os pais, por exemplo. Pode ser que você esteja esperando que a pessoa parceira preencha necessidades advindas de suas relações familiares.

Entrar em um relacionamento com questões anteriores mal resolvidas, talvez até de forma inconsciente, pode prejudicar bastante a relação e levar ao término. Afinal, ninguém é capaz de preencher as necessidades do outro. Cabe a você o trabalho de olhar para dentro e compreender as forças inconscientes que estão guiando suas escolhas. Aproprie-se de quem você é, daquilo que falta e o que você busca nas relações. Somente assim é possível ter maturidade nas escolhas e expectativas realistas em relação ao outro.

Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/como-superar-um-coracao-partido-m42810 (23/02/2019)

Nasce uma Estrela: reflexões sobre o equilíbrio entre dar e receber


Resenha sobre filme indicado ao Oscar faz ligação entre a relação dos personagens e as leis da Constelação Familiar


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Nasce uma Estrela” ganhou sua quarta versão em 2018. O filme, elogiado pelo público e crítica, é estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper. Com um enredo consistente e profundo, trata de assuntos delicados de forma sensível e. No decorrer da história, é possível perceber como o contexto familiar é responsável por criar movimentos que interferem na vida e nos relacionamentos dos personagens.

O filme poderia ser definido como a jovem talentosa que conhece um músico famoso e decadente. Eles se apaixonam instantaneamente e ele é responsável por lançá-la ao estrelato. Mas, nesta versão mais recente, esse resumo não comportaria a grandeza que as relações familiares são tratadas.

O filme propõe algumas reflexões sob a ótica da constelação familiar, como a Lei do Equilíbrio entre dar receber.


A terceira Lei Sistêmica de Bert Hellinger: o equilíbrio entre o dar e receber


Bert Hellinger é o criador dasAs Leis Sistêmicas, propostas por Bert Hellinger são ordens que assumem um papel fundamental no equilíbrio das relações familiares. Hellinger, psicoterapeuta alemão que desenvolveu a teoria da Constelação Familiar, percebeu como esta lei atua nas relações amorosas ou em qualquer relação entre iguais. Quando não existe hierarquia dentro da relação (como ocorre entre pais e filhos, por exemplo) a lei do equilíbrio atua como balizadora entre dar e receber. Essa ordem faz com que as relações fluam de maneira saudável e satisfatória para ambos.

No filme “Nasce Uma Estrela”, é possível perceber como este equilíbrio começa a atuar para depois desaparecer, algo que é comum nos relacionamentos da vida real.

A personagem de Lady Gaga, Ally, conhece o cantor famoso Jackson Maine e eles logo se apaixonam. A princípio, Jackson oferece muito mais do que Ally pode retribuir, e lança a carreira da jovem, que se transforma em uma cantora reconhecida.

Durante o relacionamento, a dependência química de Jackson se intensifica e Ally, por sua vez, pode retribuir e cuidar do cantor quando o vício começa a afastá-lo dos palcos.

Em um dado momento, por conta da sua doença, Jackson não mais pode se doar para a“dar” na relação, e passa apenas a receber os cuidados de Ally. A crise maior se instala na vida do casal, quando ele se dá conta que sua parceira é capaz de abrir mão da própria carreira para apoiar o cantor.

O emaranhado na família de origem de Jackson Maine

Em diversos momentos do filme, o personagem interpretado por Bradley Cooper faz revelações sobre problemas e dramas familiares: uma mãe que morreu durante o parto e um pai alcoólatra, já são elementos suficientes para compor uma dinâmica familiar densa, que contribui para o fracasso do cantor.

Esta dinâmica pode ser explicada pelas duas outras Leis da Constelação Familiar: o Pertencimento e a Ordem/Hierarquia.

A Lei do Pertencimento

Essa lei determina que todos têm direito ao pertencimento, independentemente de suas ações. Caso alguém seja excluído, todo o sistema se desestabiliza e, geralmente, alguém precisa expiar a exclusão, ou seja, pode entrar em algum processo inconsciente de autossabotagem que o levará rumo ao fracasso. Esta seria uma maneira de incluir novamente aquilo que foi excluído do sistema familiar.

Assim, tanto a morte precoce da mãe, como o vício do pai do personagem Jackson, representam fatos que são comumente excluído em diversas famílias, já que são situações que geram dor e sofrimento.


A Lei da Hierarquia

Já a lei da hierarquia determina que quem chega antes ao sistema tem prioridade. Ou seja: é preciso honrar e respeitar aqueles que chegaram primeiro.

No filme, esta lei é violada. Em vários momentos, o cantor critica e julga o falecido pai por seus atos. Além disso, parece repetir a mesma dinâmica com o irmão mais velho. Esse comportamento é considerado como uma deslealdade ao sistema e, de forma inconsciente, a compensação ocorrerá de alguma forma.

O cantor se iguala ao pai em seu vício, o que pode ser entendido como uma forma de compensar essa deslealdade, se tornando igual a quem tanto criticou.

Culpa inconsciente

Ao analisar toda a dinâmica familiar que atuava sobre Jackson Maine, seria possível dizer que sua relação com Ally tendia ao fracasso. Nas versões anteriores do filme, talvez isso não fique tão evidente.

O fato de sua parceira ascender na carreira de forma meteórica não foi o que causou sua destruição. E sim, a dinâmica pela qual ele já estava envolvido e, infelizmente, não conseguiu perceber de forma consciente.

A culpa inconsciente por prosperar e viver de forma plena, enquanto os pais fracassaram ou morreram cedo demais, acompanha a vida de Jackson.

Assim, só o que restou ao cantor foi seguir o destino deles, de forma cega, por amor e lealdade.

O filme provoca uma intensa reflexão sobre as relações afetivas quando as leis sistêmicas são desrespeitadas. Fora isso, também nos mostra como os padrões familiares podem se repetir devido às lealdades inconscientes.

Desde que nascemos, nossa estrutura familiar exerce uma influência enorme em nossas crenças, gatilhos e comportamentos.

A Constelação Familiar acredita que somos regidos pelas ordens do amor e devemos honrar e reverenciar nossos ancestrais. Assim, para que a vida flua com leveza é preciso respeitar a hierarquia. Para isso, é importante perceber o equilíbrio de troca nas relações e não excluir nada nem ninguém, pois todos têm direito a pertencer.

Quando encaramos todas as situações ou questões que despertaram sofrimento, podemos desenvolver uma nova ótica sobre esses episódios e passamos a perceber alguns fatos e episódios com mais amor e cuidado.

Dessa forma, é possível ressignificar traumas e colocar em ordem uma série de questões que nos travam e nos causam sofrimento. Então, talvez um destino traçado de forma trágica possa ser alterado, desde que antes possamos reconhecê-lo e aceitá-lo tal como é.

Artigo originalmente publicado em https://www.personare.com.br/nasce-uma-estrela-reflexoes-sobre-o-equilibrio-entre-dar-e-receber-m42697 (21/02/2019)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Você vive se sentindo culpado? Saber origem da culpa evita autopunição

Aprenda a lidar com esse sentimento e resgate sua autoestima. Às vezes é preciso ajuda para se libertar

por Maria Cristina


Um dos grandes obstáculos para ter uma autoestima saudável é o sentimento de culpa, que pode causar angústia e impedir o avanço em direção aos seus objetivos. Sentir culpa é natural, mas geralmente há uma força inconsciente por trás. 

As culpas imaginárias e transgeracionais (transmitidas através de gerações da família) são as mais perigosas pois podem prejudicar aos poucos nossa autoestima e causar sentimentos de angústia e tristezas intensas. É necessário compreender esse sentimento e entender como ele surgiu, para buscar soluções e maneiras positivas de lidar com ele.

De onde vem o sentimento da culpa?

É necessário prestar atenção quando a culpa vem à tona e fazer algumas perguntas: 

Algo foi feito efetivamente para gerar este sentimento? 
Um fato ocorreu e alguém foi prejudicado? Ou é o seu próprio julgamento que lhe condena? 
Há um motivo para a culpa ou é simplesmente um sentimento com o qual você convive na maior parte do tempo?


Como resolver o sentimento da culpa

A culpa mais fácil de resolver é a concreta, que surge a partir de algum ato cometido. Neste caso, mesmo que seja doloroso, é uma oportunidade de aprender e melhorar a autoestima. Para isso é preciso ter integridade e reconhecer o erro cometido. Caso alguém tenha sido prejudicado, faça algo para reparar ou minimizar os danos. Procure entender os motivos que te levaram a agir desta maneira, aceite e reconheça a sua responsabilidade. Então se comprometa a estar mais consciente daquele comportamento e não permitir que se repita. 

Essas atitudes aumentam a autoestima, pois nos responsabilizamos pelos erros e aprendemos com ele. Em contrapartida, não reconhecer e ficar apenas no papel de culpada (o)s, tende a paralisar você e impedir que a mudança e o crescimento ocorram. Ficar constantemente se desculpando sem rever as atitudes prejudica tanto a autoestima, quanto sua evolução pessoal. 


O que fazer quando não souber identificar a origem da culpa

As culpas que são presentes de uma maneira constante em nossas vidas podem ser derivadas de crimes imaginários, aquilo que acreditamos ter cometido em algum momento. Elas estão presentes no inconsciente e com isso fica mais difícil de identificar sua origem, já que qualquer fato cotidiano pode ativá-las. Contudo, se procurarmos ir mais fundo no processo de autoconhecimento, podemos achar o estopim deste sentimento que representa uma autopunição.

Segundo os doutores Lewis Engel e Tom Ferguson autores do livro “Seis Crimes Imaginários”, existem algumas formas de culpas ocultas que podem gerar algum processo de autopunição ou autossabotagem. Abaixo, explico melhor sobre os crimes imaginários abordados por eles:

Crime de suplantar

Ocorre quando alguém se sente culpado inconscientemente por ir além da sua família, ou seja, é bem sucedido em alguma área que os pais e/ou irmãos não foram.

Crime de sobrecarregar

Ocorre quando alguém pode carregar sentimentos que foram um peso para a família, devido a alguma doença, deficiência, ou até maneira de ser. Estas pessoas podem ter ouvido de maneira constante quando crianças que só davam trabalho e causavam transtornos.

Crime de roubar amor

Gera culpa inconsciente naqueles que foram mais destacados que seus irmãos ou mais valorizados por um dos pais. Estas pessoas podem sentir que receberam mais atenção e cuidados, por qualquer razão, e com isso os outros tiveram menos afeto. Aqui podemos incluir o crime do sobrevivente. Se um pai ou irmão morre, podemos sentir culpa por estarmos vivos ou sentir que fomos responsáveis pela sua morte (muito comum em adultos que perderam pais ou irmãos quando eram crianças).

Crime de abandono

Pode surgir quando saímos da casa dos pais ou mudamos de país para viver uma vida mais independente. Se os pais ficam tristes e infelizes com a ausência, a culpa pode se instalar de forma inconsciente.

Crime da maldade básica

Diz respeito a inúmeras mensagens negativas ou negligência que foram vivenciadas na infância que futuramente faz o adulto acreditar que é mal apenas por existir.

O crime de deslealdade

Cometido quando criticamos duramente os pais, desrespeitarmos regras familiares ou rejeitamos algo importante para a família como a religião, profissão ou estilo de vida. De certa forma todos os outros crimes também dizem respeito a uma lealdade familiar invisível.

A culpa oculta gerada por cada um destes crimes pode nos prejudicar em diversas áreas da vida, gerando algum tipo de autopunição que prejudica nosso sucesso, intimidade, prazer, espiritualidade ou vida social. A autossabotagem que se repete muitas vezes em determinada área pode estar relacionada a essa punição que nos infringimos por algum crime imaginário.

Reconhecer nossa atitude aqui e agora para ir além

Calma! Se chegou até aqui e se identificou com todos os crimes, não se desespere nem se culpe mais ainda, há solução!

Antes de qualquer coisa, se pergunte se não está se apegando a culpa. Você pode se perguntar: porque alguém faria isso? Se simplesmente nos denominamos culpados por tudo, isso gera passividade e imprime a impressão de que não precisamos fazer nada para ir além. Você envia a mensagem: “Não espere nada de mim”, e assim não se desafia a ser diferente. Esta postura prejudica nossa autoestima que tende a ser baixa a medida que vamos acumulando culpas e mais culpas em nossa conta interna. 

O melhor a fazer é reconhecer e se responsabilizar pelos erros cometidos. Talvez seja possível reparação, ou não. O mais importante é o desejo de ir além. Liberar as culpas que não nos pertencem é o grande desafio.

Precisamos aprender a dialogar com nosso inconsciente. Nós temos a sabedoria interna que pode nos absolver de todos estes crimes. Faz parte do processo de autoconhecimento, que deve ser constante. Um bom exercício para fazer é escrever. Ter um diário e começar a registrar seus sentimentos. Com isso, você começa a se apropriar e a reconhecer cada situação do passado que pode lhe assombrar. 

Outro exercício é fazer duas listas, uma de objetivos, o que deseja para cada área de sua vida, e outra de obstáculos, o que acha que te impede de conseguir tudo isso que listou. Nesta segunda lista devem aparecer as crenças que te limitam, que provocam autopunição e lhe impedem de avançar. É muito importante não negar nada, por pior que pareça. 

O primeiro passo para que seja possível mudar algo é reconhecer e aceitar que existe. A medida que você aceita e até concorda com a culpa tal como é, pode assumir uma postura de adulto e está pronto para lidar com ela e suas consequências. Contudo, se a culpa for muito oculta talvez seja necessária a ajuda de um profissional para lhe ajudar a cavar mais fundo.

O que é a culpa transgeracional?

A culpa transgeracional pode ser transmitida até quatro gerações, e em alguns casos, apenas com um estudo mais profundo da genealogia (árvore genealógica mais simbólica) é que será possível trazer à consciência as causas da autopunição. A ideia é que possamos estar mais conscientes dos sentimentos no momento presente para ampliar nossa capacidade de autopercepção e não mais sermos dirigidos por fantasmas do passado e condenados por crimes imaginários. Isso sim é libertador!


Artigo originalmente publicado em: https://www.personare.com.br/voce-vive-se-sentindo-culpado-saber-origem-da-culpa-evita-autopunicao-m40856
Publicado aqui com pequenas alterações.