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sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O Filho de 1000 Homens: Uma Análise da Cura do Trauma sob a Lente da Experiência Somática

 

Créditos da imagem: Cena de O Filho de Mil Homens (Reprodução) - retirada site omelete.com.br

O filme O Filho de 1000 Homens, disponível na Netflix, vai além de uma simples história sobre a busca de um homem por um filho. Ele nos leva a uma jornada profunda e reveladora sobre como o trauma molda nossas vidas e a maneira como o vínculo humano pode ser a chave para a cura.

Através da intensa narrativa de Crisóstomo, um homem marcado por perdas e solidão, o filme nos desafia a refletir sobre o que realmente significa curar as feridas do passado e encontrar um novo sentido no presente.

Com base na abordagem da Experiência Somática (Somatic Experiencing), trago meu olhar sobre a cura de traumas, e convido você a olhar para suas experiências e mergulhar mais fundo nesta reflexão.


Como o filme Ilustra a Experiência Somática


A vida de Crisóstomo é marcada por experiências traumáticas intensas, vivenciadas desde a infância. O filme revela que ele foi forçado a se criar sozinho, isolado em uma caverna, um ambiente que simboliza o trauma profundo e o distanciamento do mundo.

Essa abordagem da Experiência Somática, com base na teoria de Levine, permite compreender como esses personagens são definidos por suas vivências traumáticas.

Segundo a teoria, o trauma não reside no evento em si, mas sim no corpo. O sistema nervoso, ao tentar lidar com os traumas vividos, desconecta-se e armazena uma carga de estresse.

Esse estresse acumulado que não pôde ser processado ou liberado fica retido como uma carga no organismo.

Pessoas que vivenciam isso carregam sensações e desconfortos que são memórias retidas no corpo. Eventos do dia a dia funcionam como gatilhos emocionais, reativando essas memórias do passado.

Se for possível processar e liberar o estresse que não foi integrado, a carga traumática é desfeita.


Neurocepção de Perigo e Dissociação: o trauma no corpo


As experiências traumáticas de Crisóstomo e de outros personagens demonstram como o corpo reage a essa carga retida. Em termos de sistema nervoso, a pessoa tende a permanecer em um estado de alerta ou perigo, e pode até precisar se dissociar.

O trauma profundo pode levar o indivíduo a evitar o contato ou o toque, especialmente se o toque ou a aproximação de outro tiver sido a fonte original da experiência traumática.

Muitos personagens no filme parecem ter vivenciado o que é chamado de trauma de desenvolvimento, que ocorre durante a infância ou adolescência.

Este tipo de trauma nem sempre se resume a um único marco, podendo ser uma recorrência de fatos sofridos no vínculo com alguém importante, como pais ou cuidadores.

Muitas vezes ele é a raiz de muitos problemas de autoestima e dificuldades com relacionamentos na fase adulta, e às vezes alguns sintomas como ataques e crises de pânico.

A consequência é que o sistema nervoso da pessoa é programado para uma neurocepção de insegurança e perigo.

A neurocepção é como se fosse um sistema de vigilância do sistema nervoso autônomo que sinaliza se há perigo ao redor e como o sistema deve se preparar para ele.

O indivíduo, que aprendeu que a relação com o outro pode ferir e machucar, não consegue relaxar. Mesmo diante de demonstrações atuais de carinho e cuidado, o sentimento predominante é o desconforto e a insegurança.


O vínculo como caminho de cura


Apesar da dificuldade em confiar, o processo de cura, conforme a Experiência Somática e as reflexões propostas pelo filme, demanda a atualização desse sistema nervoso.

A pessoa precisa de um processo para que o sistema nervoso reconheça novamente um estado de segurança, e isso só pode acontecer no vínculo.

A máxima central é clara: trauma de vínculo (ou desenvolvimento) se cura com vínculo (ou seja, na relação com as pessoas). Este é o aspecto mais desafiador, pois se as pessoas foram feridas por outrem, o outro é invariavelmente percebido como perigoso.

Para a cura ocorrer, é necessário acolher e reconhecer a carga de estresse negativa retida. O sistema nervoso que está em modo de luta e fuga ou congelado precisa mudar a sua neurocepção.

A atualização do sistema nervoso ocorre em uma relação segura. Muitas vezes, essa jornada começa em uma relação terapêutica, onde o profissional possibilita ao indivíduo experimentar um estado de segurança e realizar as descargas necessárias da carga de estresse armazenada.


Liberando a Dor Guardada: A Importância da Relação Terapêutica


Ao liberar a carga do trauma, a pessoa começa a perceber o presente como ele realmente é, sem a "lente traumática do passado". Ela consegue olhar para os outros de forma mais objetiva, sem os filtros do trauma.

O processo de liberação da dor guardada no corpo é comparável a um circuito elétrico que, ao ser sobrecarregado, precisa ser descarregado em um aterramento seguro para voltar a funcionar corretamente.

O filme O Filho de 1000 Homens ilustra esse processo de maneira sensível e tocante. O núcleo central de personagens, incluindo Crisóstomo, é formado por indivíduos que viveram traumas profundos.

Apesar de não ser uma relação terapêutica, a partir do instante em que os personagens vão sendo aceitos e acolhidos cada um a sua maneira e ao seu próprio tempo, eles vão se sentindo seguros novamente.

De maneira similiar a um terapeuta, Crisóstomo age respeitando a dor de cada um e ajudando-os a expressá-las. Enquanto ele faz isso, pode curar suas próprias dores. Ele não permite que as dores do passado o impeçam de olhar o outro com amor. Pelo contrário, a ânsia pelo amor e contato e faz desejar ainda mais os vínculos e alimenta o desejo de se tornar pai e construir uma família.


A Integração e o Novo Núcleo Familiar


É através do acolhimento, processamento e integração da carga e do estresse que o sistema nervoso consegue se abrir para a possibilidade de um vínculo seguro, retomando o estado de segurança.

Apenas quando os personagens do filme se permitem unir e sentir as dores é que conseguem confiar e se sentir seguros novamente. Juntos, eles formam um novo núcleo, uma nova família, onde um possibilita que o outro processe o trauma.

A dor guardada no corpo, que faz as pessoas se sentirem sufocadas, pode ser liberada em um ambiente seguro e acolhedor, permitindo que o sistema nervoso volte ao estado seguro e ao engajamento social.

O filme serve como uma lição: com amor, acolhimento e respeito (não só pelo outro, mas por nós mesmos), é possível acolher as feridas do passado, expressar e processar as dores e olhar para o presente e o futuro com tudo o que eles podem oferecer.


O Filho de 1000 Homens e o caminho para o relacionamento saudável


A capacidade de restaurar a neurocepção de segurança é, portanto, a chave para um relacionamento saudável. Através do vínculo e da cura do trauma, podemos transformar nossa relação conosco mesmos e com os outros. Muitas vezes precisamos apenas de alguém que nos possibilidade um ambiente seguro para que as emoções do passado possam ser expressas em segurança e respeitosamente.

O Filho de 1000 Homens não é apenas uma história de dor, mas também uma história de superação e transformação, mostrando como o processo de cura é possível quando nos permitimos expressar as sensações e emoções reprimidas, e viver novamente com segurança e confiança.


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Frases de autoestima: como usá-las e os benefícios

Saiba porque a autoestima é tão importante e o que você pode fazer para cultivá-la.


A autoestima é fundamental para termos uma vida mais leve e feliz, pois a maneira como nos sentimos a respeito de nós mesmos afeta todas as áreas da nossa vida. 

Além do processo terapêutico, repetir frases de autoestima, como mantras, pode ser um bom recurso, de fácil acesso e bons resultados se você souber usá-lo. 

A seguir, veremos exemplos de frases, além de usá-las e os benefícios. 

Como a autoestima afeta nossa vida 

A forma como reagimos no cotidiano ou nos relacionamos está diretamente relacionada à imagem interna que carregamos sobre nós. Por isso, avaliar como lidamos com ela é tão importante. 

A autoestima depende de uma série de fatores, mas, de maneira geral, ela está ligada a uma postura interna diante da vida. É preciso reconhecer que ela é um processo ativo, e não passivo. 

Ou seja, ninguém vai lhe dar autoestima. Você a busca dentro de você com atitudes internas e externas. 

E ela depende de alguns fatores fundamentais, tais como: autorresponsabilidade, autoconsciência, amor-próprio, congruência entre palavras e atitudes. E, talvez o mais importante, soltar o julgamento. 

A baixa autoestima, geralmente, parte de um processo autodestrutivo, em que a própria pessoa se julga e se culpa constantemente. 

Se formos mais além, frequentemente, há um grande julgamento e críticas excessivas aos pais. Se a vida chega a você a partir de um pai e uma mãe, então eles fazem parte de quem você é. Se você os julga ou rejeita, faz isso em dobro com você mesmo. 

Sistemicamente, há uma ordem que precisa ser respeitada. Se seus pais fizeram algo que lhe feriu na sua infância, você não podia fazer nada para mudar. Mas se você é adulto, pode seguir em frente. 

O que não será possível se ficar olhando para os dores do passado e permitindo que elas continuem agindo em você. 

Como (re)construir a autoestima 

Para (re)construir sua autoestima é preciso agir. É preciso refletir sobre os fatores mencionados e sua postura diante da vida. É um processo. 

Mas como talvez já tenha se passado um bom tempo com a autoestima baixa, você talvez precise de ajuda. 

Em um processo psicoterapêutico com a visão sistêmica, será possível perceber quais posturas te impedem de viver com leveza e recuperar a autoestima perdida. 

Também há alguns recursos que podem ajudar, como as frases de autoestima. 

Como usar frases de autoestima 

Repetir frases sem um processo reflexivo talvez não seja de grande ajuda. 

Mas se você está realmente disposto a mudar e assumir a responsabilidade sobre sua história sem julgamentos externos as frases de autoestima podem ser um bom recurso para criar novos padrões positivos de pensamento que irão lhe ajudar no processo. 

Exemplos de frases: 

Estou disposto a mudar 

Decido estar em paz e harmonia 

Eu libero o padrão em mim que criou tudo isso 

Deixo amorosamente o passado para trás 

Tudo está bem como está 

Eu aceito a realidade e olho para o que funciona 

Sou uma experiência divina de vida 

Eu tenho valor 

Sou saudável, pleno e completo 

Trago a força dos meus ancestrais 

Para mim pode ser mais leve 

Minha vida pode fluir com leveza 

Eu me amo e me aceito profunda e completamente 

Você pode criar suas próprias frases também. Perceba quais pensamentos que mais lhe afligem e transforme-os em algo positivo. 

Se algo como “Estou gorda” surgir, mentalize “Estou em processo de aceitação e mudança do meu corpo”. Caso você diga o oposto talvez soe como mentira e perca a força. 

Por isso, se algo for ainda muito difícil de você concordar, comece sempre com “Estou em processo de...”, pois coloca em ação um movimento de mudança e você sai da passividade. 

Quanto mais você fizer, mais ficará natural para você alterar o padrão de pensamento e logo tudo será natural para você.

Publicado originalmente em https://www.personare.com.br/frases-de-autoestima-m76026

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

O que fazer com os pensamentos/sentimentos negativos??


Olá!

Vem comigo falar um pouco sobre os pensamentos negativos (atitudes e comportamentos também)!
Assunto que não se esgota assim podem vir outros vídeos por aí sobre as mesmas questões...


terça-feira, 10 de julho de 2018

Prática da Autoaceitação x Prática da Autorrejeição (Exemplificando com a TRAIÇÃO)


Olá!!
Neste vídeo conto para vocês a partir de um exemplo sobre Traição (ou desejar um outro alguém quando se é comprometido) como pode ocorrer a autoaceitação ou autorrejeição.



2º pilar (parte 3): Exercício para praticar a Autoaceitação – Incluindo meditação e Ho’oponopono


2º pilar: Aprender a Autoaceitação (parte 2) – ENCARE SUA SOMBRA





- Se não é possível aceitar algum sentimento, comportamento ou lembrança; se temos algum bloqueio contra algo; não adianta querer bloquear o bloqueio. O melhor é aceitar a nossa resistência. Ou seja, o primeiro passo é sempre aceitar como você está agora.

- Se não pode aceitar a experiencia, aceita a recusa dela, e se ainda não aceita que recusa, aceite que resiste em aceitar a resistência. Em algum momento você aceita algo e então parta daí!

- Podemos temer tanto os nossos talentos como as nossas imperfeições. Se os nossos traços negativos propõem o problema da inadequação, nossos talentos propõem o desafio da responsabilidade.

- Há 5 caminhos para uma “viagem interior” para entendermos nossa sombra:

1-pedir que os outros nos digam como nos vêem
2- descobrir o conteúdo das nossas projeções,
3-examinar nossos “lapsos” verbais e de comportamentos e investigar o que realmente acontece quando somos vistos de modo diferente do que pretendíamos;
4-analisar nosso senso de humor e nossas identificações,
5-estudar nossos sonhos, devaneios e fantasias.

2º pilar: Aprender a Autoaceitação (parte 1)



“Enquanto a autoestima é algo que experimentamos, a autoaceitação é algo que fazemos.”
“Escolho valorizar a mim mesmo, tratar-me com respeito, lutar por meu direito de ser”.

- Um dos pilares mais importantes para iniciar qualquer processo de mudança.

- Não posso aprender com um erro que nego ter cometido.

- Não posso vencer um medo cuja realidade eu nego.

- Aceitar não significa apreciar, ter prazer, ou aprovar. O que nos paralisa não é a aceitação, mas a negação.

- Há sempre algum contexto em que as ações mais ofensivas adquirem algum sentido. Não quer dizer que é justificável, somente compreensível. Me aceitar não quer dizer que vou viver me desculpando, racionalizando ou fugindo das responsabilidades.

- Quando não gostamos de algo, evitamos olhar, não queremos encarar/reconhecer que aquilo é nosso.

Exercício:
Fique diante de um espelho que o reflita inteiro e olhe para seu rosto e seu corpo. Perceba o que está sentindo. Não olhe para suas roupas ou a maquiagem, mas para você. Note se tem dificuldades de fazer isso, ou se está se sentindo pouco à vontade. É bom estar nu para fazer esse exercício. Por mais difícil que seja (e será) tente não fugir nem negar nada que vê. Diga a si mesma (o): “Sejam quais forem meus defeitos e imperfeições, aceito-me sem reservas e completamente”. Lembre-se aceitar, não significa gostar nem que você não possa desejar mudanças e melhorias. Mesmo que não aprecie tudo que vê, pode dizer: “Neste momento, eu sou assim. E não posso negar esse fato. Eu o aceito”. Isso é ter respeito pela realidade.

Faça todos os dias por duas semanas, durante dois minutos pela manhã e a noite.

- Estou sentindo medo e posso aceitar esse fato, mas eu sou mais do que o meu medo”. Pense: Reconheço meu medo e o aceito... e agora deixe-me ver se posso lembrar como me sinto quando não estou com medo. (Pode ser qualquer sentimento).