quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Vícios emocionais: os legados da pandemia e como curá-los




A pandemia em 2020 certamente trouxe muitos desafios. Todos fomos surpreendidos por muitas mudanças, que exigiram adaptações em todas as áreas da vida, tudo de uma só vez. Isso trouxe como consequência alguns vícios emocionais.

Foi preciso mudar a forma de trabalhar, estudar, se socializar e se relacionar. Com isso, surgiram novas formas de olhar a vida, mas também muitos sintomas emocionais.

A seguir, vamos olhar para alguns desses efeitos do isolamento social e sugerir uma forma de lidar com eles, evitando que se tornem efetivamente permanentes e negativos legados da pandemia.

Os legados da pandemia


As distrações virtuais 


O isolamento social certamente está entre os maiores desafios. E algo que tem ajudado nessa questão é a tecnologia. Contudo, assim como o remédio em dose errada pode se tornar um veneno, o excesso sempre é perigoso. Isso tem contribuído para alguns sintomas emocionais.

Alguns se tornaram dependentes tecnológicos. Não conseguem mais se desconectar.

A ânsia por informações e preencher o tempo com algo útil faz com que as pessoas transferiram a agitação do cotidiano de antes da pandemia para uma agitação interna.

As distrações que antes eram externas – no trânsito, nas conversas no trabalho e nos encontros sociais –, agora, estão na palma da mão. São lives, palestras, cursos e tudo mais que lhe dê a sensação que o tempo está sendo preenchido.

E isso gera ansiedade. Um anseio por querer fazer tudo e muito mais ou por não conseguir entrar neste ritmo.


A dificuldade do não saber


A incerteza pelo futuro também têm gerado muita ansiedade. No ímpeto de eliminar este incômodo, muitos se colocam milhares de metas e tarefas para o agora.

O sentimento é de que quando acabar a pandemia, "estarei pronto". Mas, com isso, perde-se o foco no agora e a oportunidade de utilizar esse momento para olhar para o essencial.

Se por um lado, conforme mencionado antes, a infinidade de possibilidades abre um leque enorme de escolhas, por outro, o "não saber" como ficará o futuro tem desestabilizado a vida dos mais controladores.


As compulsões


Elas vieram com tudo. Se as compras pessoais não são possíveis, as online se tornaram essenciais. E os que não se adaptaram ao mundo virtual e evitaram as compras online, transferiram a compulsão para a comida.

Passar mais tempo em casa fez com que muitos comprassem mais alimentos supérfluos e pedissem mais comidas prontas por aplicativos. Em todo excesso, reside uma falta.

Assim, as compulsões que surgem neste momento são sintoma de um vazio imenso que já residia ali. 

Talvez as distrações não permitiam ver antes, mas agora foi possível.

E, novamente, existe um perigo enorme em querer se livrar da dor ou do vazio colocando algo no lugar que, a longo prazo, pode ser muito mais prejudicial – um vício emocional.


A baixa autoestima pelas mídias sociais


Junto a tudo isso, o uso excessivo de redes sociais também acaba contribuindo para uma autoimagem distorcida.

As pessoas começaram a expor-se mais, e as comparações e competições ganharam maior proporção. O que deveria ser um incentivo às práticas de exercícios físicos, em alguns momentos, tornou-se um culto a corpos bem delineados. 

Então, quem não se percebe no "padrão", pode sentir-se menor ou incapaz. A baixa autoestima ganha grandes proporções, podendo também levar a ansiedades ou depressão. 


Autoconhecimento como solução

Não podemos colocar a responsabilidade de tudo em algo externo. Mesmo que a pandemia tenha causado impactos globais, a forma como lidamos com o que se manifesta externamente é que faz toda a diferença no equilíbrio emocional.

Sentimentos talvez até então desconhecidos podem, enfim, ganhar atenção. Com isso, temos a oportunidade de nos permitir um caminho mais leve.

Trazer a atenção para o momento presente, reconhecendo-se como um indivíduo único, que têm uma história única, mas que faz parte de todo um sistema familiar.

Valorizar o agora como presente de tudo que foi vivido anteriormente, não só por você, como por seus ancestrais. 

Você é uma soma de todos que já vieram antes e, se você está aqui e agora lendo este texto, tem a força de todos eles que já passaram por desafios bem maiores que os de agora. 

Se eles conseguiram, você consegue. 

Perceba os sentimentos desafiantes que surgem como uma oportunidade de conscientizar-se do que ocorre dentro de você.

A solução não passa pela revolta ou indignação pelo que está acontecendo ou pelos legados que a pandemia deixará.

Mas sim, pela aceitação e concordância da realidade como ela é, com a plena convicção que após tudo isso você estará melhor e mais autoconsciente.

Publicado originalmente em https://www.personare.com.br/vicios-emocionais-m76709

Crianças na pandemia: como pais e filhos podem lidar com os desafios

Como podemos amenizar a ansiedade da incerteza do momento que vivemos e, a partir da Visão Sistêmica, tentar lidar melhor com os nossos filhos




Administrar os filhos na pandemia tem sido desafiador? Uma das grandes dificuldades pelas quais os pais estão passando é a relação dos filhos com o estudo. As aulas online apresentam inúmeros desafios, principalmente para os pais de crianças menores. 

A maioria dos adolescentes lida bem com a tecnologia e rapidamente se adaptou ao ensino à distância. Porém as crianças menores, muitas vezes, ainda precisam que um adulto as direcione. Com isso os pais, que também estão em alguns casos em home office, acabam por se sentirem sobrecarregados. 

A angústia pelo aprendizado das crianças e a falta de habilidade de recursos para ensinar acabam gerando ansiedades e preocupações que também são transmitidas às crianças. O melhor a se fazer é reconhecer a realidade atual e lidar com ela a cada dia. 

Todos estão passando pela mesma situação e, apesar dos recursos de cada um serem diferentes, é a forma de encarar o desafio que acaba fazendo a diferença. 

Crianças, pandemia e a escola à distância 

As crianças terão uma longa vida de estudos e aprendizado pela frente. Entender que o mais importante no momento é priorizar a saúde mental e emocional dos pequenos é fundamental. Assim, mais leveza e menos cobranças e autocobranças ajudam a amenizar as incertezas. 

O melhor é reconhecer que cada um faz o possível dentro da realidade que se apresenta. Assim, culpas e exigências devem dar lugar a autoaceitação e reconhecimento de que cada um dá o melhor de si, tanto os pais quanto os filhos. 

Distanciamento social para crianças na pandemia 

Outro desafio é o isolamento e distanciamento social. A forma como a criança irá vivenciar também depende do contexto, mas principalmente das relações familiares. As crianças têm uma capacidade inata de se adaptar à realidade. Mas isso se torna difícil quando os pais não o fazem. 

Por isso, o exercício de cada adulto é utilizar o momento desafiante como oportunidade de se autoconhecer e reconhecer a própria força que vêm de suas origens. O momento é ideal para reconectarmos com nossas origens e refletir sobre nossas próprias relações familiares e sociais. 

Quando tomamos a força dos nossos ancestrais é mais fácil olharmos para os nossos descendentes e também perceber a força que atua sobre eles. Com isso ficamos em paz, pois sabemos que todos conseguirão passar pelos desafios como sempre aconteceu durante toda a nossa história. 

Assim, mesmo que as crianças estejam longe de amigos e outros familiares, a presença dos pais ou mesmo de um deles, transmitindo esta força e confiança em todo o processo e na realidade como ela é, facilita a vivência dos pequenos. 

O tempo de qualidade de pais e filhos na pandemia é mais importante que a quantidade que estão juntos. Privilegiar conversas honestas, brincadeiras lúdicas e um tempo saudável juntos. 

Sintomas emocionais das crianças na pandemia 

As crianças têm feito menos sintomas físicos pela falta de convivência com outras crianças, contudo os sintomas emocionais têm aumentado em demasia. Se partimos do princípio que a criança deveria ter fácil adaptação à realidade, é preciso ampliar o olhar para a família. 

O externo causa impacto, mas se a estrutura interna estiver bem consolidada, tudo fica mais ameno. Torna-se necessário voltar às origens, em um diálogo interno, para entender como os adultos em volta estão lidando com suas próprias questões internas. 

As crianças são sensíveis a tudo que está oculto e, inconscientemente, acabam manifestando sintomas para o sistema familiar. Refletir sobre a postura diante da família de origem, o lugar de cada um, a dinâmica familiar e do casal, se há desordem do sistema familiar, como cada um têm encarado suas feridas emocionais; tudo isto pode liberá-las deste lugar. 

O fato é que, para lidar melhor com seus filhos na pandemia, é o adulto que precisa se estabilizar emocionalmente e parar de nutrir medos sobre o futuro. Uma ajuda profissional pode auxiliar a atravessar o momento desafiante e se reconectar com o que verdadeiramente importa: relações familiares saudáveis e vida leve mesmo, diante de problemas e desafios. 

Se pararmos de perceber 2020 como um ano perdido, mas sim como um ano que nos propiciou ampliar o olhar e ver o essencial, tudo pode ser mais leve.


Publicado originalmente em https://www.personare.com.br/criancas-na-pandemia-m76205

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A IMPORTÂNCIA DO PAI NA NOSSA HISTÓRIA

Como entender a importância do pai a partir da Constelação Familiar

Pai E Filho, Andar, Amor, Criança

Nutrir ressentimentos pelos pais podem causar problemas em nossa vida pessoal e profissional. Neste artigo, você poderá entender a importância do pai e da mãe e lidar com os nossos sentimentos para que possamos fazer escolhas mais livres.


Muitas vezes a infância e/ou a adolescência não foi como nós idealizamos. Seja por ausência de amor, afeto, cuidado ou a presença de desafios maiores, como traumas ou violência.


É verdade que às vezes o pai e a mãe (ou apenas um deles) têm responsabilidade sobre todas essas questões que vivenciamos no passado. Mas quando você carrega todos esses ressentimentos, feridas, e mágoas para a vida adulta, quem paga o preço é você.


Para a visão sistêmica da Constelação Familiar, a relação com o pai tem grande importância na nossa vida, seja pessoal ou profissional. Bert Hellinger, terapeuta alemão, percebeu que haviam três leis que atuam sobre os relacionamentos familiares: a do pertencimento, a da ordem e a do equilíbrio.


Elas atuam para interferir em todas as áreas de nossas vidas mesmo que não tenhamos conhecimento das mesmas. Assim, se estamos em dissonância com alguma lei, certamente enfrentaremos algum problema mais desafiante  no nosso caminho.


POR QUE A IMPORTÂNCIA DO PAI É MARCANTE?


Na visão sistêmica parte-se do pressuposto de que a vida vêm através dos pais e, por esse motivo, eles merecem um lugar de respeito nas nosssas vidas. O que ocorre depois disso, ou seja, ao longo da infância e adolescência, não retira o lugar deles nem a grandeza da vida que foi dada. Da mesma forma, pela lei da ordem, os pais chegam antes ao sistema familiar e, por isso, diante deles somos pequenos.


Isso quer dizer que devemos honrá-los deste lugar que ocupamos independentemente do que eles falam, fazem ou demonstram.


Por isso, se você mantém qualquer julgamento ou crítica a respeito de seu pai, alguma consequência isso trará para sua vida. O pai pode ter sido alcoolista, ter tido algum fracasso muito grande na vida, ter perdido todo o dinheiro, ter sido muito rígido e autoritário, ou simplesmente não esteve presente no crescimento dos filhos. Tudo isso pode gerar marcas na criança ou adolescente que certamente leva essas dores para a vida adulta.


Contudo, é preciso lembrar que o pai é um homem que já existia antes que você viesse ao mundo, e com isso ele tem toda uma história também em sua família de origem. Daí a importância do pai na nossa vida.


Quando somos crianças ou adolescentes não temos a força necessária para seguir o nosso próprio caminho. Mas ao entrarmos na vida adulta precisamos seguir em frente reconhecendo que o pai deu tudo o que ele podia mesmo que não fosse aquilo que você gostaria. É simplesmente lembrar que se você está vivo é graças a ele.


A questão é que ficar remoendo aquilo que aconteceu no passado apenas nos aprisiona a ele e nos impede de realmente entrar na vida adulta. Se você julga seu pai por qualquer motivo é grande a chance de você se punir, autossabotar ou fracassar em alguma área de sua vida, seja no trabalho ou nos relacionamentos.


O QUE FAZER COM O QUE SENTIMOS SOBRE NOSSO PAI?


É muito comum os fracassos sucessivos quando há grande crítica em relação ao pai. Muitos homens não conseguem se afirmar profissionalmente, pois estão aprisionados em alguma questão do passado relacionada à seu pai ou à família paterna.


Da mesma maneira, para as mulheres, além de afetar profissionalmente, também pode criar distância do masculino caso ela tenha alguma crítica ou exigência em relação ao masculino da sua família.


Para viver a vida com leveza de forma que tudo flua na nossa vida é necessário uma postura diante do nosso sistema familiar principalmente em relação ao pai e a mãe. Assim, o custo pela mágoa do passado é muito alto.


Muitas vezes num processo inconsciente a pessoa continua levando uma vida difícil e problemática como uma forma de Vingança apenas para não concordar com a lei da Ordem e não se reconhecer pequeno diante do pai.


O que foi feito no passado não será apagado, é real. Mas a forma como você lida com ele é que conduz sua vida no agora e para o futuro.


Será que vale mesmo a pena carregar todos esses ressentimentos? Basta que você se reconheça como parte de um sistema familiar onde várias pessoas vieram antes de você e a vida que você carrega passou através de todas elas até chegar aonde você está. Quando você experimentar este lugar, o seu lugar certo no seu sistema familiar, certamente sua vida fluirá.


Os problemas e os desafios podem continuar, afinal você está vivo, mas a forma como você lidará com eles será bem mais fluida e consciente.


E não se preocupe caso você não tenha tido a oportunidade de conviver com o seu pai ou se ele foi um pai ausente. Para a visão sistêmica a convivência pouco importa. O mais importante é você reconhecer dentro do seu coração, na sua alma, que ele faz parte de quem você é, e portanto, está em você, mesmo que você não queira.


Experimente esta postura sistêmica e veja a sua vida fluir melhor em todas as áreas da sua vida.


Publicado em: https://www.personare.com.br/a-importancia-do-pai-na-nossa-historia-m60270

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Sozinha aos 40 - Os emaranhados sistêmicos que contribuem para a solidão feminina na meia idade


A lonely girl looks out into the distance in the rain. Black and white. Loneliness
Por qual motivo tantas mulheres chegam aos 40 anos sem terem constituído uma família com um companheiro ao lado? Atualmente é crescente o número de mulheres que por volta dos 35 anos e 40 anos ainda não têm uma relação sólida que as permita constituir família. Se isso não é um desejo, está tudo certo. Mas para àquelas que sentem-se tristes e solitárias e estão em busca de algum relacionamento que enfim valha a pena investir, vale a pena entender um pouco dos emaranhados sistêmicos que as prendem de forma inconsciente e nos impedem de se relacionar saudavelmente com o outro.

Como as leis sistêmicas atuam

Na visão da constelação familiar para que possamos fluir em todas as áreas da vida é preciso estar em conformidade com as algumas leis sistêmicas que nos regem. Elas atuam em nós, mesmo que não saibamos delas. A lei do pertencimento, da ordem ou hierarquia, e a lei do equilíbrio. 

A lei do pertencimento não permite que haja exclusões no sistema familiar. Todos aqueles que fazem parte do nosso sistema de maneira que interfiram em nossa existência fazem parte. Também sentimentos e comportamentos destas pessoas pertencem. Essa é uma das leis mais importantes que dá o tom das outras. Facilmente excluímos aqueles que já morreram ou tiveram ou têm comportamentos que condenamos. Além disso, nem sempre reconhecemos os que cederam lugar para o sistema como os ex parceiros dos pais por exemplo. E ainda dinâmicas nas quais as pessoas se ligam à desconhecidos por assassinatos ou acidentes.

A lei da ordem ou hierarquia apenas revela o processo natural da vida de quem vêm antes tem prioridade no sistema. Também têm mais força e é maior. A desordem é comum quando alguém de uma geração julga ou critica outro da geração anterior por qualquer razão. Com isso desconecta-se da força que vêm da origem, da fonte, e também perde força em alguma área da vida.

E a última lei é a do equilíbrio das trocas entre o dar e receber. Esta atua em relações entre iguais: casal, amigos, e colegas de trabalho. Nela é importante eu saber equilibrar aquilo que dou mas também me permitir receber algo do outro em troca. O desequilíbrio acontece quando alguém não se permite receber ficando em uma posição superior, ou quer apenas receber sem dar, como na relação de uma criança com seus pais.

A falta de lugar

Quando transgredimos alguma lei facilmente saímos do nosso lugar em nosso sistema de origem e consequentemente no sistema atual. Isso ocorre quando inconscientemente existe alguma necessidade de resolver algo para a geração anterior. E este anterior pode ser bem antes do que imaginamos. Em alguns casos, a origem pode estar na geração dos pais dos bisavós. Como exemplo podemos pensar em uma mulher hoje que pode estar inconscientemente ligada ao destino de sua bisavó que sofreu com os homens. Desta forma ela vinga dos homens em nome de sua ancestral. Assim, ela sai de seu lugar de pequena diante de seu sistema de origem e fica grande para resolver os problemas de antes. Mas às vezes a questão nem chega a ir tão longe, basta examinar a postura diante dos pais.

A crítica a mãe

Se os pais tiveram um relacionamento conturbado e conflituoso a filha deste casal pode de alguma forma reproduzir o problema em sua relação com os homens. A tendência é pensar que se o pai foi um “mau” homem para sua mãe, então a filha incorpora a ideia de que os homens são maus e não se relaciona com eles. Mas na visão sistêmica não é tão simples. O problema muitas vezes se reside em uma relação fora de ordem com a mãe e não com o pai. Uma possibilidade é a mulher olhar a mãe como fraca ou incapaz de resolver a questão e assim não respeita o feminino dentro dela. Com isso o masculino interno se sobressai e ela afasta dos homens. Ela também pode ter sido colocada no lugar de confidente da mãe o que aumenta a possibilidade de criticá-la e se sentir maior ou melhor do que ela. Com isso, inconscientemente ela evita se relacionar para não experimentar algo semelhante ao que a mãe e correr o risco de repetir. Então não repete e fica sozinha.

O respeito ao masculino dentro de cada um

Quando a relação dos pais, ou mesmo de avós foi muito abusiva a mulher que sai do seu lugar para tentar resolver a questão, de forma inconsciente, pode repetir a dinâmica internamente. Existe o masculino e feminino dentro de cada um. Em alguns casos os conflitos são repetidos externamente e as mulheres também se submetem a relacionamentos abusivos para ser leal às mulheres da família. Contudo, a dinâmica que é reproduzida internamente quase não é percebida e é geralmente aquela que leva as mulheres a solidão. Como dito anteriormente, o masculino interno irá submeter o feminino. Então esta mulher será extremamente independente, não aceitará ajuda de forma alguma, e pode até trabalhar em excesso. Há um masculino que abusa do feminino dentro dela e isto cria uma luta contra os homens de forma externa. Então os homens se afastam pois no fundo não se sentem respeitados. 

A postura que libera

Em todos os exemplos citados podem sinalizar algumas posturas em dissonância com as leis que podem ser expressadas pelas frases: “eu me vingo por você”, ou “sou melhor que você”, “eu por você”. Estas frases atuam na alma e revelam a postura que emaranha a mulher fazendo com que ela fique só. Em contrapartida, a postura em conformidade com as leis sistêmicas precisa que esta mulher reconheça que todos as mulheres do sistema fizeram o que podiam e deram o seu melhor dentro dos recursos que tinha. Sem críticas, nem julgamentos, é possível reconhecer a grandeza com que muitas carregaram um destino muitas vezes pesado. Olhar para os pais e honrar e reverenciar cada um da forma como é e independentemente dos erros cometidos como homem e mulher que são. Quando olho com gratidão para aqueles que me deram a vida e deixo todo o resto de lado, é possível tomar a vida de forma mais plena. Assim é possível respeitar o masculino e o feminino internamente e externamente colher os frutos de uma relação a dois equilibrada. 






quarta-feira, 1 de abril de 2020

Com a postura da ajuda correta, posso ajudar melhor!




Olá!


Atravessamos um momento desafiante que vêm nos trazendo grandes reflexões. Cada um está fazendo o que pode para lidar com as limitações que nos são impostas para nossa própria preservação e dos que nos amamos. Olhar para as mortes e desespero de tantos que têm poucos ou nenhum recurso, nos remete à nossa própria fragilidade diante da vida. Mas têm atitudes mais efetivas que apenas nos lamentar por tudo isso. Se temos os recursos necessários devemos ser gratos e dentro das possibilidades de cada um compartilhar com quem não tem.


Então resolvi juntar tudo que consegui sobre locais que aceitam doações ou outras formas de ajudar os que necessitam:



Obs: Lembrando que a postura de doação não pode ser arrogante nem superior. E nem devemos olhar para quem recebe com pena ou como coitado. Somos iguais perante algo maior, com alguns com mais recursos materiais e outros menos. Mas a história de cada um pertence ao indivíduo que dá conta de carregá-la.


É preciso saber suportar o destino do outro que talvez tenha uma força e grandeza para carregá-lo que outros com mais recursos talvez não teriam em seu lugar.


A ajuda é sempre dentro da possibilidade de cada um e do desejo do outro de recebê-la! Assim crescemos todos!


Médico sem fronteiras - sem palavras para explicar o trabalho dos médicos sem fronteiras! Eles colocam várias formas de ajudar no site https://www.msf.org.br/como-ajudar Sei que você encontrará uma possível para você! :-)


Fraternidade sem Fronteiras - Eles estão com o projeto Ação Madagascar, precisa muito de recursos para continuar dando uma refeição por dia a mais de 5000 pessoas, além de oferecer, auxílio à saúde, educação e produtos para higiene. E acolher mais pessoas, pois ainda existem milhares delas, em estado de extrema vulnerabilidade. A África ainda é o país menos atingido e caso o Covid 19 se propague poderá causar milhares de mortes. Por este motivo os voluntários de outros países não podem atuar por lá para não levarem o vírus. Façamos cada um de nós nossa parte também para minimizar a FOME que dói e mata muitas crianças por dia, na África. No momento estão com uma rifa, onde cada bilhete custa R$ 10,00 , em prol do projeto. Os prêmios são:


1- Carro HB20 Nova Geração Sense 1.0


2- Corrente de ouro 18k


3- Quadro do pintor Jorge Solyano, 60x80


Abaixo, seguem contas para depósito.


Banco do Brasil Ag:5783-5 c/c 26224-2


Banco do Itaú Ag: 0091 c/c 53286-1


Bradesco Ag:3408-8 c/c 22109-0


CNPJ: 11.335.070/0001-17


Mandar o comprovante para (67) 992165924 que receberá os números para o sorteio.O sorteio será 18 de abril de 2020.
Outras informações e formas de ajudar https://www.fraternidadesemfronteiras.org.br/como-ajudar/



Em BH - Ação população de rua BH - Para ajudar os mais de 5 mil moradores de rua em BH a Pastoral Nacional do Povo da Rua tem recolhido doações físicas e contribuições financeiros para dar seguimento ao trabalho. Podem ser doados kits de higiene (alcool gel, escova de dente, creme dental, sabonete, shampoo, condicionador, desodorante e prestobarba), Kits Alimentação (água, suco, achocolatado e biscoitos diversos) e outros itens (mascaras, luvas, aventais, cobertor, roupas, absorventes, chinelos, barracas, sacos de lixo).

Horário de recebimento 10h às 12h e 14h às 16h. ;Quadra do Colégio Santo Antônio - Rua Santa Rita Durão, 1033. Conta para doações: Associação Pastoral Nacional do Povo da Rua - Banco Itaú ag: 3319 c/c 10712-8 CNPJ: 06.267.877/0001-20



Mais em Minas Gerais: O site reúne algumas opções em BH e Região incluindo hospitais que precisam de materiais e aglomerados e comunidades por meio de campanhas coletivas.
https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/03/25/coronavirus-conheca-iniciativas-em-bh-para-ajudar-quem-precisa-durante-o-periodo-de-quarentena.ghtml


O greenpeace reuniu em seu site 14 formas de ajudar direcionando para os links adequados. A maior parte é feita através de vaquinha e nas cidades do RJ e SP. Clica lá e confere. Qualquer contribuição é bem vinda neste momento!
https://www.greenpeace.org/brasil/blog/14-formas-de-ajudar-quem-precisa-durante-a-pandemia-do-coronavirus/



Estejam Bem!!

Maria Cristina Gomes

@psicologamariacristinag

www.mariacristina.com.br

terça-feira, 10 de março de 2020

Workshop vivencial em Constelação Familiar em Belo Horizonte


O que na sua vida não flui bem no momento? O que já tentou de várias formas mas não consegue mudar?  

Com a constelação familiar sistêmica temos a oportunidade de conhecer as leis sistêmicas e perceber como elas atuam em nossas vidas de maneiras variadas e que na maioria dos casos nem percebemos. Isso nos possibilita ter um novo olhar sobre os desafios e ressignificar problemas nos relacionamentos afetivos, profissionais ou familiares; bem como lidar com problemas de saúde, traumas, medos, entre outros.

Mesmo quem não deseja trabalhar algum tema específico e se propõe a apenas participar como ouvinte ou representante, se beneficia. Pois algo nos toca quando entramos em contato com outras histórias e podemos resolver em nós questões pendentes nas mais diversas áreas. Ou seja, todos os presentes em uma constelação familiar são beneficiados! 
Venha conhecer esta maravilhosa ferramenta de transformação!

COMO A CONSTELAÇÃO PODE LHE AJUDAR:

Que algo mude positivamente em meus relacionamentos; 
Que minha história de vida continue bem;
Que algo foque em paz dentro de mim e com outras pessoas; 
Que algo possa ser encerrado, e talvez que algo no meu corpo possa ser curado; 
Que eu possa sentir a vida em mim mesma, confiar nela e transmiti-la; 
Que o amor possa fluir para mim e para os outros, não apenas como um sentimento, mas como uma ação real, pela qual assumo a responsabilidade.
Tomar consciência do que está por trás do processo de autossabotagem;
Interromper processos de repetição autodestrutivos em qualquer área da vida;
Liberar as mágoas do passado para a vida fluir no presente.


Traga seu tema e vem constelar para ampliar seu olhar e acessar a solução para sua questão!
Caso deseje conhecer, participar apenas como ouvinte ou representante ou constelar uma questão, envie um email para mariacristinaconstelacao@gmail.com e demonstre seu interesse que será avisada(o) dos próximos encontros.






segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Frozen II: Será que pagamos pelos erros dos nossos antepassados?

Animação da Disney nos ajuda a refletir sobre o legado que trazemos dos nossos ancestrais e ampliar o olhar com o auxílio das leis sistêmicas da Constelação Familiar.

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Frozen II indicada ao oscar 2020 na categoria de Melhor Canção Original, chegou aos cinemas no fim de 2019 carregado de expectativas. O primeiro filme conquistou um grande público entre adultos e crianças e de certa maneira revolucionou os filmes de princesas aos quais estávamos habituados. A continuação ficou encarregada de ir além e explicar a origem dos poderes de Elsa, e com isso nos proporcionou um mergulho no passado das personagens.

No animação atual, a relação das irmãs continua sendo de muita proximidade. E como Elsa não precisa mais negar seus poderes e já aprendeu a lidar com eles, ela poderia seguir vivendo uma pacata vida de rainha de Arendelle. Contudo ela sente um ímpeto de ir em busca da verdade sobre a morte de seus pais e começa uma nova aventura acompanhada da irmã Anna, Kristoff, Olaf e Sven. 

Os conflitos que não sabemos de onde vêm

Com uma reflexão mais profunda é possível perceber que Elsa continua em conflito. No primeiro filme ela tem dificuldades de reconhecer quem ela é, e no segundo ela ainda sente que não se encontrou totalmente. E então ela se depara com um real conflito entre povos que ocorreu no passado, e como ela simbolicamente representava a união deles.

O que a Rainha sentia fazia parte de algo concreto que realmente ocorreu no passado. E ao se deparar com o fato que era representado pela briga de dois povos, ela decidiu-se por ir mais fundo até encontrar a origem do problema. 

O conflito de Elsa é muito comum em nossa vida cotidiana. Muitos sentem-se divididos, angustiados ou mesmo perdidos em seu próprio caminho e não conseguem encontrar uma causa real e atual para o sentimento que lhes perturba. Mas recorrendo à visão sistêmica e buscando um olhar mais amplo para nosso passado podemos encontrar em outros personagens da nossa história aqueles mesmos sentimentos que adotamos e repetimos insconscientemente.

Um olhar para as leis sistêmicas

A partir de um extenso estudo com famílias foi possível observar que algumas leis atuam todo o tempo mesmo que não se tenha conhecimento delas. Estas leis são a base das constelações familiares e são: Lei do pertencimento, da ordem e do equilíbrio. Basicamente as leis determinam que nada nem ninguém pode ser excluído do nosso sistema familiar; que quem chegou antes no sistema tem prioridade sobre quem chega depois e que é preciso estabelecer uma relação de troca e equilíbrio entre aquilo que é dado e o que é recebido. Sendo esta terceira lei válida para a relação entre casal e social.

Assim, somos unidos ao nosso sistema familiar por uma lealdade profunda, sendo que se alguma destas leis forem transgredidas, um ou mais membros se propõe a reparar. Está além da nossa vontade pois é uma lealdade insconsciente. O objetivo final é estar de acordo com as leis do sistema, reparando injustiças anteriores ou resgatando o fluxo do amor antes interrompido no sistema familiar.

Restaurando o fluxo do amor interrompido

Em Frozen II, Elsa se depara com um grave erro cometido pelo seu avô. Erro este que desencadeou uma série de injustiças e interferiram negativamente na vida de um povo. De alguma maneira para Arendelle existir outros foram prejudicados. Ao se deparar com a questão, a própria Elsa paga um preço e novamente ela precisa ser salva pela irmã. Anna se conecta de alguma forma com a raiz do problema e busca imediatamente sua reparação mesmo que seu lar seja prejudicado. Apenas este ato é suficiente para reparar a injustiça e Arendelle não precisa ser sacrificada.

Algumas crianças que assistiram a animação se perguntaram se o avô das irmãs era mau. E a resposta é não! Ele fez o que achava ser a coisa certa a se fazer. Contudo, para o sistema não existe certo ou errado da forma moral como aprendemos. Existe Justiça ou injustiça. Mesmo que o avô estivesse convicto de que fazia a coisa certa, cometeu uma grande injustiça e legou aos descendente as consequências dos seus atos. 

A reparação necessária é restaurar o fluxo de amor interrompido. A construção de uma barreira, que na animação foi literal, é o que causa a separação. Os atos dos ancestrais apenas irão afetar a geração presente, se forem julgados, excluídos e extirpados como algo ruim e danoso. Pois é exatamente esta atitude que pode gerar o vínculo negativo causando a repetição de atos ou sentimentos de personagens do passado. Se no passado um ancestral comete uma injustiça e no presente seu ascendente apenas o julga ou critica por isso, a injustiça continua a atuar. O amor continua interrompido. Por outro lado, reconhecer a injustiça feita e deixar o lugar de honra que o antepassado possui no sistema independente dos atos cometidos, permite que o presente flua de maneira mais livre, com amor.

Como diria Jakob Schneider, “(...) Os fatos terríveis buscam uma linguagem através das gerações, para que se exteriorizem e possam aliviar a alma.” Em Frozen I a mensagem principal foi que o amor é a força que une e liberta. E a continuação reforça, que a força que precisamos buscamos nos ancestrais, nas nossas origens, independente de quem foram ou o que fizeram. Afinal, se não fossem por eles não estaríamos aqui. Honrar, liberar e seguir em frente. Assim, liberamos as barreiras que nos separam de nós mesmo.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

História de um casamento: O bom divórcio é possível?

Filme da Netflix candidato ao oscar de 2020 traz a reflexão: O Divórcio é um luto, mas pode ser vivido de forma mais leve de acordo com a postura de cada um.
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O filme História de um casamento (Marriage Story, 2019) parece ser uma história de amor. E é! O divórcio é apenas uma consequência de atitudes inconscientes que vão sendo negligenciadas ao longo da relação. Nicole e Charlie são casados há um bom tempo e têm um filho desta relação. Parecem ser um casal perfeito e nisto também reside alguns perigos como os da projeção e idealização.

Ao longo do filme é nítido o carinho que ambos possuem um pelo outro, ao mesmo tempo, como o divórcio com os advogados em ação vai se construindo como uma luta de interesses e de quem está com a razão.

Este é o primeiro erro comum, achar quem está com a razão. Geralmente na visão de cada um, aliás como em qualquer casal, cada um acredita que o certo é o seu ponto de vista. Contudo, cada um traz formas de relacionar e atuar diante da vida de sua família de origem e pensar que existe um jeito certo é a receita para grandes discussões.

Quando nos unimos com o outro nos relacionamos com toda a história de origem dele, mesmo sem saber o que atua ali de forma oculta. Na grande maioria dos casais as brigas e conflitos tratam-se de emaranhados ou padrões trazidos da família de origem, onde um perde de vista quem realmente o outro é. A intenção não é justificar comportamentos um do outro como sendo certos ou errados. É preciso ampliar e reconhecer que cada um atua muitas vezes de forma inconsciente e que é preciso exercer uma escolha consciente diante disto.

Na visão sistêmica das constelações familiares, existe a lei do equilíbrio que rege os relacionamentos. A partir do entendimento dela percebemos que mais importante que amar demais é estar em equilíbrio de trocas em uma relação. Aliás, "dar demais", "amar demais", "dar tudo de si", geralmente é bem difícil de ser equilibrado e o outro que não consegue retribuir da mesma maneira se sente pressionado a sair da relação. Como ocorreu com o casal de protagonistas do filme. 

Muitas vezes quando ficamos conscientes dos conflitos que carregamos em nossa própria história ficamos um pouco mais livres para perceber a pessoa parceira. O objetivo de um relacionamento saudável não pode ser um tentando preencher as necessidades infantis do outro. Mesmo porque isso é tarefa impossível. A falta que fica, geralmente dos pais, nunca será preenchida por nada nem por ninguém mesmo que as tentativas sejam incansáveis.

Ao se tornar então consciente de suas própria faltas ou emaranhados em seu sistema familiar, é preciso reconhecer que o outro pode não acompanhar o mesmo processo. Então sempre há uma escolha. Concordar com o outro e o relacionamento da maneira que é e adequar a relação para o equilíbrio necessário, ou seguir em frente. E então, se a saída escolhida for o divórcio, é preciso  encará-lo como um luto, uma perda das idealizações feitas anteriormente em torno do casamento. Não há como passar por um divórcio sem dor. Reconhecer a sua dor e a dor do outro é um passo importante para um divórcio mais livre. E quando há filhos da relação, estar ciente que o casal se separa, mas os pais estarão sempre vinculados através da criança. Crianças não precisam sofrer com um divórcio. E se isso ocorre é porque, na maioria das vezes, os pais não conseguem separar as dores do casal da função parental que ocupam com os filhos. Brigas constantes e trocas de ofensas só geram mais sofrimento para a criança além de trazer uma vinculação negativa entre o casal que pode influenciar nas relações futuras.

Assim, para se ter um divórcio mais livre ou o bom divórcio, é necessário abrir mão da necessidade de estar com a razão e algumas vezes da posição de vítima da relação. Independente do que ocorreu, em algum momento houve amor e é isso que precisa ser honrado. Para seguir em frente com leveza torna-se necessário reconhecer que erros foram cometidos muitas vezes por questões sistêmicas ocultas que atuaram a nossa revelia, mas que o vínculo positivo pode se manter se o lugar do outro permanece como um registro de experiência e crescimento dentro da história de cada um.