Animação Klaus da Netflix traz reflexão sobre a permissão dos pais para que os filhos caminhem para a vida adulta
A nova animação da Netflix lançada em dezembro de 2019 reconta a história da origem do Papai Noel. A trama conta a história de Jesper um aprendiz de carteiro mimado e preguiçoso que se recusa a sair de sua zona de conforto. Seu pai, o presidente dos correios, dá-lhe um ultimato: ou ele vai para Smeeresnburg, cidade nórdica praticamente esquecida do mundo e faz o envio de seis mil cartas no prazo de um ano, ou perderá seu direito na herança. Ao chegar ao local, o jovem toma conhecimento de que o lugar vive em um eterno conflito. Os clãs Krum e Ellingboes se enfrentam diariamente em uma briga centenária que varreu tudo que havia de bom na ilha. (Fonte: https://www.omelete.com.br/netflix/criticas/klaus-oscar-2020)
A estória contada na animação não está muito distante da nossa realidade. Muitos filhos adultos se recusam a crescer e serem responsáveis por suas próprias vidas por estarem sob os cuidados de pais zelosos e protetores. Claro que os pais não pensam estar fazendo algum mal aos filhos. Afinal, não custa nada ajudar. Mas a reflexão que podemos levantar é: Permito que meu filho realmente seja adulto, ou ainda o trato como criança tentando suprir todas as suas necessidades?
Na animação o pai de Jesper percebeu que o filho estava acomodado. Então opta por uma atitude mais radical, mesmo que seja doloroso saber que o filho enfrentará grandes desafios. Atitudes extremas as vezes são necessárias quando postergamos demais a mudança da postura. Se os pais mantém os filhos adultos como crianças em algum momento eles podem se deparar com um filho fraco e sem recursos para construir sua própria história. Então parece um ciclo vicioso, pois gerar filhos dependentes os fazem acreditar que eles não podem caminhar ou prosperar sem ajuda, fazendo com que eles continuem dependentes dos pais e de outros.
Não é uma postura fácil de perceber. Mesmo porque sempre há muito amor envolvido. O problema é que amor demais, geralmente é carregado de emaranhados sistêmicos, e traz mais peso que leveza. Claro que pais que não permitem que seus filhos cresçam por razões ocultas precisam deles neste lugar. Muitas vezes buscam que os filhos preencham expectativa, faltas ou vazios que já existem dentro deles. Na constelação familiar percebemos o quanto a ordem é uma lei fundamental dentro das famílias. E nestes casos é esta lei que está sendo violada.
Pais vêm primeiro no sistema familiar e depois os filhos. Contudo, muitas vezes se estes pais acreditam que não receberam dos próprios pais como deveria ou gostariam tendem a buscar nos filhos essa falta. Esta é uma dinâmica muito comum nas famílias. Com isso a ordem é invertida e todos sofrem, mas principalmente os filhos. Cabe a cada um olhar para sua própria história para que os descendentes possam ser um pouco mais livres.
O primeiro passo é confiar que o filho adulto possui os recursos necessários para cuidar de sua própria vida. Mesmo que os pais não tenham conseguido seguir em frente e estejam "presos" aos vínculos do passado seja por críticas, exigências infantis ou julgamentos; ainda sim os filhos podem caminhar com as próprias pernas.
Mesmo que o filho adulto tenha sido colocado em lugar infantil, cabe a ele sair desta posição, mesmo que os pais não tomem atitude. Jesper se beneficiou imensamente com a atitude do pai de mandá-lo para longe e conseguiu mudar sua postura e assumir sua própria vida. Mas nem todos os pais conseguem tomar esta atitude por si mesmos. Então, cabe aos filhos adultos fazerem o que é preciso!
Os adultos são capazes de carregar seu destino do jeito que ele se apresenta. Para isso é preciso encarar a realidade e não negá-la ou lutar contra ela. Acreditar na força do sistema familiar e tomá-la para si, sem críticas ou exigências, para caminhar mais inteiro na vida é o que nos torna adultos e nos permite seguir em frente!
Filme baseado em fatos da vida do cantor Elton John nos ajuda a refletir sobre a influência da relação familiar em nossa vida profissional.
O filme Rocketman (2019) vencedor do oscar 2020 de melhor canção original, é um musical que conta a trajetória de Reginald Dwight (Taron Egerton) e como se transformou no músico, ícone da música pop, Elton John. As músicas do cantor dão o tom da autobiografia que perpassa sua história de vida, incluindo as relações familiares e amorosas do músico.
Ao longo do filme é possível perceber os conflitos e mágoas que o jovem Reginald guarda de seus pais. E mesmo com todo a riqueza e reconhecimento ele entra em um processo autodestrutivo que o leva a rever alguns capítulos de sua própria história. A partir da visão sistêmica e das constelações familiares podemos compreender os emaranhados que levam o cantor a grandes sofrimentos e a quase morte.
Quando a riqueza não é suficiente
Ninguém pode negar que Elton John é um cantor de sucesso. Foi ídolo de uma geração na década de 80 e até hoje suas músicas são tocadas e regravadas por diversos compositores. Contudo o filme mostra que o cantor passou por altos e baixos e esteve perto de destruir sua carreira. A infância foi retratada no filme e talvez para alguns sem grandes conflitos. Talvez um pai distante que separa-se e constitue outra família, e uma mãe voltada para seus próprios interesses. O garoto vai em frente e com garra e ousadia inicia uma bela carreira musical. Se envolve com drogas e em um relacionamento abusivo, e no auge da fama tenta suicídio. Nem com toda a sua fama, dinheiro e patrimônio ele conseguia ser feliz. O que ele buscava preencher dentro dele, nenhuma pessoa ou dinheiro poderiam oferecer: a falta dos pais.
Lealdade acima de tudo
Somos leais ao nosso sistema familiar. Essa é uma lei e conscientes ou não desse fato ele atua em cada um. Reginald sente-se rejeitado por ambos os pais. Mesmo que tente seguir, ele leva muitas mágoas e exigências infantis. O desejo de ser amado, como talvez não foi por sua mãe, o faz se submeter a um relacionamento abusivo. As críticas ao pai ausente o levam ao relacionamento com as drogas. Sistemicamente é uma dinâmica comum nas famílias com pessoas adictas: a falta ou ausência do pai. Isso tudo ocorre devido a esta lealdade invisível que nos une ao nosso sistema. Criticar, julgar, exigir e demandar podem levar o sujeito a fracassos ou processos autodestrutivos, tal como ocorreu com o personagem Elton John. Este tinha um aparente sucesso de público e vendas, mas o homem Reginald Dwight, permanecia olhando para as faltas do passado e buscando preencher necessidades infantis que inevitavelmente o levava a sofrimentos.
Em seu livro Histórias de Sucesso, Bert Hellinger diz: “O maior obstáculo para nosso sucesso são as imagens internas que fizemos de nossa mãe e de nosso pai.” No fundo é uma grande pirraça para lidar com a realidade como ela é e seguir em frente apesar do passado doloroso.
Acolhendo sua própria criança e seguindo em frente
A liberação do homem Reginald Dwight ocorre quando ele mesmo acolhe o garoto rejeitado que ele fora. Os pais não mudaram a postura com ele. Ele mudou a postura com seu eu criança e com a imagem que carregava dos pais. Ele deixou de ser criança para se tornar adulto no momento em que se reconcilia com seu passado. Com isso não precisou mais das drogas nem de relações abusivas para preencher nenhuma falta. Ele reconheceu que ele tinha o suficiente e o resto cabia a ele conquistar. Os pais são como são. A realidade é como é. Cabe a cada um a escolha de ficar olhando para trás se lamentando, se queixando ou julgando, e assim fracassando no presente. Ou, tomar o que lhe foi dado, do jeito que foi e seguir em frente. Sem excluir ou rejeitar aquilo que foi, ou que aconteceu, mas honrando a vida que lhe foi presenteada e extraindo dela o melhor que puder. Assim há liberação, fluidez, sucesso e prosperidade.
Artigo publicado primeiramente em www.personare.com.br
Técnica auxilia na percepção e entendimento dos desafios que marcam uma mesma família
É natural que ao longo da vida situações repetitivas ocorram. Afinal, a repetição nos impulsiona ao aprendizado. Mas, às vezes há problemas que se repetem por gerações e nem sempre é possível perceber exatamente o que é necessário aprender para que a situação pare de se repetir. E é aí que a constelação familiar pode nos auxiliar.
A constelação familiar é um método criado pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, que estuda os padrões comportamentais familiares. Os princípios propostos pela técnica nos auxiliam na compreensão desses padrões inconscientes, que se repetem por gerações e podem criar dificuldades semelhantes dentro de um mesmo grupo familiar.
AVALIAR TODAS AS VARIÁVEIS
É importante estar atento na primeira repetição. Não é uma tarefa muito fácil, já que temos tendência de perceber como uma mera coincidência, sem darmos a importância necessária.
Ao identificar essa repetição, torna-se necessário uma boa dose de autorresponsabilidade para assumir que os problemas que ocorrem na sua vida dizem respeito a você.
Dessa forma, eliminamos a tendência de culpar outras pessoas pelo fato de algo estar se repetindo em nossa própria história. Com isso, estamos prontos para avaliar exatamente onde a repetição ocorre e o que a desencadeia. Para, assim, partir em busca da solução desejada.
MUDAR REQUER MUDANÇA
Considero que atualmente a busca pelas constelações familiares como um recurso de cura aumentou consideravelmente. Mas, como todas as ferramentas externas que podem ser utilizadas para evolução e desenvolvimento pessoal, a solução não é algo mágico. Ela requer uma mudança de atitude e postura diante da vida. Pode parecer algo óbvio mas, acredite, não é.
Muitos procuram as constelações acreditando que basta constelar o problema com um profissional capacitado e pronto, tudo estará resolvido. Então, ao perceber que a mágica da vida depende de cada um fazer acontecer, o sujeito que não teve a mudança almejada acredita que o problema foi a ferramenta utilizada e descarta o que de melhor as constelações podem trazer.
ENTENDA OS TRÊS PRINCÍPIOS DA CONSTELAÇÃO FAMILIAR
Toda a constelação familiar é baseada em três princípios sistêmicos:
Lei do pertencimento
Lei da ordem ou hierarquia
Lei do equilíbrio.
Eles existem e atuam mesmo que não se acredite neles. A repetição geralmente significa uma lealdade inconsciente a algo ou alguém do sistema familiar. E quando ela ocorre, é provável que alguma das leis sistêmicas esteja sendo desrespeitada.
LEI DO PERTENCIMENTO
A lei do pertencimento irá atuar se alguém ou algo do sistema familiar for excluído por qualquer motivo. Assim, algum outro membro da família pode assumir o lugar dele no sistema no intuito de incluí-lo novamente. Ou seja, se ninguém gosta ou quer falar daquele tio distante que só ofereceu problemas para todos, saiba que alguém irá repetir a história deste tio ou também trará algum problema de forma constante.
LEI DA ORDEM
A lei da ordem é desrespeitada quando alguém se acha melhor do que os pais. Nessa conduta, podem estar incluídos julgamentos quanto a educação dada ou possíveis exigências de falta de amor. Esta é a lei mais comum e fácil de ser desrespeitada e a que mais conduz às repetições. Pois ela atua em todas as áreas da vida. Um exemplo é o constante fracasso nos relacionamentos, é que ele pode ter origem no julgamento de um dos pais em sua própria relação de casal.
Já no âmbito profissional, as perdas financeiras recorrentes pelos mais variados motivos podem surgir de uma crítica a algum ancestral (pais, tios ou avós) sobre a forma como conduziu sua vida profissional ou utilizou o dinheiro.
Ou até mesmo um amor cego a ponto de não ir além daquilo que a geração anterior conquistou. Este segundo exemplo também desrespeita a lei da ordem já que se trata de uma inversão de hierarquia na qual há uma intenção implícita de “cuidar” de quem veio antes.
LEI DO EQUILÍBRIO
A lei do equilíbrio, por sua vez, atua diretamente nas relações sociais e afetivas. Ela é baseada em um equilíbrio de troca entre o dar e receber. Se em uma relação afetiva, eu apenas quero dar (afeto, dinheiro ou cuidados) e me recuso a receber, a pessoa parceira pode ir embora. Esta situação pode se repetir até que se perceba que a lei está sendo desrespeitada e volte ao equilíbrio.
CONSTELAR O PROBLEMA
Após compreender esses princípios, já é possível que, por si só, o indivíduo consiga perceber e encerrar a repetição. Basta dar um lugar no coração a todos os excluídos, parar de julgar e criticar os ancestrais e equilibrar as relações.
Contudo, o emaranhado pode estar muito inconsciente. Nesse caso, é importante buscar um profissional capacitado em constelações familiares e levar o problema a um grupo ou em sessão individual com bonecos.
A diferença é que em uma constelação em grupo são pessoas que atuarão como representantes o que pode dar um movimento maior e mais amplo para solução.
Já a constelação individual é geralmente feita com bonecos e conta com uma maior interação do terapeuta e do cliente. Ambas são efetivas em seu objetivos, mas a de grupo por ser algo mais visual e causar mais impacto.
Independente do tipo escolhido, é importante ter a consciência que a mudança é na postura interna. A constelação poderá mostrar os movimentos que ocorrem na alma, mas se ele será realizado ou não depende de cada um.
Por isso, com a compreensão dos princípios sistêmicos, é mais fácil de mudar a postura a partir do que é mostrado em uma constelação familiar.
O PROCESSO QUE É CONTÍNUO
Não pense que constelar o problema e encontrar a solução encerra o assunto. A prática dos princípios deve ser constante para que os problemas não voltem a se repetir. E, mesmo que voltem posteriormente, a consciência não é a mesma e se torna cada vez menos desafiante vencer esse padrões.
É preciso revisitar diariamente as leis e verificar se existe algo fora do seu lugar dentro do sistema familiar, ou ainda uma exigência para que seus ancestrais preencham seus anseios. Assim, é preciso dar lugar a todos, sem julgamentos, e respeitando a ordem de cada um dentro do sistema familiar. Dessa forma, a força de todos ancestrais poderá fluir através de você e permitir que a sua vida também flua em todas as esferas.
Algumas datas comemorativas podem ser ótimas para o comércio, mas particularmente podem gerar tristezas, raivas e imensos vazios em algumas pessoas. Um dia inteiro dedicado a alguém que não está presente em sua vida pode abrir algumas feridas. Mas certamente a ausência do pai não é sentida apenas no dia dedicado a ele, pelo contrário, pode ser vivida a cada dia de uma vida inteira.
Como lidar com a ausência da paternidade e o que fazer para não ser um pai ausente para os filhos? Esta é uma pergunta que pode ser respondida sob diversos pontos de vista, contudo aqui utilizarei a visão das constelações familiares sistêmicas.
Na visão das constelações familiares existem três leis sistêmicas que precisam ser respeitadas para que a vida siga em um fluxo positivo: a lei do pertencimento, da ordem e do equilíbrio. Resumidamente estas leis traduzem que em um sistema familiar todos têm direito de pertencer e ninguém pode ser excluído; quem vem antes tem prioridade sobre quem chega depois; e nas relações entre iguais precisa existir um equilíbrio de troca entre dar e receber.
O próximo passo é entender que a presença do pai é fundamental para o ser humano. Através dele e da mãe é que o filho recebe a vida, independente se o homem e a mulher formaram um casal antes de adquirirem esta função. Para que possamos respeitar a lei da ordem, devemos estar cientes de que os pais vêm antes e portanto devemos honrá-los deste lugar de grandes no sistema. Para as constelações não existe pai ausente. Existem apenas O Pai, como sendo aquele que lhe transmitiu a vida.
Contudo, não deixa de ser um fato que crianças crescem sem seus pais, seja por falecimento, desconhecimento ou mesmo distanciamento. Dependendo da dinâmica do sistema familiar, estas crianças, ao se tornarem adultas, poderão sofrer alguns desdobramentos desta ausência tais como: sensação de vazio sem explicação; sensação de não ter um rumo na vida; dificuldade nos relacionamentos; fracassos profissionais constantes e em alguns extremos podem ser dependentes químicos.
Um dos principais fatores que podem determinar como estes adultos “sem pais” caminham pela vida é a dinâmica familiar na qual estão envolvidos. Se o pai está ausente, seja por qual motivo for, já é reflexo de uma transgressão das leis sistêmicas. E cada contexto da ausência pode nos indicar qual lei pode estar sendo desrespeitada.
Ausência por falecimento
Quando os pais morrem quando as crianças são pequenas podem gerar uma ausência na fase adulta dos pequenos. Mas não necessariamente isto irá ocorrer. Quando ocorre, geralmente é por esquecimento ou mágoa daqueles que ficam, mais provavelmente da mãe. Algumas mulheres ao perderem seus maridos com filhos pequenos, muitas vezes no intuito de proteger as crianças ou mesmo se livrarem da dor, eliminam fotos e quaisquer lembranças do pai. Ou mesmo se a morte se deu de alguma maneira não convencional, abrupta ou violenta, isto também pode ser omitido como forma de proteção. Com isso a lei do pertencimento é violada, já que os mortos continuam pertencendo ao sistema familiar. Assim o esquecimento gera consequências a um ou mais membros do sistema. Uma maneira de se lidar com isso é que a criança, cujos pais faleceram, diga: “Querido papai ou querida mamãe, você continua a viver em mim, e vou viver de forma que você possa se alegrar com isso”. Assim, é possível eliminar sentimentos de culpa, raiva, vazio, bem como, alguns fracassos amorosos e profissionais.
O mais importante para evitar esse tipo de dinâmica é deixar o lugar do pai no sistema mesmo após sua morte. Ele precisa ser lembrado através de fotos e boas memórias. Se as crianças crescem em um ambiente em que o pai é sempre lembrado com amor e alegria elas não sentem tanto sua ausência.
Pai desconhecido
A dinâmica aqui pode ser similar a anterior mas também pode ser bem pior. Pelo fato do pai ser desconhecido o risco dele ser simplesmente apagado é ainda maior do que uma morte precoce. A dificuldade é maior pois pode não ter nenhum indício físico de quem é este pai. Soma-se a isso se a mulher se refere a ele de forma pejorativa. As crianças podem formar uma imagem negativa do pai e inconscientemente podem sentir-se inadequadas e culpadas pela sua ausência. A solução contudo é similar a anterior. É preciso dar um lugar para o pai no coração e reconhecer que ele existe dentro de você. Não importa quem ele é e o que ocorreu, ele cumpriu uma grande função de lhe dar a vida e agora você pode fazer dela o seu melhor.
Pai distante
Esta dinâmica talvez seja a mais comum. Antigamente, os homens eram praticamente os únicos provedores de um lar precisando trabalhar excessivamente passando longas horas fora de casa. Atualmente ainda há excesso de trabalho, mas o que prevalece é o aumento no número de divórcios e geralmente o pai é o que fica mais afastado. Há ainda pais que estão presentes mas não participam e os que são doentes ou dependentes. Uma série de fatores levam a este distanciamento. Em todos eles o que determina o quanto o adulto será afetado, novamente, é se ele estiver disposto a respeitar as leis sistêmicas. Geralmente a lei mais violada é da ordem ou hierarquia. O adulto tem uma opinião negativa do pai, geralmente repleta de críticas e exigências. Com isso sente-se no papel de grande, de maior na hierarquia. A própria cobrança de maior presença é muitas vezes uma carência e uma exigência da criança por mais afeto e atenção. Para uma criança é natural sentir falta e desejar ter o pai mais próximo. Ela certamente ficará com raiva e frustrada por não tê-lo ao seu lado. Mas o adulto precisa aprender a lidar com isso sob outro olhar. Reconhecer que o pai deu tudo que podia é o primeiro passo. Acolher a própria criança em um trabalho de autoconhecimento também é importante.
Seguir em frente
Um grande temor é repetir a história com os descendentes. Caso o adulto se dê o direito de julgar ou criticar seu pai, ele mesmo sofrerá as consequências em sua vida e aí sim corre o risco de repetir a história. A repetição é uma dinâmica inconsciente que funciona como uma reparação da transgressão de alguma lei sistêmica. Se inconscientemente o pai é esquecido ou ignorado então a lei do pertencimento entra em ação. Mas se o adulto achar que o pai é um fracasso e não merece nenhuma consideração, a lei da ordem vai colocá-lo em seu lugar. Com isso, o adulto pode repetir os mesmos padrões com seus filhos ou mesmo em outras áreas da vida, mesmo que se esforce para fazer diferente.
O melhor a se fazer para ficar livre destes emaranhados sistêmicos é permanecer no lugar que lhe é devido no sistema familiar. Honrar o pai independente de quem ele foi ou é. Se encher da vida que lhe foi dada através dele para seguir em frente. Muitas vezes o pai também está preso em algum emaranhado inconsciente e não poderia atuar de maneira diferente. Você será diferente e fará diferente desde que mantenha o lugar que a ele pertence independente de qualquer coisa. Afinal tanto o pai, quanto a mãe, estão sempre presentes dentro de você. Reconhecer isto é sair do vazio, se conectar com suas raízes e se apropriar da vida e de quem você é!
O documentário Heal - O Poder da Mente, que estreou no serviço de streaming Netflix em 2019, traz como tema o poder da mente para a cura de sintomas físicos. Nele são mostradas diversas entrevistas com personalidades entre cientistas, médiuns e líderes espirituais e abordados casos de curas físicas a partir de tratamentos alternativos.
Não é necessário entrar nos aspectos científicos e talvez controversos da utilização de tratamentos exclusivamente naturais para cura de doenças graves. Contudo,mesmo diante de algumas críticas ao documentário pela sua parcialidade, há um caso relatado que mesmo diante de alguns tratamentos não pôde ser curado. Assim, é possível refletir que além do poder das crenças sobre o organismos, é preciso considerar também os emaranhados sistêmicos que atuam nas pessoas.
A diretora Kelly Noonan,que conduz a pesquisa e direciona o documentário, escolhe dois casos para acompanhar. Um de mulher que tem câncer e o outro uma doença não diagnosticada que produz grandes alergias e feridas na pele. O primeiro caso foi o bem sucedido e o segundo não. Contudo, nos dois é possível levantar aspectos sistêmicos que não são abordados no documentário.
Um olhar das leis sistêmicas sobre os casos de Heal O Poder da Mente
A primeira mulher leva uma vida extremamente saudável: alimenta-se bem, se exercita, parece ter ótima vida social e estar literalmente de bem com a vida. O diagnóstico é mesmo uma surpresa para ela e seus amigos. Isso nos leva a refletir sobre os limites para alterar um destino e algumas questões podem surgir:
Será que alguém mais em sua família teve câncer?
Como era a relação dela com seus pais? Eles morreram cedo?
Algum irmão morreu, mesmo antes de nascer? Ou talvez algum tio teve uma doença crônica ou um destino difícil? Há exclusões, ou seja, alguém ou algo foi esquecido ou não pode ser lembrado?
Estas perguntas talvez ampliassem a compreensão de que, para além dos cuidados com a saúde, é preciso olhar para todos os antepassados com amor e gratidão. Todos devem pertencer e a hierarquia precisa ser respeitada. Estes são os princípios da constelação familiar, que nos mostra que as leis sistêmicas que atuam nas relações não podem ser desrespeitadas.
Para Bert Hellinger, organizador do método, muitos sintomas são apenas expressões de um emaranhado sistêmico, ou seja, que algo está fora de ordem no sistema familiar. Se uma das três leis -pertencimento, ordem ou equilíbrio - for negligenciada há consequências para um ou mais integrantes do sistema familiar. Geralmente quem assume a carga mais pesada é quem mais ama e quer “salvar” a todos. Contudo este amor é chamado de “amor cego” pois acaba por perpetuar dores e sofrimentos com sua lealdade inconsciente.
Porque a EFT não funcionou em Heal o poder da mente?
Durante os relatos da segunda mulher para a terapeuta de EFT ela é indagada sobre suas vivências em família. Ela conta que precisava cuidar da mãe e que o pai havia ido embora de casa quando ela ainda era muito jovem. Elas fazem algumas rodadas de EFT sobre as emoções que emergiam dela ao lembrar e falar de sua família de origem. Mesmo assim a cliente tem uma piora e precisa tomar fortes medicamentos para conter a crise.
A EFT é um método eficaz para liberar crenças limitantes e até curar alguns traumas. Contudo como qualquer outro método é apenas uma ferramenta. A cliente liberou as emoções naquele momento mas será mesmo que ela estava disposta a mudar sua postura? Uma das leis sistêmicas que atuam nas relações entre pais e filhos é a ordem.Na minha visão, é possível notar que ela claramente foi invertida a partir do relato de que a cliente cuidava de sua mãe, além d e um tom de crítica e julgamento quando ela se refere aos pais.
Também há uma cena onde ela aparece com a filha e permitindo que a filha cuide de suas feridas. Com isso, ela perpetua o emaranhado no qual a mãe já se encontrava, e ainda se torna leal à mãe,repetindo a inversão de papéis com sua própria filha. A mudança de postura seria concordar com os pais como eles são, reconhecer seu lugar de filha e pequena diante deles e da grandeza da vida que lhe foi dada.
Como ampliar o olhar, mas sem perder de vista a realidade.
É preciso lidar com os sintomas, sejam quais forem, com cuidado e respeito. Eles são uma expressão de nosso inconsciente e muitas vezes trazem a luz dinâmicas ocultas em nossas relações que talvez de outra forma não fossem vistas. Não há apenas um caminho e uma solução.
O olhar sistêmico pede uma integração de fatores em busca da melhor solução. A medicina tradicional tem seu lugar assim como a medicina alternativa. O desejo de eliminar algo por si só pode ser prejudicial, pois de algum forma estou novamente excluindo algo que pertence àquele sistema.
O mais importante é observar qual a postura que prevalece em você. Assim será possível ampliar o olhar sobre o sistema familiar, se perceber como um indivíduo que faz parte de um grupo que é movido por leis e refletir sobre qual delas pode estar sendo ignorada ou desrespeitada.
As ferramentas existem e podem ser úteis, tais como a EFT e a própria constelação familiar. A medicina, tradicional ou não, existe para trazer alívio às dores e sofrimento. Mas acreditar que o poder de solução é exclusivamente externo é tirar a sua própria responsabilidade.
Por outro lado, se acreditar que tudo depende exclusivamente de você e sua forma de pensar, pode também excluir fatores importantes e desconsiderar que você faz parte de um sistema familiar e social que precisam integrar o processo.Desse modo, ampliar o olhar é assumir a própria responsabilidade, compreender as leis sistêmicas que nos regem e respeitá-las em seu íntimo. Assim, integrando todos os fatores, a vida flui e o destino - seja ele qual - for é honrado e respeitado.
Faz algum tempo queria assistir ao filme 7 minutos depois da meia noite (A monster calls/2016). Então resolvi conferir e tive um grande surpresa com tamanha profundidade sobre questões familiares em um filme que a princípio parece ser um terror que fala de monstros. Claro que vai muito além disso.
O monstro é uma metáfora para nossa sombra. E o melhor é que é de uma criança. Pois quem disse que crianças não tem sombra. A sombra faz parte do inconsciente e começa a ser formada assim que nascemos. O garoto do filme passa por um processo turbulento em sua vida. Sua mãe está em fase terminal de câncer e ele sofre bullying na escola. Além disso tem pesadelos repetitivos envolvendo sua mãe. Então, ele "cria" o mecanismo lúdico de exteriorizar sua sombra. E ela é vista através de uma árvore que ganha vida e começa um intenso diálogo com o garoto.
Algumas questões são bem bacanas para refletir. As histórias contadas pelo monstro árvore abordam questões de perdas mas sem nomear ou julgar quem é bom e quem é mau. Exatamente a forma como devemos encarar nossa sombra. Ela não é boa nem má, apenas guarda em si todos os aspectos que excluímos em nós, e muitas vezes aquilo que é nomeado como negativo, mas também talentos não vividos e escondidos.
No filme a árvore exerce um bom papel de sombra do garoto. Como se com ela ao seu lado ele estivesse autorizado a extravasar suas emoções. E assim ele pode colocar toda sua raiva para fora. E este é um ponto muitíssimo sensível que é abordado no filme. Uma criança que passa pela perda de um dos pais fica muito zangada. A raiva é um bom esconderijo para o medo e a tristeza e esta é mais difícil de ser abertamente manifesta, então a raiva entra em cena. A raiva é justamente pela sensação de abandono oculta na situação. E no caso do garoto ainda ocorre dos pais serem separados e ele não poder morar com o pai.
A criança vive um turbilhão de emoções quando se depara com a morte. Principalmente se precisa adotar um outro lugar, como o de cuidadora, a forte ou autossuficiente. É como se ela não tivesse mais o direito de ser apenas uma criança que requer cuidados e precisa deixar toda a emoção de lado para passar por este momento tão confuso. A forma como os adultos lidam com a morte ou a iminência dela é que fará toda a diferença.
No filme é como se árvore, a sombra ou mesmo suas raízes (já que é uma árvore) é que lhe ajudam a atravessar o momento. A árvore o ajuda a enxergar sua dor. Interessante que ele buscava ser punido de forma constante como se fosse o culpado tudo aquilo. E quando o colega da escola disse que não iria mais bater nele pois ele não merecia ser visto, então ele conseguiu colocar toda sua raiva para fora. Ser visto era a única coisa que ele queria!!
Assim ocorrem também com os excluídos em nosso sistema familiar. O que eles querem é serem vistos. Assim que isso acontece eles não precisam exercer alguma influência inconsciente no sistema. E sim, a dor também pode ser excluída se não for encarada de frente. E foi isto que a árvore do garoto lhe ensinou. Ele precisava aceitar que não era função dele salvar sua mãe, e nem era sua culpa que tudo aquilo ocorria. Simplesmente era este o destino. E quando ele finalmente conseguiu reconhecer que não poderia salvá-la, conseguiu colocar para fora seu medo de perdê-la e a tristeza decorrente disso também. Então a raiva já não era mais necessária e todos ficaram em paz.
Não é por acaso que o monstro é uma árvore. Geralmente é lá no em nosso sistema familiar, em nossas raízes que iremos encontrar a força para atravessar os momentos mais desafiante.
Pais tóxicos realmente existem? Como lidar quando aqueles que mais deveriam amar, supostamente, mais causam os danos?
A palavra “tóxico” refere-se a qualquer substância ou agente nocivo que, ao entrar em contato com o organismo, pode causar grandes danos à saúde de um indivíduo. Não sei ao certo quando essa palavra começou a ser utilizada nas relações interpessoais. Mas é no mínimo estranho pensar que alguém é capaz de entrar na vida do outro com quem tenha alguma relação íntima apenas com objetivo de ferir e causar dano, ainda mais quando se trata de um pai ou de uma mãe. Então, será possível?
Convido você a esquecer um pouco o termo tóxico e tudo que ele representa e a refletir sobre pessoas e relações. Quando algo é nomeado de maneira intensa e negativa cria-se um rótulo difícil de superar. Mas às vezes designar um rótulo negativo a algo tem a função de extravasar uma dor profunda que necessita ser expressa e nomeada de alguma forma. E talvez seja também a maneira mais comum que é escolhida para descrever determinada relação que lhe fez mal, ainda mais em se tratando de seus pais.
Para utilizar uma terminologia com um teor tão destrutivo, possivelmenre é assim que você se sente: destruído. Pode ser que olhe para sua vida e veja como a influência das ações de seu pai ou sua mãe tem enorme efeito negativo em suas relações, inclusive com você mesmo. E então na ânsia de respirar e ter uma nova vida, talvez você queira esquecer do passado ou excluir um ou outro definitivamente.
Dessa forma, você estará simplesmente esquecendo de você mesmo pois, queira ou não: você É seus pais!
A leis ocultas que regem os grupos familiares
E se eu te dissesse que a solução para lidar com eles é justamente oposta de excluí-los de sua vida?! Para compreender melhor este processo é preciso ter em mente que existem algumas leis sistêmicas que atuam em todas as famílias. As leis são: Pertencimento, Ordem e Equilíbrio. Quem percebeu melhor a forma destas leis atuarem nas famílias foi Bert Hellinger, disseminador do método que auxilia na cura das relações em famílias conhecido como Constelação Familiar.
Segundo o terapeuta alemão, quando há conflitos severos nas famílias certamente alguma lei está sendo negligenciada, ou mesmo todas elas. Se a lei do Pertencimento é desconsiderada, alguém da família poderá ser excluído, geralmente por julgamento moral. Com isso, todo o sistema familiar sofrerá as consequências.
Assim, mesmo que alguém cometa um crime ou algum ato grave contra outro membro do sistema familiar não pode ser excluído e esquecido, caso contrário, as gerações futuras podem compensar essa exclusão geralmente repetindo comportamentos, fazendo sintomas ou criando ciclos de autossabotagem.
A lei da Ordem por sua vez diz sobre a hierarquia existente onde quem vem antes tem prioridade e deve ser reconhecido como tal. Em relações entre pais e filhos esta é a lei mais atuante. O problema irá ocorrer quando a ordem é invertida e filhos acham-se no direito de serem maiores que seus pais, julgando, criticando, condenando, excluindo ou até mesmo com cuidados excessivos.
Segundo Hellinger, há três padrões comuns entre pais e filhos que são prejudiciais para ambos:
O padrão mais comum ocorre quando os filhos se recusam a aceitar os pais como são, fazendo críticas ou julgamentos morais;
Uma segunda dinâmica ocorre quando os pais querem dar algo aos filhos que pertence ao destino deles próprios e que é prejudicial. Neste caso, aquilo que os pais conquistaram ou sofreram devidos às suas próprias escolhas e circunstâncias pessoais e que não foi herdado de uma geração anterior, também não pode ser transmitido à geração seguinte. Contudo é comum que os filhos, por amor, assumam dívidas, doenças, obrigações e até injustiças sofridas ou infligidas.
E por último, uma dinâmica bem comum é a inversão da ordem chamada parentificação, quando os pais tentam receber dos filhos e os filhos tentam dar aos pais. Podem ser filhos que desde pequenos são colocados no lugar de cuidar de seus pais, ou mesmo aqueles que buscam nos filhos apoio ou suprimento emocional.
Pais Tóxicos, Constelação Familiar e Lei do Equilíbrio
Segundo a constelação familiar, ser pai e mãe é uma função e deve ser diferenciada dos papéis de homem e mulher. Para Bert Hellinger a função do pai e da mãe é perfeitamente cumprida a partir do momento que a vida é gerada. Assim, se você está vivo, seu pai e sua mãe fizeram o que precisavam fazer. Não há como negar a grandiosidade da vida e não há nada que tenha acontecido que tenha mais valor do que este presente.
Por isso, a lei do Equilíbrio não existe na relação de pais e filhos, apenas entre casais, amigos ou parceiros. Nunca será possível aos filhos compensarem aos pais o que eles deram. E é inegável que cada um é constituído a partir de seu pai e de sua mãe. Por isso que excluir um deles é excluir um lado seu, goste você ou não.
É possível fazer o esforço para se lembrar que seus pais fazem parte de um emaranhado em suas próprias famílias de origem. Muitas vezes, estão presos a situações que vêm se repetindo através de gerações. Eles não conseguiram romper com este ciclo, mas você pode!
A dor que é real. O que fazer com ela?
Compreender as leis sistêmicas não quer dizer esquecer tudo que foi vivido e sofrido e fingir que nada aconteceu. Claro que há marcas. E talvez elas permaneçam por longo tempo.
O fato é que julgar e acusar por tudo que já foi feito não ameniza nenhuma dor.
Mas se você é adulto e ainda passa por situações negativas, então cabe a você colocar os limites necessários.
A sua transformação depende da postura que você adota diante deles e da sua vida. A postura de amor real, de quem sabe o seu lugar no sistema, que está ciente das leis sistêmicas e as respeita é o que lhe trará paz.
Dessa forma é possível seguir em frente, sem desrespeitar nem julgar os pais pelos atos cometidos e ainda assim honrar a vida que lhe foi dada da melhor maneira possível. Os atos cometidos terão suas consequências. Mas você não é o juiz que irá julgar quais serão elas.
Bert Hellinger sugere algumas frases de reparação que podem ser ditas apenas internamente, ajudando a reparar e a trazer a solução necessária para todo o sistema.
Assim, mesmo que os filhos tenham sido magoados pelos pais, eles podem dizer internamente: “sim, vocês são os meus pais. Tudo o que esteve em vocês está também em mim. Reconheço-os como pais e aceito as consequências disso. Fico com a parte boa do que me deram e deixo-lhes a tarefa de enfrentar o destino de vocês como bem entenderem.” Com isso, liberam a si e aos pais, e cada um assume as consequências de seus atos.
Os filhos também podem dizer: “o que você fez é responsabilidade sua. Mas você continua sendo meu pai/mãe. Não importa o que você tenha feito, estamos ligados. Estou feliz por você ter me dado a vida. Mesmo que seus atos tenham sido horríveis, sou seu filho, não seu juiz.” Com isso, os filhos aceitam os pais sem se responsabilizar pelos atos deles. Eles são adultos e devem assumir os próprios erros.
Para superar e ir além das dificuldades nas relações com os pais é preciso enxergar o real e não o idealizado.
Além de ser grato por eles terem cumprido bem a função deles de terem lhe dado a vida. Agora que você é adulto pode andar com as próprias pernas e tomar toda a força deles e de seus antepassados para fazer grandes realizações e viver uma vida plena.
Muitas pessoas podem conseguir colocar em dia a relação com o pai e a mãe, voltando ao lugar de ser apenas o filho, sem críticas, julgamentos e cobranças; fazendo o amor regressar ao sistema familiar, mesmo que coisas terríveis tenham acontecido. Quando elas obtém sucesso nesta ação, todos os membros do sistema são beneficiados: os pais, elas mesmas e os seus filhos.
Referência: livro “A Simetria Oculta do Amor” de Bert Hellinger
Publicado originalmente em Personare https://www.personare.com.br/pais-toxicos-existem-m48387
Tem uma série de TV que sou apaixonada e ela se chama Greys Anatomy. Atualmente (2019) está na décima quinta temporada e é sobre o episódio 15.22 que trago o exemplo sobre relacionamentos.
Neste episódio o personagem Owen Hunt, incentivado pela sua irmã, decide procurar uma terapia para investigar se tem algo que ele faz de forma inconsciente que o impede de seguir feliz em uma relação afetiva. Isto pois a irmã percebeu que sempre que ele está preste a viver algo bom e prazeroso, ele toma uma atitude equivocada que acaba por prejudicar a relação, ou "algo" acontece para atrapalhar tudo.
Ele vai cético ao terapeuta que trabalha com uma terapia diferente "psicoenergética". Ao longo da conversa Owen que acreditava que seu problema era devido a um trauma de guerra vai percebendo que a questão principal era mais antiga. Então se lembra de uma memória da infância na qual ele estava super feliz com uma vitória na escola e ao tentar relatar para a mãe recebe a notícia da morte do pai. Com isso ele associou que não poderia viver uma felicidade plena pois imediatamente viria uma dor ou perda. E assim é nos relacionamentos dele. Ao reviver a memória então o terapeuta o ajuda a colocar para fora o sentimento de dor que estava preso naquele momento.
Adorei o exemplo da série pois relata algo bem comum de se ver. Um fato doloroso na infância, um trauma não elaborado, permanece no inconsciente e fica sendo revivido em outras relações na vida adulta. Muitas dificuldade de se ter ou manter uma relação é um movimento de amor interrompido com um ou ambos os pais. Isso pode ocorrer por morte ou afastamento por qualquer razão. A criança registra essa dor de que não pode se aproximar de quem ama pois pode sofrer com isso e leva pra vida. No caso do Owen, além da morte do pai, ainda houve a repressão da felicidade pela vitória conquistada na escola. Não pode compartilhar com a mãe sua alegria devido a notícia trágica. Isso também o leva a evitar sentimentos prazerosos e de vitória pois assim também evita a dor que vem depois.
Nosso inconsciente nos faz repetir aquilo que ficou registrado, por defesa, mas também para tentar dar um novo final. A repetição então é uma forma que nós temos de identificar que algo está preso no passado e necessita um olhar diferente para seguir em frente.
Claro que esta é apenas uma entre várias possibilidades de uma relação fracassar. Mas é este movimento de buscar trazer para a consciência o que está a tanto tempo oculto que irá nos auxiliar a sermos mais livres para viver nossa vida de forma mais plena.
Coloquei abaixo o link para o vídeo que gravei no canal sobre o assunto, dá uma olhada lá também, aproveita se inscreve para receber as atualizações!