sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O Filho de 1000 Homens: Uma Análise da Cura do Trauma sob a Lente da Experiência Somática

 

Créditos da imagem: Cena de O Filho de Mil Homens (Reprodução) - retirada site omelete.com.br

O filme O Filho de 1000 Homens, disponível na Netflix, vai além de uma simples história sobre a busca de um homem por um filho. Ele nos leva a uma jornada profunda e reveladora sobre como o trauma molda nossas vidas e a maneira como o vínculo humano pode ser a chave para a cura.

Através da intensa narrativa de Crisóstomo, um homem marcado por perdas e solidão, o filme nos desafia a refletir sobre o que realmente significa curar as feridas do passado e encontrar um novo sentido no presente.

Com base na abordagem da Experiência Somática (Somatic Experiencing), trago meu olhar sobre a cura de traumas, e convido você a olhar para suas experiências e mergulhar mais fundo nesta reflexão.


Como o filme Ilustra a Experiência Somática


A vida de Crisóstomo é marcada por experiências traumáticas intensas, vivenciadas desde a infância. O filme revela que ele foi forçado a se criar sozinho, isolado em uma caverna, um ambiente que simboliza o trauma profundo e o distanciamento do mundo.

Essa abordagem da Experiência Somática, com base na teoria de Levine, permite compreender como esses personagens são definidos por suas vivências traumáticas.

Segundo a teoria, o trauma não reside no evento em si, mas sim no corpo. O sistema nervoso, ao tentar lidar com os traumas vividos, desconecta-se e armazena uma carga de estresse.

Esse estresse acumulado que não pôde ser processado ou liberado fica retido como uma carga no organismo.

Pessoas que vivenciam isso carregam sensações e desconfortos que são memórias retidas no corpo. Eventos do dia a dia funcionam como gatilhos emocionais, reativando essas memórias do passado.

Se for possível processar e liberar o estresse que não foi integrado, a carga traumática é desfeita.


Neurocepção de Perigo e Dissociação: o trauma no corpo


As experiências traumáticas de Crisóstomo e de outros personagens demonstram como o corpo reage a essa carga retida. Em termos de sistema nervoso, a pessoa tende a permanecer em um estado de alerta ou perigo, e pode até precisar se dissociar.

O trauma profundo pode levar o indivíduo a evitar o contato ou o toque, especialmente se o toque ou a aproximação de outro tiver sido a fonte original da experiência traumática.

Muitos personagens no filme parecem ter vivenciado o que é chamado de trauma de desenvolvimento, que ocorre durante a infância ou adolescência.

Este tipo de trauma nem sempre se resume a um único marco, podendo ser uma recorrência de fatos sofridos no vínculo com alguém importante, como pais ou cuidadores.

Muitas vezes ele é a raiz de muitos problemas de autoestima e dificuldades com relacionamentos na fase adulta, e às vezes alguns sintomas como ataques e crises de pânico.

A consequência é que o sistema nervoso da pessoa é programado para uma neurocepção de insegurança e perigo.

A neurocepção é como se fosse um sistema de vigilância do sistema nervoso autônomo que sinaliza se há perigo ao redor e como o sistema deve se preparar para ele.

O indivíduo, que aprendeu que a relação com o outro pode ferir e machucar, não consegue relaxar. Mesmo diante de demonstrações atuais de carinho e cuidado, o sentimento predominante é o desconforto e a insegurança.


O vínculo como caminho de cura


Apesar da dificuldade em confiar, o processo de cura, conforme a Experiência Somática e as reflexões propostas pelo filme, demanda a atualização desse sistema nervoso.

A pessoa precisa de um processo para que o sistema nervoso reconheça novamente um estado de segurança, e isso só pode acontecer no vínculo.

A máxima central é clara: trauma de vínculo (ou desenvolvimento) se cura com vínculo (ou seja, na relação com as pessoas). Este é o aspecto mais desafiador, pois se as pessoas foram feridas por outrem, o outro é invariavelmente percebido como perigoso.

Para a cura ocorrer, é necessário acolher e reconhecer a carga de estresse negativa retida. O sistema nervoso que está em modo de luta e fuga ou congelado precisa mudar a sua neurocepção.

A atualização do sistema nervoso ocorre em uma relação segura. Muitas vezes, essa jornada começa em uma relação terapêutica, onde o profissional possibilita ao indivíduo experimentar um estado de segurança e realizar as descargas necessárias da carga de estresse armazenada.


Liberando a Dor Guardada: A Importância da Relação Terapêutica


Ao liberar a carga do trauma, a pessoa começa a perceber o presente como ele realmente é, sem a "lente traumática do passado". Ela consegue olhar para os outros de forma mais objetiva, sem os filtros do trauma.

O processo de liberação da dor guardada no corpo é comparável a um circuito elétrico que, ao ser sobrecarregado, precisa ser descarregado em um aterramento seguro para voltar a funcionar corretamente.

O filme O Filho de 1000 Homens ilustra esse processo de maneira sensível e tocante. O núcleo central de personagens, incluindo Crisóstomo, é formado por indivíduos que viveram traumas profundos.

Apesar de não ser uma relação terapêutica, a partir do instante em que os personagens vão sendo aceitos e acolhidos cada um a sua maneira e ao seu próprio tempo, eles vão se sentindo seguros novamente.

De maneira similiar a um terapeuta, Crisóstomo age respeitando a dor de cada um e ajudando-os a expressá-las. Enquanto ele faz isso, pode curar suas próprias dores. Ele não permite que as dores do passado o impeçam de olhar o outro com amor. Pelo contrário, a ânsia pelo amor e contato e faz desejar ainda mais os vínculos e alimenta o desejo de se tornar pai e construir uma família.


A Integração e o Novo Núcleo Familiar


É através do acolhimento, processamento e integração da carga e do estresse que o sistema nervoso consegue se abrir para a possibilidade de um vínculo seguro, retomando o estado de segurança.

Apenas quando os personagens do filme se permitem unir e sentir as dores é que conseguem confiar e se sentir seguros novamente. Juntos, eles formam um novo núcleo, uma nova família, onde um possibilita que o outro processe o trauma.

A dor guardada no corpo, que faz as pessoas se sentirem sufocadas, pode ser liberada em um ambiente seguro e acolhedor, permitindo que o sistema nervoso volte ao estado seguro e ao engajamento social.

O filme serve como uma lição: com amor, acolhimento e respeito (não só pelo outro, mas por nós mesmos), é possível acolher as feridas do passado, expressar e processar as dores e olhar para o presente e o futuro com tudo o que eles podem oferecer.


O Filho de 1000 Homens e o caminho para o relacionamento saudável


A capacidade de restaurar a neurocepção de segurança é, portanto, a chave para um relacionamento saudável. Através do vínculo e da cura do trauma, podemos transformar nossa relação conosco mesmos e com os outros. Muitas vezes precisamos apenas de alguém que nos possibilidade um ambiente seguro para que as emoções do passado possam ser expressas em segurança e respeitosamente.

O Filho de 1000 Homens não é apenas uma história de dor, mas também uma história de superação e transformação, mostrando como o processo de cura é possível quando nos permitimos expressar as sensações e emoções reprimidas, e viver novamente com segurança e confiança.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Trauma na infância: experiência somática pode ajudar na cura

A experiência somática ajuda o corpo a processar eventos difíceis, efeitos do trauma na infância, facilitando o tratamento




O trauma na infância pode impactar profundamente o desenvolvimento emocional e físico das crianças, levando a dificuldades que podem persistir ao longo da vida.

Diversas abordagens terapêuticas foram criadas para tratar essas cicatrizes emocionais, e a experiência somática (ES) vem se destacando como uma ferramenta eficaz para lidar com os efeitos dos traumas.

Essa abordagem considera o corpo como uma peça chave no processo de cura, focando nas sensações físicas e auxiliando o corpo a processar eventos difíceis.

Incorporar essas práticas no cuidado infantil desde cedo pode minimizar os efeitos negativos do trauma e promover uma regulação emocional mais eficaz.


O que é um trauma na infância e as consequências


Na abordagem naturalista SE (Somatic Experience), trauma é todo o conteúdo onde a quantidade de estresse foi maior do que a capacidade natural do corpo para lidar com o ocorrido.

Por isso, grande parte dos padrões e sintomas vivenciados na vida adulta surgiram de experiências traumáticas precoces não processadas.

Mesmo quedas e cirurgias, se não processadas adequadamente, podem gerar traumas que se manifestam como sintomas futuramente.


Consequências do trauma


Quando uma criança enfrenta uma situação traumática, o corpo pode responder de maneira a reter as tensões ou bloqueios que, se não liberados, podem influenciar seu comportamento e desenvolvimento, e gerar algum transtorno.

Essas respostas podem se manifestar através de sintomas, tanto quando crianças quanto adultos, como:
  • ansiedade,
  • dificuldade de concentração,
  • irritabilidade
  • problemas no sono


Como funciona a experiência somática


A experiência somática parte da premissa de que o trauma não é apenas um evento mental ou emocional. Mas também uma experiência física que o corpo carrega.

Diferente de abordagens puramente cognitivas, a experiência somática valoriza o corpo como uma ferramenta essencial para o processo de cura. Afinal, será através do sentir com segurança que aquilo que não foi integrado pode ser processado e liberado.

Por isso, para minimizar os efeitos traumáticos ao longo do desenvolvimento, é importante que as crianças aprendam, desde pequenas, a perceber e nomear suas emoções e sensações físicas.

Isso pode ser feito através de práticas simples, como:
  • Exercícios de respiração
  • Alongamento suave
  • Criação de um ambiente seguro e acolhedor em casa e na escola

Por exemplo, podemos incentivar uma criança ansiosa a perceber onde essa ansiedade está localizada no corpo. Como por exemplo uma tensão no peito ou um aperto no estômago.

Ao reconhecer essas sensações, a criança aprende a processar as emoções de maneira mais saudável, em vez de reprimi-las.

Quando a criança consegue identificar onde sente uma emoção no corpo e como reagir a ela, fortalece sua capacidade de regulação emocional.


O papel dos cuidadores


É fundamental que o ambiente em que a criança vive seja seguro e acolhedor. Nesse sentido, pais e cuidadores podem desempenhar um papel vital ao responder de forma calma e empática às necessidades emocionais da criança.

O que fazer:
  • Validar os sentimentos da criança: escute o que a criança diz e valide/concorde antes de inferir que ela sente algo diferente daquilo que é dito.
  • Incentivar práticas de autorregulação: prestar atenção ao que sente no corpo, em qual lugar do corpo está o desconforto, ensinar a respirar, principalmente a expirar (soltar o ar) mais do que inspirar.
  • Oferecer suporte emocional: abraçar, apoiar os ombros e segurar na mão às vezes são mais significativos do que um conselho.
  • Criar oportunidades para as crianças expressarem suas emoções de maneira saudável, seja através da fala, do movimento ou de atividades criativas.
  • O toque afetuoso, o contato visual e o uso de uma voz suave também são formas de promover a sensação de segurança e bem-estar.

Tudo isso ajuda a criança a recuperar o equilíbrio emocional após uma situação de estresse.


Experiência somática para os adultos também


Crianças não possuem autorregulação inata, ou seja, elas precisam aprender. Assim, cabe aos pais e/ou cuidadores cuidar do seu próprio autoconhecimento para lidar melhor com as próprias emoções e sentimentos. 

Mas se você não consegue lidar bem com suas próprias emoções, evita ou se esquiva de sentir e perceber melhor seu corpo, como poderá ensinar a criança a fazer?

Assim, é de extrema importância que, para a criança crescer mais livre e saudável, você seja um adulto que consiga se regular e validar os sentimentos sem os julgar como certos ou errados.

Se você é um adulto e não teve um cuidador regulado por perto, agora pode fazer este trabalho por você mesmo.

Com a experiência somática, você pode liberar o que não foi processado no corpo e gera sintomas físicos e mentais e até mesmo padrões mentais repetitivos.

Vale a pena olhar a dor para atravessá-la e criar espaço dentro de si.

 
Sentir, integrar e liberar


A experiência somática oferece uma poderosa ferramenta para ajudar as crianças a lidar com traumas desde cedo, promovendo uma maior conexão com o corpo e fortalecendo a capacidade de regulação emocional.

Ao integrar a experiência somática desde a infância, é possível criar uma base sólida para que as crianças se tornem adultos mais emocionalmente resilientes.

Trabalhar com as sensações físicas e as emoções associadas aos traumas pode ajudar a minimizar seus efeitos ao longo da vida, promovendo um desenvolvimento mais saudável.

Cuidadores que compreendem a importância de um ambiente seguro e de técnicas de regulação emocional podem transformar significativamente a forma como uma criança lida com o estresse e o trauma, contribuindo para uma vida mais equilibrada e emocionalmente estável.


https://www.personare.com.br/conteudo/trauma-na-infancia-m226663


terça-feira, 5 de setembro de 2023

O Trauma nosso de cada dia

Como o trauma pode repercutir em sua vida diária sem que você saiba, e o que você pode fazer a respeito.


Quando falamos de trauma, logo nos vem em mente algum fato muito trágico que nos incapacita de viver a vida com leveza e fluidez. De fato existem vivências traumáticas extremamente estressantes, mas também há muito trauma em nossa vida cotidiana que nem nomeamos como tal. A questão é que não dar importância aos pequenos sinais do corpo (ou da mente) de que algo não vai bem, é permitir que a vivência traumática se instale e impeça a liberação dos desconfortos e sintomas físicos e emocionais causados pelos mesmos. Traumas antigos, e algumas vezes em idades precoces, podem trazer muitos desafios a longo prazo. Mas com a técnica adequada é possível acessar recursos próprios que podem ajudar a liberar todas estas vivências mais desafiantes que ficaram armazenadas por tanto tempo. 


O que é trauma 


Um trauma ocorre quando o sujeito foi exposto a algum estresse pontual ou contínuo e que gera um resíduo no sistema nervoso. Ou seja, quando a pessoa passa por um evento em qualquer fase da vida que seja interpretado por ela (ou pelo seu Sistema interno) como ameaçador e que sobrecarrega a capacidade do sistema nervoso de processar e de encontrar os recursos necessários para lidar com aquele estresse. 


Assim, desde os períodos em que o sujeito encontra-se ainda no útero da mãe, bem como as fases mais iniciais de desenvolvimento onde se há pouco memória cognitiva, podem haver traumas.


Tipos de traumas


Existem os traumas que podem colapsar o sistema nervoso de uma pessoa de tal maneira que a medicação torna-se indispensável. Apenas para citar alguns, os traumas de guerra, abusos na infância, excesso de violência, são alguns exemplos de traumas que são extremamente desreguladores para um sistema nervoso e podem trazer imensos desconfortos físicos e emocionais. Também existem os traumas médicos (anestesias, acidentes, negligência médica, etc) assim como quedas e acidentes. De todos os traumas o de vínculo ou desenvolvimento é o mais silencioso pois não é ligado a um evento específico, mas a uma série de situações de negligência ou abuso físico/emocional que se dá de maneira constante ao longo da infância.


Uma abordagem para lidar com os traumas


O método da experiência somática ou SE™ - Somatic Experiencing®, é uma abordagem para lidar com traumas que foi desenvolvida pelo psicoterapeuta Peter Levine. Ele observou que a forma como os animais selvagens lidam com o estresse é universal e resume-se a três comportamentos: fuga, luta ou congelamento. Um animal indefeso pode se fingir de morto diante do seu predador (estado de congelamento) e após perceber que o perigo se retira ele volta a si dando umas sacudidelas pelo corpo para continuar sua jornada sem sequelas. Já os humanos aprendem a reprimir as emoções (e sensações) e se apoiar em justificativas racionais para tentar seguir em frente. E geralmente este é o maior problema,  pois é como se a situação ficasse congelada e o corpo aprendesse a revivê-la de várias maneiras. O estresse não liberado fica armazenado no corpo gerando problemas dos mais variados, desde sintomas físicos, emocionais e até comportamentais como baixa autoestima e procrastinação.


Cada vivência vai gerar um nível de estresse correspondente a quantidade de recursos que a pessoa já angariou ao longo da vida. Assim, uma criança que ainda está em fase de desenvolvimento tenderá a ter menos recursos para lidar com as situações traumáticas do que um adulto. Para alguns teóricos os grandes traumas estão na infância e ficam sendo revividos na vida adulta. Mas o mais importante é ajudar ao corpo e ao sistema nervoso liberar no presente o estresse acumulado independente de quando ele tenha surgido. 


O sistema sensório-motor engloba todos os sentidos e as respostas motoras e musculares. Ele desempenha um papel central e fundamental na terapia do Somatic Experiencing®, pois o método reconhece a importância das sensações físicas e das respostas do corpo ao trauma. O objetivo do SE™ é permitir que o nosso sistema processe as emoções e sensações físicas associadas a estas experiências traumáticas não resolvidas. Com isso as energia bloqueada pode ser processada e liberada ajudando na resolução de sintomas físicos, emoções desreguladas e amenizando crenças e pensamentos destrutivos.


Como perceber se o trauma está lá e o que fazer com ele.


Na verdade todos somos traumatizados em algum nível. Isso de forma alguma precisa nos impossibilitar de viver a vida com leveza. Não há nada a ser consertado, mas sim, integrado. O que ocorre é que algumas experiências vão ser mais estressantes para alguns do que para outros. Isso também se deve à quanto os pais ou cuidadores possuem capacidade de autorregulação, ou seja, de lidar com as próprias vivências traumáticas. 


Geralmente reações desproporcionais estão ligados a traumas do passado. Sabe aquela reação de raiva avassaladora por um copo ter quebrado? Ou por alguém ter dado um grito com você? Geralmente se tratam de gatilhos emocionais que vão disparar no corpo uma reação à situação vivida no passado e ao estresse já presente e acumulado. As pessoas chamadas de hipersensiveis em sua grande maioria estão nesta situação.  É como se houvesse um programa rodando em segundo plano, como nos computadores, o sistema passa a ter problemas para funcionar em sua plenitude dependendo de tudo que está ali atuando sem que se perceba.


Para lidar precisamos "atualizar nossa cpu". Contar ao corpo que o perigo já passou e que agora temos recursos. O corpo revive a situação do passado e é preciso se conectar com o presente de novo. Essa percepção é o primeiro passo para validar toda e qualquer emoção e sensação e permitir que ela se libere de uma maneira segura. Dependendo do tamanho do Trauma e estresse vivido a ajuda de um profissional capacitado é de extrema importância! Pois somente assim será possível liberar a carga de estresse retida de maneira segura e sem retraumatizacao. 


Leia o mesmo artigo em: https://www.personare.com.br/conteudo/resolucao-de-traumas-m171811



Psicóloga.

Somatic Experiencing® (Liberação de traumas)

Psicoterapia sistêmica/familiar.

Constelações Familiares.

Atendimentos presencial e online.

Youtube: Torna-te quem tu és por Maria Cristina



💞Você não precisa ficar só! Busque ajuda!

Para mais informações entre em contato em mariacristinapsi@yahoo.com.br


sexta-feira, 18 de novembro de 2022

This Is Us - Olhando para o passado e ressignificando no presente

A aclamada série This is Us pode trazer boas reflexões sobre as nossas relações



A série This is Us vem fazendo sucesso mundial desde 2016, quando estreou no canal NBC, dos Estados Unidos. A última temporada foi exibida no dia 24 de maio deste ano, após 6 temporadas aclamadas. Recentemente, voltou à cena estreando na TV aberta. 

Agora, mais pessoas serão tocadas pelos dramas e conflitos da família Pearson, que têm a história descrita sempre na perspectiva de três tempos diferentes. 

Ao longo da série, os espectadores serão tocados por vários temas atuais, contando com alternância das perspectivas entre os membros da família. Desta forma, a série permite que o espectador acompanhe o desenrolar de cada personagem e a forma como as vivências do passado de cada um vai afetando o presente e até mesmo o futuro deles.


This is Us e a família comum


Talvez o que mais aproxime as pessoas desta série é a forma como ela retrata as questões e dramas do cotidiano de uma família comum. Nada de “família margarina” por aqui. Todos os personagens de This Is Us passam por altos e baixos e expõem seus dramas pessoais e familiares o tempo todo. 

Um casal com muitas diferenças se une e busca construir uma família com filhos. E nesta história de ganhos, perdas, doenças, saúde, exclusão, inclusão, união, separação, várias dicotomias vão se apresentando no caminho.


O perigo da perfeição


O destaque vai para o personagem que parece ser o mais bem resolvido, mas também é o que traz fantasmas bem complexos: Randall, o filho que foi adotado logo na maternidade. É o que mantém a relação de família mais bem construída, com a namorada que conhece desde a juventude. 

Ambos constroem juntos uma família com diversidade e aceitação. Randall aparenta ser o mais ponderado e prestativo, sempre disposto a ajudar. No entanto, ao longo da série, vamos percebendo as nuances deste personagem. Ele vai em busca da família de origem? Sente falta dela apesar de ter sido adotado ainda bebê? 

É interessante refletir sobre a postura de perfeição que ele carrega e o peso que isto traz ao personagem. Aos poucos, Randall vai se mostrando frágil e vulnerável como os outros personagens de This Is Us e tem a oportunidade de atravessar grandes desafios sempre contando com a ajuda da mulher incrível ao lado dele. 


Olhando para o passado e entendendo o futuro


A ideia da série de transitar pelo tempo dos personagens em etapas diferentes da vida é um dos fatores que torna This is Us tão interessante. Com isso, acompanhamos o drama de um personagem do início ao fim em alguns momentos em um mesmo episódio. 

No presente, é possível ir traçando a linha do tempo junto ao apresentado na série e com isso entendendo melhor certos padrões de comportamentos e atitudes que ocorrem no momento atual.

Temas complexos como a morte de um filho, adoção, morte do cônjuge, ausência do pai, conflitos com a mãe, relação entre irmãos, autoestima, e o impacto das doenças na família são visitados pela série. 

Ao acompanhar a família Pearson, vamos compreendendo como cada acontecimento vai moldando cada um dos personagens de forma singular. E isso nos traz reflexões para nossos próprios padrões familiares.


Traumas que marcam uma vida


A morte de um membro querido sempre é marcante, bem como as separações, exclusões e rompimentos. Os personagens passam por alguns lutos ao longo da série. Isto nos faz refletir o quanto somos marcados por acontecimentos traumáticos do passado ou mesmo no presente. 

É importante reconhecer as marcas e o efeito que elas provocam. Alguns, inclusive, com sintomas físicos. Em This is Us, os personagens buscam o apoio sempre dentro da família e com as pessoas próximas. 

No entanto, é importante saber o momento certo de buscar ajuda profissional. Mesmo que racionalmente seja possível entender o que ocorreu, o corpo pode guardar as marcas e manifestar as emoções escondidas no inconsciente.


Refletindo sobre nossa própria história


Na visão sistêmica, percebemos muito constantemente processos repetitivos nas famílias. Fatos positivos ou negativos são re-vivenciados em nossa história e com isso temos a chance de ressignificá-los, caso sejam muito dolorosos. 

Alguns acontecimentos da infância certamente podem marcar toda uma jornada. Porém, a vida também traz oportunidades para que, ao topar com os fantasmas do passado, seja possível fazer uma releitura do que ocorreu e até mesmo dar um novo significado. 

Todos os personagens de This Is Us vão enfrentar seus fantasmas em algum momento. É bonito perceber como cada um vai encontrando o recurso necessário para superar os desafios. Se há algo em comum entre eles, são os relacionamentos que cultivam ao longo da vida. 

Dentro da nossa realidade, é de extrema importância perceber as repetições. São elas que sinalizam que algo precisa ser ajustado na postura interna. A mesma forma de se relacionar e o mesmo padrão de comportamento, por exemplo, podem ser sinais de que estamos sendo leais a algo do nosso sistema familiar. 

Uma psicoterapia com a visão sistêmica ou a utilização de técnicas como a constelação familiar podem ajudar a trazer para a consciência o que de outra forma não seria percebido. Afinal, não assistimos à nossa vida passar diante da TV para ter clareza do que se passa em nosso íntimo. Com os personagens é sempre mais fácil. 


A importância das relações


Os protagonistas, a família Pearson, têm histórias tocantes. No entanto, nenhuma delas seria possível sem os “coadjuvantes”. A série é plena em mostrar a importância de se manter boas relações durante a vida. Seja dentro da família, pais, irmãos, mas também os amores e amizades. 

É lindo como todos ao redor se tornam recursos para nosso protagonistas em muitos momentos avançarem e superarem os desafios. Isso só reforça a importância de cultivarmos relações saudáveis e termos por perto pessoas nas quais podemos confiar. 

Mesmo dentro da família de origem, com os desafios e conflitos enfrentados, todos acabam encontrando uma maneira de se reconectar e olhar para o essencial. Deixam de lado as diferenças de opinião e passam a respeitar a forma que cada um adota de ver a vida. 

Este certamente é um grande exercício para todos no cotidiano. Olhar para o que é essencial, o que realmente importa naquela relação, e utilizar as diferenças para somar e crescer e não para subtrair algo do relacionamento. 

Que a possibilidade de acompanhar uma série sobre a família seja uma oportunidade de refletirmos sobre as escolhas do dia a dia e como nutrimos diariamente nossas próprias relações. 


Publicado originalmente em www.personare.com.br



sexta-feira, 4 de novembro de 2022

AUSÊNCIA MATERNA: COMO LIDAR?

 Embora seja difícil, é possível encarar a ausência materna e ir ao encontro do nosso próprio resgate



A ausência materna sendo ela por morte ou não, deixa marcas, pois mexe com o sentimento de não ter por perto a pessoa mais importante da sua história. Afinal, a vida veio através da mãe e a ausência dela gera medos, inseguranças, carências, além de outras dificuldades na vida pessoal e profissional. 


Mas será que há uma saída para lidar com a ausência materna? Como conviver com essa sensação de abandono? Será que ela é mesmo real?


Entenda como um olhar mais sistêmico pode lhe auxiliar a compreender e lidar com essa sensação e te liberar para um caminho mais leve diante da vida.


Ausência Materna: a importância da mãe na vida de cada um


Os pais que não se ofendam, mas é fato que a mãe é a primeira pessoa mais importante da nossa existência. Porém, para gerar a vida, é preciso do homem e da mulher, então o pai entra com 50% da função essencial. 


No entanto, apenas a mãe é suficiente para que esta vida se mantenha nos meses iniciais. Ela gera e dá a nutrição essencial nos primeiros meses de vida e, por isso, os bebês precisam tanto das mamães. 


Se por qualquer razão esta mãe se ausentar fisicamente, a criança sentirá sua falta. Mesmo que suas necessidades sejam preenchidas, e que ela seja muito amada, a ausência materna será sentida e, certamente, levada para a vida adulta.


É na relação com a mãe que primariamente aprendemos a nos relacionar com os outros. O quanto essa relação transmite confiança e segurança é a medida que iremos também nos sentir seguros para confiar nos outros. Não é o único fator, mas é de grande relevância.


Até mesmo a relação com o trabalho passa pelo vínculo com a mãe. Pelas mesmas razões anteriores, se nos sentimos validados e reconhecidos pela mamãe, certamente faremos escolhas profissionais mais conectadas com a nossa essência e estaremos mais abertos a servir a vida e permitir que o fluxo de abundância ocorra naturalmente.


Presença física não significa entrega


Embora a mãe seja a pessoa mais importante para o nosso desenvolvimento, isso não lhe tira a imperfeição. Antes de ser mãe, ela é uma mulher comum que também é filha. A mãe carrega uma história pregressa ao nascimento dos filhos e ela leva isso junto em suas relações de família. 


Assim, pode ser que a mãe não consiga estar disponível para os filhos. Ela está presente, mas geralmente há uma queixa de que ela não age como uma mãe deveria, e talvez até nem ame da forma ideal.


De fato, há muitos fatores pelos quais uma mãe pode se ausentar, como alguma doença que a incapacite física ou emocionalmente. Pode ser ainda que ela esteja muito emaranhada em sua família de origem e ainda ligada a parceiros anteriores, o que impede a sua real presença e cuidado com o filho.  


Mas seja qual for a razão para os filhos, nada justifica, pois certamente a criança vai sentir os efeitos do que se passa com sua mamãe. Porém, o problema torna-se interminável quando o adulto ainda têm exigências com sua mãe. E logo veremos os efeitos desta postura.


Ausência materna por morte


Chegamos à ausência que parece inevitável. A morte é o fim da vida, então, a ausência materna passa a ser uma constante. Mesmo sabendo que a morte é o curso natural do ciclo de vida ela ainda é temida e mal falada. 


Até para se referir à morte é comum as pessoas usarem o “perdi” minha mãe. Como se o fato dela ter morrido é responsabilidade nossa. O termo morte me parece bem menos cruel neste caso, mas dizer “minha mãe morreu” parece muito definitivo para alguns.


Vou comentar uma experiência pessoal: minha mãe faleceu em 2010. Ela me viu casar, mas não esteve presente fisicamente no nascimento de minhas filhas. Por algum tempo, vivi a ausência materna. 


Com isso, sentia os efeitos desta postura na minha vida pessoal, familiar e profissional. Conflitos desnecessários com minha filha ocorriam e não conseguia alavancar minha carreira. Só consegui me encher de sua presença quando ajustei minha postura interna com a ajuda da filosofia sistêmica e da constelação familiar. Aí sim, a vida começou a fluir em todas as áreas.


O peso interminável de permanecer com a ausência


São inúmeros os efeitos de permanecer na ausência. Se você está conectada com a ausência materna, fica conectada com a morte. Você se retira da vida sem perceber. Pode evitar relacionamentos ou boicotar os que já existem. 


Cada vez que alguém sai da sua vida é um sofrimento interminável e desproporcional. Deixa de confiar nas pessoas, pois tem medo que elas te deixem também. O trabalho e outras coisas importantes para sua vida podem perder o sentido. 


Desta forma, essa postura voltada para o menos pode gerar perda de dinheiro ou até mesmo danos à saúde. Fora que outras pessoas ainda podem sentir o efeito junto, pois você pode se afastar emocionalmente do cônjuge ou dos filhos, ou eles de você. 


Além disso, seus filhos podem começar a apresentar sintomas de ordem física ou emocional como forma de manter você na vida.


Como seguir em frente?


Para seguir em frente, é preciso colocar algumas coisas no lugar. Em caso de ausência materna por morte, o luto precisa ser vivido. Não adianta evitar a dor, pois certamente pode gerar mais sofrimento e até traumas que ficam no corpo. 


Sendo assim, se permita sentir a dor com consciência e, junto com ela, outros sentimentos que vão surgir como raiva e tristeza. Deixar que as crianças participem do processo é essencial.


Aos poucos, procure lembrar do que foi vivido juntos. Mesmo que ainda gere tristeza, parar de falar sobre o assunto como se a morte fosse um tabu é excluir a mãe do seu sistema. Os mortos querem ser lembrados, mas também deixados em paz.


Lembrar não é lamentar. É saber que a mãe cumpriu seu papel e completou seu destino do jeito que foi possível. Ao olhar no espelho, você a enxerga atrás de seus olhos e continua viva e presente dentro de você. 


E ela se alegra se você seguir em frente e honrá-la, fazendo de sua vida algo bom. Que legado você está deixando? É nele que a sua mãe vai se perpetuar, assim como você futuramente.


Não importa como foi essa mãe, se foi boa ou ruim. Esses rótulos só servem como pesos que nos impedem de caminhar. Ela foi suficiente e isso basta para você fazer o melhor que puder com a vida que lhe foi dada. 


Ela pode não estar ao seu lado fisicamente, mas a presença dela é inevitável em tudo que você é e faz. Então, o que lhe resta é cuidar bem da filha ou filho dela, Você!


Maria Cristina Gomes

Psicóloga

mariacristinapsi@yahoo.com.br


Texto originalmente publicado em www.personare.com.br 

SAÚDE MENTAL: COMO SABER SE A MINHA ESTÁ EM EQUILÍBRIO?

Saiba quais são os indicadores de alerta que é hora de cuidar da sua saúde mental.



Saber se a saúde mental está em equilíbrio tem sido uma dúvida cada vez mais comum. Afinal, a vida precisa ser vivida com leveza e, para isso, precisamos nos sentir bem emocionalmente. 


Mesmo diante de problemas e desafios da vida é possível manter a estabilidade e lidar com as dificuldades dentro do possível. Assim, os excessos emocionais podem indicar, junto a outros fatores, que algo não vai bem com sua saúde mental e talvez esteja na hora de procurar uma ajuda profissional.


A seguir, vamos falar sobre os possíveis indicadores que sua saúde mental não está bem, e como fazer para reestabelecer o equilíbrio. Quer saber mais? Confira tudo! 


Saúde mental: indicadores físicos


Fique atenta (o) se você vive em volta de sintomas. Quando um sintoma vai dando lugar a outro é um alerta de seu corpo que algo precisa de atenção. A grande maioria dos sintomas tem raiz emocional e, aqueles que não tem, podem se relacionar a traumas vividos ao longo da vida, e que ficam registrados no corpo.


No caso de questões somáticas advindas de traumas, o ideal é buscar um profissional específico da área. Muitos acreditam que precisam conviver com dores crônicas ou sintomas repetitivos e isso vai gerando um turbilhão de sentimentos relacionados à impotência de se fazer algo a respeito. Com isso, a saúde mental é prejudicada por algo que precisa ser trabalhado e liberado no corpo.


Você sabia que até o excesso de cansaço físico e mental pode ser resultado de questões de desordem sistêmica onde você assume papéis e lugares que não são seus? Mesmo quem trabalha muitas horas seguidas pode terminar o dia mais leve se estiver exercendo apenas a sua função, sem se emaranhar em problemas alheios.


Indicadores emocionais


Nenhum sentimento em excesso é natural. Todo o excesso implica uma falta. Viver em estado constante de tristeza, raiva e medo é um alerta de que, provavelmente, a sua saúde mental não está em equilíbrio.


Contudo, é importante lembrar que todos os sentimentos fazem parte da existência como humanos. Por isso, eles devem ser acolhidos e vividos quando surgem. Agora, se todos os dias a tristeza te acompanha, assim como os pensamentos negativos, gerando dores e sintomas, já passou da hora de buscar ajuda. Isso vale para qualquer emoção. 


É bom ficar atenta (o) ao que as pessoas a sua volta dizem se te veem frequentemente triste ou com raiva. Perceber se faz sentido e reconhecer o excesso de sentimentos é o primeiro passo para a cura.


Indicadores comportamentais


Perceba como age diante da vida, nas relações pessoais e familiares. Comportamentos impulsivos, junto ao excesso emocional, vão indicar que a saúde mental pode não estar bem. 


Brigas constantes e agressividade gratuita precisam ser percebidos e investigados. No outro extremo, se isolar do contato social e evitar vivenciar situações prazerosas e divertidas também são sinais de alerta.


Torna-se importante esclarecer que nada disso é bom ou ruim, certo ou errado. Sair destes rótulos é essencial para que o primeiro passo seja acolher tudo o que ocorre. 


Alguém que sempre agiu muito passivamente pode começar a explodir mais frequentemente com os outros com a intenção de estabelecer limites. A agressividade saudável é importante, mas é possível equilibrar as emoções para que possam ser melhor expressadas.


Indicadores sistêmicos


Sabe aquela depressão que toda a família tem? Alguns sintomas físicos ou emocionais que vão se repetindo ao longo de gerações podem simbolizar problemas sistêmicos. E unindo todos os outros indicadores, todo esse excesso pode nem ter relação com você, mas sim ser fruto de sentimentos adotados de algum outro lugar ou pessoa do seu sistema familiar. 


Neste caso, se você já buscou ajuda de alguns profissionais, mas não obteve resultado, pode ser que uma psicoterapia na visão sistêmica ou constelação familiar lhe ajude de forma mais efetiva.


Como melhorar a saúde mental?


Buscar ajuda profissional é sempre a melhor opção quando o assunto é saúde mental. O apoio de um especialista é necessário quando você, mesmo sozinha (o), buscou acolher suas emoções mas não teve êxito. Alguns acreditam que apenas ler livros ou ver vídeos sobre o tema é suficiente. Certamente pode te ajudar nas percepções, mas há um limite.


Principalmente quando se trata de problemas sistêmicos ou traumáticos, a ajuda de um profissional específico ou que seja hábil em ambas é essencial. Como psicóloga sistêmica, percebo que a visão do sistema como um todo, junto aos conhecimentos de traumas e experiência somática, auxiliam em um olhar mais integral dos meus clientes.


Nem tudo é proveniente de assuntos não resolvidos com família de origem ou lealdades inconscientes até para repetir um sintoma. Mas, se for o caso, o olhar sistêmico é fundamental! 


Contudo, alguns traumas que são vividos ao longo da vida, inclusive no próprio nascimento, podem desencadear uma série de problemas que vão dificultar que a saúde mental esteja em equilíbrio. Dessa maneira, precisam de espaço para serem liberados do corpo. Em muitos casos, todas as questões anteriores atuam juntas, o que torna-se ainda mais fundamental a busca do profissional capacitado.


Ou seja, o primeiro passo é que você deve sempre perceber que o natural da vida é fluido e leve, e se o seu cotidiano traz a vivência contrária, é preciso acolher e buscar a ajuda mais apropriada. 


Maria Cristina Gomes

Psicóloga

mariacristinapsi@yahoo.com.br


Texto originalmente publicado em www.personare.com.br 

terça-feira, 29 de março de 2022

Filme no ritmo do coração e uma reflexão sobre nosso lugar na família



No ritmo do coração, filme de 2021 disponível na Amazon Prime vídeo, foi o ganhador do oscar de melhor filme e ator principal no último domingo. 


De forma leve e descontraída o tema da lealdade familiar é central! Numa família de deficientes auditivos só a filha caçula nasceu sem a deficiência... Ela acaba sendo a mediadora entre a família e o mundo e se depara com um momento de seguir o sonho de ser cantora ou permanecer neste lugar junto a família.


Vale a pena assistir e refletir sobre os lugares que nos colocam (e que sustentamos) e nos questionar: será que somos tão essenciais assim? Será que permanecer no lugar onde fomos colocados também não é se agarrar à segurança do conhecido? Será que não criamos/mantemos um motivo nobre para evitar os desafios (e o medo) de seguir um caminho diferente?


Claro que o filme é agridoce em muitos aspectos diferente da dureza da realidade que nos apresenta...Mas mesmo diante de uma dura realidade podemos ousar buscar um caminho próprio e se reencontrar com seu próprio lugar. 


E mesmo que não queira pensar em nada disso aproveite a sensação leve que fica no final do filme.... em meio a filmes e séries muitas vezes densos e pesados, aproveite este para só curtir a experiência 🙃


#filmeoscar #noritmodocoracao 

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Maria Cristina Gomes 

✔Psicóloga sistêmica e consteladora familiar

✔Atendimentos online e presencial

Email: mariacristinapsi@yahoo.com.br

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

A arrogância de querer salvar os pais

 



👉"Por certo, na minha personalidade havia um lado pretensioso, desde criança, que me levou achar que seria capaz de assumir funções tão descabidas. Por mais que meu pai requisitasse mais e mais esse tipo de ajuda, e que minha mãe expressasse sempre uma grande dependência de mim, foi na minha cabeça que tudo se gerou e cresceu." Luiz Schwarcz 


Este é o trecho do livro O Ar que me falta - história de uma curta infância e uma longa depressão, que me livrou ao livro.  O editor Luiz deu uma entrevista ao Bial no conversa com Bial em março deste ano onde ele contava brevemente sua história e falava dessa arrogância de salvar os pais. 


Porque quando crianças somos colocados em lugares que muitos não tem força pra sair. Mas quando adultos é preciso tomar a vida e seguir adiante voltando para o lugar. Cuidar da criança ferida torna-se responsabilidade do adulto que nos tornamos. Assim seguimos mais livres e autorresponsáveis. As vezes é preciso uma ajudinha para reencontrar sua própria força e raiz e aí entra a psicoterapia. O autor fez anos de análise e isso se reflete em um texto lúcido de alguém que mesmo com tantos desafios não se mostra como vítima. 


Obs: Se quiser ver a entrevista completa com direito a um complemento de Sidarta Ribeiro, neurocientista, que fala como podemos herdar traumas da família, está disponível na Globoplay no dia 4/3/21 ou no youtube só a parte do Luiz:  https://www.youtube.com/watch?v=3l_BAeo_lXg


Maria Cristina Gomes 

✔Psicóloga sistêmica

✔Atendimentos online e presencial

Email: mariacristinapsi@yahoo.com.br


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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Os efeitos de uma criança estar no meio dos pais

 


"Também compreendi que a tarefa de alegrar o matrimônio dos dois era impossível. Essa conclusão chegou com 40 anos de atraso. Quando minha vida havia sido preenchida por esse objetivo." Luiz Schwarcz - O Ar que me falta


Os efeitos são pesados para as crianças que se sentem responsáveis pela união dos pais. Na verdade todas tem em algum nível a ideia em seu imaginário que os pais precisam ficar juntos e algumas assumem a responsabilidade por isso. Se percebem brigas constantes podem fazer sintomas (seja na saúde ou na escola) para capturar aquele conflito e os olhares se voltem para ela. Se os adultos não estão atentos eles podem permitir e até endossar este lugar para as crianças. 


Mas o fato que quando adultos é preciso rever... A criança pode ter suas fantasias e nem tem suficiente força ainda para questionar o ambiente, estar consciente para estar no seu lugar. Mas o adulto pode e deve se fazer este questionamento a medida que percebe os emaranhados que estar fora do lugar traz para sua própria vida. Não é uma regra, faça isso ou faça aquilo. Mas perceber o quanto a vida flui e os efeitos em nós de mantermos os lugares e posturas de sempre.


E é com esse olhar que o autor vai fazendo suas reflexões ao longo de sua autobiografia.


Seguimos refletindo...


Maria Cristina Gomes 

✔Psicóloga sistêmica

✔Atendimentos online e presencial

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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Os efeitos da exclusão dos filhos que não nasceram para os irmãos

 



👉 "O não reconhecimento do filho morto, assim como todo o silêncio que cercou as inúmeras tentativas de ter filhos, pesou bem mais do que se a verdade tivesse sido dita. Meus pais, que queriam nesse caso me proteger, escondiam de si mesmos também o fracasso em ter "um time de futebol de filhos". É dessa forma que minha mãe expressa o desejo do casal na época. "Um time de futebol" que parou no goleiro." 


Luiz Schwarcz em O Ar que me falta - História de uma curta infância e uma longa depressão.


O fundador da editora companhia das letras faz uma bela reflexão de sua história e conta recortes de sua infância e paixão pelo futebol sendo goleiro sua posição predileta. Assim faz uma metáfora sobre o peso que carregou (mesmo inconscientemente) dos irmãos que não nasceram antes dele. Na visão sistêmica das constelações familiares as crianças que não nasceram precisam ser incluídas como filhos. É um movimento feito no coração sem julgamentos de qualquer ordem. Ignorar os não nascidos tem consequências para a ordem dos irmãos que vêm depois. Muitos não conseguem achar seu lugar no mundo, na vida, por estarem fora de lugar no seu sistema familiar. 


A análise do autor do livro não é pela visão sistêmica, mas sem saber de nada disso ele relata seu sentimento de carregar o peso de não saber racionalmente (mas saber no coração). Além disso, como "filho sobrevivente " recebeu toda a projeção e cuidados excessivos dos pais, além de vivenciar as inúmeras dores e tristeza de sua mamãe. Ali também começou a inverter papéis e ser o bom filho para proteger os pais de mais dores e preocupações. Teve que amadurecer rápido tornando sua infância curta como diz o título do livro.


Continuamos refletindo...


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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Ser o centro da vida dos pais é um lugar grande demais para uma criança


O trecho completo 👉 "No conjunto, o ambiente familiar complicado pelo período da separação e a constante perda dos outros filhos tão desejados contaminará cotidianamente o ar da minha casa, resultando numa forte pressão sobre meus ombros. Desde muito pequeno, compreendi ter assumido o papel de principal provedor da alegria do lar. Meu pai dizia que eu deveria sempre lembrar que ele era meu melhor amigo, e vice-versa. Ele repetia e repetia isso, à exaustão, enquanto minha mãe me entupia de cuidados e preocupações. Assim, no centro da minha infância, foi se fermentando um senso de responsabilidade quase patológico. Eu vivia preocupado em nunca desagradar meus pais." Luiz Schwarcz em sua autobiografia: O Ar que me falta - História de uma curta infância e uma longa depressão.


recorrente em muitos adultos que quando criancas precisaram se responsabilizar por seus pais de alguma forma. Reflexão para os pais que exigem dos filhos um suprimento afetivo que é grande demais para eles suportaram. Alguns filhos precisam se rebelar de forma extremista como uma forma de saírem deste lugar, o que também pode trazer efeitos pesados. 


Além disso, colocar o filho num lugar central após perdas sucessivos também é dar a ele um peso grande demais para carregar...eles até conseguem mas os efeitos chegam e as vezes bemmm devagar...


Se quando criança o lugar errado é ocupado  é preciso reencontrar o seu lugar no mundo, ele é seu, o certo para você e certamente mais leve, mesmo com desafios. 


Vamos refletindo...


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sexta-feira, 25 de junho de 2021

As lealdades inconscientes nos impedem de seguir com leveza

 

Joan Garriga fala um pouco de lealdades inconscientes em seu livro Bailando juntos: "As vezes acontece uma forma de lealdade pelo sofrimento que não nos permite assumir nosso próprio bem-estar devido a essa fidelidade mal interpretada para com outros membros do sistema que padeceram."


Neurose de classe, sindrome de aniversário, lealdades inconscientes, amor cego, todos estes termos que compõem a visão sistêmica estão relacionados aos dizeres do Garriga. Inconscientemente adotamos uma postura que ser leal ou pertencer implica em fazer igual ou não se permitir ir mais longe dos que vieram antes. 


No momento em que vivemos isto se torna especialmente relevante, pois até mesmo para pertencer ao grupo maior que sofre perdas e passa por dificuldades de toda ordem, estar bem e em paz é muitas vezes ter que sustentar uma consciência pesada. Mas é assim que avançamos. 


A consciência pesada, uma certa culpa, faz parte no processo de ir além... E com isso todos que vieram antes se alegram com a evolução do sistema. E mesmo fazendo diferente ainda iremos pertencer!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Papel da mãe: significado na Constelação Familiar




A mãe exerce papel fundamental em nossa história. E este é um dos motivos onde esta relação, é a causa de 80% dos problemas que levam às pessoas aos consultórios de psicologia. Há muitas nuances, pois sistemicamente nunca olhamos para uma causa e um efeito. Mas é fato que o papel da mãe é de extrema importância para o fluir da vida em todas as instâncias. 


Entenda como a visão sistêmica da constelação familiar pode lhe auxiliar a compreender essa importância e saiba como pode trazer leveza para sua vida tomar a mãe no coração e seguir em frente. 


Papel da mãe: significado na Constelação Familiar


“Toda relação começa com a mãe.” Esta frase de Bert Hellinger dá o tom da importância da mãe na vida de cada ser. A maioria dos problemas surge quando algo ocorreu neste primeiro relacionamento, quando ele não se dá na plenitude. A importância primordial vem do fato de que foi ela quem gerou a vida que pulsa em você. Se você respira agora foi porque aquela mulher te alimentou e sustentou por alguns meses suficientes até você chegar à vida. A vida veio através dela em toda sua grandeza. Além disso, aquelas que puderam, sobreviveram ou seguiram mais um tempo, certamente alimentaram e cuidaram de você em suas necessidades básicas. Algumas podem não ter conseguido dar continuidade nos cuidados posteriores, mas ainda assim, o lugar dela é de honra e respeito. 


A constelação familiar vê a mãe (e o pai) como pessoas.Não trata-se de uma mãe ou pai ideais. Também não tem nada a ver com o que puderam dar, ou o que retiraram. Tomar a mãe é concordar com um fato, reverenciar a vida que veio por meio dela. Você toma a pessoa e na medida que faz isso, tem a vida em sua plenitude. A partir deste simples ato, o sucesso profissional pode chegar e os relacionamentos podem ser mais leves. 


Para Hellinger a compreensão da mãe é filosófica. Nada retira a grandeza da vida. Muitas coisas desafiantes podem ter ocorrido desde o nascimento até sua chegada na vida adulta. Questões e fatos que ficaram no meio de sua relação com sua mãe. Mas por mais desafiante e doloroso, a vida ainda é maior. É com ela pulsando que tudo é possível de ser ressignificado, reelaborado e reconstruído. Com este olhar, a mãe é perfeita em sua função e nenhuma mãe é pior ou melhor que a outra. Todas transmitiram a vida e a isso nada pode se acrescentar ou subtrair. 


Relação entre mães e filhas ou filhos


“A mulher só se torna mulher com a mãe. O homem só se torna homem com o pai.” Esta máxima da constelação costuma causar muitos questionamentos, contudo nela há um movimento natural do ser. Mais uma vez a compreensão vai além das questões ideológicas. É preciso voltarmos ao movimento essencial do ser. O feminino flui através do feminino, assim como o masculino fluirá através do masculino. Psicologicamente todos contemos o masculino e o feminino em nós. E buscar este equilíbrio é fundamental para bons relacionamentos. 


A relação da mãe e da filha costuma ser mais complexa. A mulher possui um papel mais desafiante, por isso ela torna-se também tão especial e fundamental para o fluir da vida no mundo. A menina precisa fazer um movimento de retorno à mãe que os meninos não precisam. Por volta dos 7 anos as crianças vão em direção ao pai internamente. Este movimento é importante para a psique das crianças. Lembrando que o movimento é interno, na alma ou inconsciente, não necessariamente uma atitude física pois nem sempre é possível. O pai têm um papel importante de conexão com a criança no mundo externo, social e profissional. Ele a leva para ver o mundo. Mas a menina precisa retornar para a mãe após um tempo para seguir com o feminino fortalecido em suas raízes. O menino deve seguir com o pai. Quando este movimento não ocorre, a menina prefere ficar com o papai e o menino se recusa a ir com o pai ou volta para a mãe, ambos podem ficar frágeis em suas relações afetivas posteriormente. Na constelação familiar chamamos de Filhinha do papai e Filhinho da mamãe.


A filhinha do papai, será aquela mulher que não achará um homem à altura do papai para se relacionar. Podem buscar o pai nos homens (ou pessoas parceiras) e como uma criança deseja ser cuidada e atendida em todas as suas necessidades. Poderá também apresentar muita rivalidade com a mãe. É uma falta de lugar na vida e pode ter uma insatisfação constante no trabalho e na profissão. 


O filhinho da mamãe, por sua vez, poderá sempre se envolver e seduzir muitas mulheres e nunca conseguir se estabelecer em uma relação séria. Um Don Juan por exemplo seria um bom exemplo de filhinho da mamãe. Ele também pode buscar uma mãe na relação e ficar dependente emocionalmente da parceira (o). 


No caso destas dinâmicas descritas uma das leis sistêmicas está sendo desobedecida, a lei da ordem ou hierarquia. Nela precisamos ser pequenos diante de ambos os pais respeitando a prioridade de chegada no sistema e reverenciando a vida que veio através deles. Os filhinhos da mamãe e filhinhas do papai geralmente estão grandes diante de um deles. Assim, não há leveza e em alguma área da vida algo não irá bem. Os pais podem reforçar estas dinâmicas nos filhos, que quando criança não possuem muitas defesas. Os filhos ficam entre os pais com esta postura. Mas ao se tornarem adultos cabe a cada um voltar ao seu lugar. 


Bert Hellinger descreve um exercício simples para esta dinâmica: Quem percebe que é uma filhinha do papai, olha para o seu pai e lhe diz, piscando o olho: “Sou apenas a sua filha. Para outro papel, sou pequena demais”. A mesma coisa faz o filhinho da mamãe com sua mãe. Olha para ela e lhe diz: “Sou apenas o seu filho. Para outro papel, sou pequeno demais”. Curiosamente, isso é um alívio para todos, inclusive para os pais.( Livro: Um lugar para os excluídos, 2006).


Vale ressaltar que não há nenhuma relação com orientações sexuais ou identidades de gênero. Aqui se trata do feminino e masculino em sua essência e existente em todos os seres humanos. E mesmo que os pais estejam ausentes física ou emocionalmente da educação e crescimento das crianças, o movimento é o mesmo e se dá internamente. O que ocorre é que talvez seja preciso uma ajuda profissional para direcionar neste caso, seja uma psicoterapia sistêmica ou uma constelação familiar. 


Como descobrir a relação com sua mãe


Para saber se você tem problemas em tomar sua mãe, olhe a sua volta e perceba se sua vida está travada em algum processo. O primeiro lugar onde visitamos é sempre a relação com a mãe. Em seguida vamos ao pai e aos que estão excluídos do sistema familiar. Segundo a lei do pertencimento, estamos ligados a todos os nossos ancestrais por vínculos inconscientes e nada nem ninguém pode ser excluído sem que o sistema sofra algum efeito. Assim, uma vida que não flui pode se relacionar com algo fora de ordem ou excluído, mas se a postura diante dos pais está de acordo com a ordem, a clareza para onde encontrar a solução fica maior diante dos desafios.


Se você tem muitas críticas e julgamentos contra sua mãe, isto pode se voltar contra você caso também opte pela maternidade. Se você é mãe e os conflitos com sua filha são grandes provavelmente há algo na sua relação com sua própria mãe que precisa ser revisto. Talvez queira ser uma mãe melhor e dar o que não teve. Parece uma intenção nobre e claro que é possível fazer diferente, mas não por ser melhor que a mãe, mas por ter mais recursos que ela mesma lhe propiciou. A geração anterior teve seus próprios desafios e já trazem um legado. Reconhecer isto não é justificativa para ações danosas, mas concordar com o passado para conseguir seguir em frente mais livre. 


Problemas de confiança nas relações amorosas também podem ter origem em dificuldades na relação com a mãe. Se quando criança sua mãe teve que se ausentar por algum motivo, saúde, outra gravidez, ou mesmo morte, você pode ter registrado um pequeno trauma da separação e isso trazer consequências em suas relações afetivas e sociais. O caminho é o mesmo, tomá-la no coração com tudo que foi do jeito que foi para seguir sua vida mais livre. 


As mães (ou pais) adotivos exercem um papel importantíssimo e ao mesmo tempo bem delicado. O êxito na adoção e na relação entre esta mãe e seus filhos e acolher no coração a origem da criança independentemente de qualquer ocorrido. 


Mãe narcisista: uma categoria ou rótulo?


Recentemente é comum escutarmos o termo Mãe narcisista. O Transtorno de personalidade narcisista (TPN), é um transtorno de personalidade catalogado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV. O fato da mãe ter ganhado notoriedade para este transtorno (você provavelmente não ouviu muito falar de pai narcisista) é devido a sua importância e influência na forma como conduzimos a vida adulta.  


A questão é: saber o diagnóstico da mãe lhe ajuda a compreendê-la com amor ou reforça uma postura de vítima em você? Claro que a postura da mãe (assim como o pai) provoca efeitos e alguns bem desafiantes. Mas sendo um transtorno, trata-se de um processo mental e que talvez não houvesse escolha consciente. Não trata-se apenas de um comportamento errado, mas de ser a única forma que aquela mulher sabia se comportar. Talvez houvesse motivos pregressos, lealdades inconscientes, ou mesmo questões biológicas e/ou genética. O fato é que se o diagnóstico dela não pode ser alterado, a sua postura diante dele pode. Talvez não seja fácil sem ajuda profissional para reconstruir e ressignificar, mas certamente é possível se você fizer uma escolha de seguir olhando para o futuro. 


Como superar as dores causadas pelas mães 


Costumo dizer que precisamos separar as instâncias. Dentro da mulher mora uma mãe e a relação que precisamos acertar é com esta. Afinal, a mulher traz sua bagagem que já existia antes de você. Suas dores e feridas estão todas lá. Mas ela deu à luz em algum momento e neste momento você tem a vida através desta mãe e isso deve ser colocado em primeiro plano. Não precisa ficar em um ambiente aversivo, com a tal mãe narcisista por exemplo, onde residem dores e mágoas. Pode se afastar, se possível, mas no coração a mãe precisa ir com você. A mulher pode até ficar para trás, mas a mãe que te gerou e alimentou precisa ser honrada. 


O que ocorre é que as culpas são carregadas. Se você acusa a mãe no coração, automaticamente age contra a lei da ordem e pode causar processos de autossabotagem como expiação. As pessoas se vingam inconscientemente da mãe sendo infelizes, assim podem justificar seu fracasso e continuar acusando a mãe. Não traz bons efeitos para ninguém e quem mais perde é você mesma (o). 


O passado não precisa definir quem você é. Você pode tirar a força que precisa de todos os desafios que vivenciou ou olhar para o que lhe faltou no processo. Se você acreditou que precisava carregar as dores da mamãe por amor a ela ou mesmo por elas terem sido depositadas em você, está na hora de devolver a quem de direito. Reconhecer que diante dela é pequena e que não pode carregar nada por ela. Este é um movimento que é feito no coração, sem acusações, apenas concordância do que foi para seguir livre. 


Dependendo do tamanho do dano ou dor causadas, o processo deve ser feito em um processo terapêutico por um profissional capacitado que irá acolher suas dores e te ajudar a ressignificar. Uma constelação familiar com um profissional de sua confiança também pode trazer a luz as questões envolvidas e lhe ajudar a liberar o que te aprisiona.


Saiba mais sobre a Constelação Familiar


A técnica pode ser aplicada em grupo ou individual, presencialmente ou online. Você leva ao constelador o tema ou questão que percebe ter dificuldades em solucionar e se coloca receptivo e centrado para as informações que surgirão no campo. O método é fenomenológico, então não há como prever o que irá surgir, é uma observação do que atua naquele momento. O campo mórfico funciona como um inconsciente coletivo onde todas as informações são “armazenadas” e qualquer pessoa que esteja livre de intenções pode acessar. O ideal é que o cliente consiga se manter neutro e receptivo, mas nem sempre é possível devido às resistências inconscientes. Mas um bom constelador deve estar sempre centrado e isento, para inclusive acolher as resistências do constelado. É importante buscar um bom profissional no qual você sinta confiança e empatia. 


Para além da técnica, é importante ter compreensão das leis sistêmicas mencionadas anteriormente e tomar a decisão de olhar para a frente. A postura interna diante do seu passado é que define como você caminha para o futuro, não os fatos em si. A vida chegou até você e se você se alegrar com isso pode fazer dela algo grandioso, nas suas relações e profissão. 


Originalmente publicado em https://www.personare.com.br/autor/maria-cristina

Traumas de infância: como superar pela Constelação Familiar

 Entenda a importância e cuidados ao lidar com os traumas de infância e outros traumas e quando a constelação familiar pode ser eficaz.


Durante a vida é possível que pequenos traumas ocorram mesmo de forma inconsciente. Mais comumente na infância podemos passar por vivências traumáticas que ficam registradas no corpo e no emocional podendo trazer alguns efeitos negativos na vida adulta.

Ao longo do texto, entenda mais sobre os traumas de infância e outros traumas que podem advir inclusive dos nossos ancestrais, e saiba como e quando a constelação familiar pode ser utilizada para obter resultados mais eficazes e não provocar maiores danos.

Traumas de infância: o que são segundo a Constelação Familiar

Ter um trauma, de maneira geral, significa que em algum momento de sua vida você passou por uma situação tão intensa e estressante que seu corpo e mente passaram por algum tipo de dissociação, como uma resposta de luta e fuga comum em animais diante de um predador. O registro ocorre no corpo e normalmente vem seguido de emoções que remetem à dor causada na situação em questão.

Vivências traumáticas vividas na infância podem acarretar problemas dos mais variados na vida adulta, dos mais graves, como ataques de pânico ou ansiedade, aos mais comuns mas não menos importantes, como inseguranças exageradas ou mesmo bloqueios ao se relacionar com alguém afetivamente.

As constelações familiares nos revelam que mesmo traumas ocorridos em gerações anteriores podem influenciar a vida dos descendentes devido aos vínculos sistêmicos e lealdades invisíveis. 

Como identificar traumas de infância

Para identificar um trauma é de extrema importância um acompanhamento com um profissional de Psicologia ou Psiquiatria. O grau de desconforto com que o trauma se manifesta em cada um é que determinará se precisará de uma associação de profissionais e técnicas.

Mas para saber se precisa buscar uma ajuda profissional, perceba se uma ou mais áreas da sua vida é extremamente desafiante para você. Se há sintomas como crises de ansiedade ou ataques de pânico sempre quando se depara com uma situação específica pode ser que haja um trauma relacionado. Mesmo sintomas físicos podem aparecer após um trauma mesmo que nunca se tenha feito uma associação entre ambos. Às vezes o trauma está tão inconsciente e interferindo em algum processo no fluir da vida sem que a pessoa perceba, que apenas num processo terapêutico ele se revela. 

Na infância muitos traumas podem ocorrer e apenas serem percebidos em uma psicoterapia ou em uma constelação familiar. Podem ocorrer traumas no nascimento e mesmo causado por separações dos pais, mesmo que aparentemente, tudo tenha sido superado, ou você nem tenha conhecimento. 

Uma criança que tenha ficado muito tempo longe dos pais por motivos de saúde de algum deles, pode gerar o trauma de separação, que é um dos mais comuns de ocorrer e perceber em constelações. Neste caso, a criança registra um certo abandono, mesmo que não tenha ocorrido de fato. Com isso, na vida adulta pode ter dificuldades de se relacionar afetivamente pelo receio de ser rejeitada ou abandonada. Esse é um trauma simples que é facilmente percebido em uma constelação familiar. 

Como superar traumas de infância

Há várias abordagens psicológicas que podem ajudar a tratar um trauma. Cada uma à sua maneira irá conduzir o cliente da maneira mais apropriada e segura para uma superação do trauma. Uma constelação familiar é uma técnica, portanto, ela não é recomendada para tratar um trauma muito profundo.. Esta é uma função do processo psicoterapêutico. Contudo a constelação pode ser uma grande aliada em alguns casos que precisam ser levados em consideração junto a um profissional de preferência que tenha conhecimentos sistêmicos. 

Primeiramente, é necessário notar se realmente é um problema para você. Se pesquisar muito por aí, talvez encontre muitos sintomas físicos e emocionais, ou mesmo atitudes que podem ser desencadeadas por um trauma. Mas faça uma autorreflexão e sinta se aquela questão realmente impede sua vida de fluir com leveza. Se houver dúvidas, o primeiro caminho é sempre começar um processo com um profissional de psicologia. Caso os sintomas sejam muito intensos pode contar com a ajuda de um psiquiatra também. Existem muitos livros e técnicas de autoaplicação que podem ajudar, mas ainda assim, o acompanhamento profissional é de extrema importância. Ativar um trauma sem estar pronto para lidar com ele, pode causar transtornos ainda maiores.

Como ajudar alguém com traumas de infância

Uma constelação familiar é uma técnica, portanto, ela não é recomendada para tratar um trauma. Esta é uma função do processo psicoterapêutico. Contudo a constelação pode ser uma grande aliada. Assim, caso você sinta que tem um trauma, ou conhece alguém que queira ajudar, o primeiro passo é procurar um psicólogo. Se o interesse por em constelação familiar, busque um profissional sistêmico que alie esta ferramenta ao seu trabalho ou busque um constelador através de indicações que seja de extrema confiança. A forma como o profissional conduz fará a diferença nos resultados desejados.

Cuidado com a vontade de ajudar alguém que passa ou passou por um trauma. Pois mesmo com uma ótima intenção, caso não seja um profissional capacitado para tal, pode causar mais danos. O ideal é acolher sempre com muito amor. Ser um bom ouvinte, sem julgar nem propor soluções pode ser de grande ajuda. Lembre-se que se tratar de um adulto ele possui suas próprias escolhas e deve ser respeitado deste lugar. Nada que lhe impeça de sugerir aquilo que acredita poder ajudar, mas cuidado para não pressionar pois pode ter um efeito oposto do desejado. 

Se é pai, mãe ou cuidador de uma criança que acredita ter vivido alguma experiência traumática siga a orientação anterior de buscar ajuda profissional com um psicólogo sistêmico caso também haja interesse na técnica da constelação familiar. E atenção: mesmo que suspeite que o trauma tenha tido a participação de um dos pais, cuidado como conduzirá a situação com a criança. Ela precisa e deve ser protegida, mas não ataque ou condene ninguém nem mesmo verbalmente na frente da criança. Brigas e acusações entre cônjuges na frente dos filhos podem piorar as vivências traumáticas. Lembre que o primeiro caminho é sempre buscar uma ajuda profissional.

O que a Constelação Familiar pode fazer por você

A técnica da constelação familiar pode ajudar a trazer à luz as questões que estão ocultas para você ou te fazer entrar em contato com seu próprio centro e seu lugar no seu sistema familiar. Em caso de vivências traumáticas, como orientado antes, pode ser necessário um acompanhamento psicológico ou em parceria com um psiquiatra. 

A técnica pode ser aplicada em grupo ou individual, presencialmente ou online. Você leva ao constelador o tema ou questão que percebe ter dificuldades em solucionar e se coloca receptivo e centrado para as informações que surgirão no campo. O método é fenomenológico, então não há como prever o que irá surgir, é uma observação do que atua naquele momento. O campo mórfico funciona como um inconsciente coletivo onde todas as informações são “armazenadas” e qualquer pessoa que esteja livre de intenções pode acessar. O ideal é que o cliente consiga se manter neutro e receptivo, mas nem sempre é possível devido às resistências inconscientes. Mas um bom constelador deve estar sempre centrado e isento, para inclusive acolher as resistências do constelado. É importante buscar um bom profissional no qual você sinta confiança e empatia. 

Caso surjam sintomas físicos referentes ao trauma durante a constelação é de extrema importância avisar ao constelador caso ele não tenha notado. Em casos de constelações em grupo presenciais pode ser que apenas assistindo a uma constelação de outra pessoa você tenha um trauma ativado. Também é importante avisar ao constelador sobre a questão. Caso note algum sintoma, lembre-se de respirar pausadamente e repetir mentalmente quem é você e onde você está. Isto pode ajudar a aliviar até que o constelador que conduz possa fazer algo a respeito. 

Traumas de antepassados podem surgir em constelações. Às vezes aquele sintoma físico ou emocional que você não encontra nenhuma referência em sua vida pode estar relacionado com algum trauma anterior no seu sistema. Para as constelações os vínculos sanguíneos e lealdades inconscientes são poderosos e perpassam gerações. Se houve algum ancestral que morreu muito jovem por uma situação traumática, e se isto foi excluído de alguma forma do seu sistema familiar, por ser um segredo ou apenas ter sido esquecido, algum descendente pode reviver o trauma de alguma forma como uma espécie de trazer a luz àquela questão oculta. 

O ideal é compreender os processos sistêmicos que envolvem estas repetições para sanar o problema. Somos conduzidos pelas leis sistêmicas do pertencimento (ninguém ou nada pode ser excluído do sistema familiar), ordem (atua no âmbito familiar onde quem vem antes é maior e tem prioridade e por isso deve ser respeitado como tal) e equilíbrio (trocas equilibradas nas relações sociais e afetivas), nas quais os processos de repetição muitas vezes estão vinculados. 

O que nos faz reviver um trauma de um antepassado é um profundo amor pelo sistema e uma lealdade inconsciente. Contudo, trata-se do que chamamos de amor cego, onde não percebemos o amor dos nossos ancestrais por nós e que sofrer para trazer os excluídos de volta ao sistema é provocar mais dano que solução. Compreender todo este processo nos faz olhar com amor para as dores e traumas pois eles querem de alguma maneira comunicar algo que está ausente. E mesmo as vivências traumáticas ocorridas na infância ou ao longo da vida devem ser tratadas com cuidado e respeitadas enquanto sintomas pois as reações talvez fossem as únicas possíveis diante dos acontecimentos. Assim, não pense em simplesmente eliminar o problema, mas olhar para tudo com amorosidade para conseguir se libertar dos grilhões que lhe impedem de viver sua vida com mais leveza.